MATERNIDADE

A tendência da gestação após os 35 anos

00:40 · 28.05.2013
Ser mãe compõe os vários planos de vida, o que tem tornado a gestação tardia um caminho natural

Nos tempos em que a mulher também assume papel de provedora do lar, ela estuda mais e trabalha intensamente, está sempre em busca de ascender no mercado de trabalho, apresenta opiniões definidas e, possue autonomia dentro do casal na hora de decidir ter um bebê.

Cada vez mais, as mulheres decidem optar pela gestação tardia. Mas é preciso um acompanhamento médico detalhado para evitar possíveis riscos FOTO: REPRODUÇÃO

Seja por vaidade, estabilidade no relacionamento, motivos profissionais ou financeiros, o fato é que adiar a maternidade se tornou um comportamento cada vez mais comum nos tempos atuais. Afinal, ter um bebê demandará mais tempo e dedicação a outro "setor" da vida de uma mulher em detrimento da sua carreira.

Junto a esses fatores, adiar a maternidade possibilita vantagens para a criança, que nascerá em uma família mais madura e estruturada financeiramente. No entanto, aquelas que decidem esperar muitos anos para começar a tentar engravidar, precisam estar cientes da série de cuidados que uma gestação nessas condições exige.

Segundo o tocoginecologista do Hapvida Saúde, Elson Almeida, gestantes com idade a partir de 35 anos necessitam de atenção especial para monitorar riscos associados a doenças crônicas e genéticas. Conforme o especialista, a melhor maneira de evitar complicações é o acompanhamento médico, preferencialmente, iniciado antes do início da gravidez.

Na entrevista, o médico esclarece essas e outras questões relacionadas à chamada gravidez tardia.

Entrevista com Edson Almeida*

Quais os riscos e cuidados especiais

A partir de qual idade, em média, a gravidez oferece mais riscos?

Costuma-se qualificar como gestação de alto risco aquelas que ocorrem após a idade de 35 anos. Além de outros aspectos, ela se caracteriza pelo aumento das chances de associação com doenças crônicas (como diabetes, hipertensão arterial e tireoideopatias), além de doenças genéticas (como as síndromes de Down, Patau e Edward).

Existe algum cuidado especial nos casos que são a primeira gravidez?

A primeira gestação sempre deve ser observada de forma especial, uma vez que não temos um ponto de comparação. É considerado fator de risco quando a paciente possui, em gestações anteriores, ocorrência de hipertensão, trabalho de parto prematuro, amniorrexe prematura, diabetes e demais doenças. Porém, neste caso, não há avaliação do antecedente obstétrico que muito nos ajuda na prevenção de patologias.

Quais são os principais riscos da chamada "gravidez tardia"?

Os riscos maiores de uma gestação com idade avançada são a existência de doenças crônicas que podem modificar o bem-estar da paciente e do concepto durante todo o período do pré-natal. Além disso, as cromossomopatias (doenças genéticas), podem ocorrer por conta dos óvulos da mãe em idade avançada por estarem "envelhecidos". Quanto mais idade, maiores as chances de tais doenças. Encontramos também maior incidência de abortamentos no primeiro trimestre de gestação, mortalidade materna elevada, gestação múltipla, diabetes gestacional e pré-eclâmpsia complicada pela síndrome de Hellp. A incidência do diabetes mellitus, em algumas de suas formas, é duas a três vezes mais comum em gestantes com idade acima de 35 anos que naquelas que possuem idade de 20 a 25 anos.

Já existe alguma forma de amenizar esses riscos?

Os riscos podem ser minimizados (mas não zerados) quando a paciente se antecipa, realizando avaliação pré-concepcional. Por meio desta, pode-se rastrear doenças pelo histórico pessoal e familiar; controlar possíveis doenças crônicas; estabilizar doenças autoimunes; e iniciar o uso de complementos vitamínicos, evitando anemias e possíveis deficiências de ácido fólico (intimamente ligada a alterações do sistema nervoso central e periférico). Também já existem mecanismos para avaliação dos riscos existentes individualmente a cada paciente. Porém, a idade avançada confere este risco que deve ser esclarecido à paciente.

O acompanhamento da gravidez de mulheres em faixa etária mais elevada precisa ser diferenciado?

A mulher que opta por engravidar após os 35 anos precisa conhecer plenamente os fatores associados aos maiores riscos, de modo que possa buscar aconselhamento genético com um médico geneticista e assistência médica antes e depois de planejar o nascimento do seu bebê. Além disso, elevam-se os índices de infertilidade na medida em que a idade avança. Por isso, é necessário controle rigoroso destas possíveis doenças crônicas que podem interferir no bom andamento do pré-natal. A orientação não deve ser apenas da paciente, mas também do casal e de toda família. Pacientes deste grupo devem buscar avaliação antes de iniciar a gravidez.

*Tocoginecologista

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