AUTOCONHECIMENTO

A presença ativa é a tranquila calma

21:16 · 18.06.2011
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O instrutor de Ioga Cristiano Bezerra afirma que o autoconhecimento ajuda as pessoas a descobrirem os padrões que atrapalham seu desenvolvimento (seja lento, impulsivo ou acelerado). Aceitá-los e tentar equilibrá-los em seu próprio interior é uma dica importante. "O ideal é procurarmos manter uma prática personalizada do Ioga, a qual inclui as peculiaridades próprias de cada um".

Em nossa era, com grande dificuldade de as pessoas manterem seu equilíbrio (segundo a Ayurveda, devido aos excessos de instabilidade e inquietação da mente, do padrão Vata, pela tecnologia, antenas, televisão, internet, celulares, etc.) o Ioga chega a ser uma atividade fundamental e terapêutica. Quem insiste em manter o padrão de desequilíbrio, tem diante de si um verdadeiro desafio para crescer e se desenvolver a contento.

"Eu, por exemplo, já sofri muito por tentar abarcar o mundo com meus braços", confessa Cristiano, que entende sua mente como rápida, veloz, mas com dispersão que dificulta assimilação e memorizar, extrapolando as 24 horas do dia com uma tendência a querer fazer coisas demais.

Cada um tem a tendência, justifica ele, a procurar o que o desequilibra. Apesar de ter iniciado na prática do Hatha Ioga convencional, com Lídice Pinheiro, na ocasião sentindo-se muito bem e relaxado, optou mais tarde por práticas mais intensas como a Ashtanga, as quais contribuem para que fique ainda mais ligado e acelerado. Só agora, em seu processo de amadurecimento, está conseguindo modificar gradativamente suas escolhas, praticando Iyengar e mesmo hatha ioga. E confessa como uma outra instrutora que teve, "faço Ioga porque realmente necessito".

A variedade da prática de ioga e a possibilidade de executá-la do princípio ao fim da vida, a faz ser a mais indicada para diversos tipos de desequilíbrios, como a Síndrome do Pensamento Acelerado. Outras atividades orientais também são recomendadas pelos especialistas, sendo esta com o propósito de ajudar a resgatar a unidade mente/corpo.

Interiorização

Conforme a instrutora de ioga, Lídice Pinheiro, que hoje ministra aulas mais calmas (direcionadas à terceira idade) seu intuito é, desde o início, preparar o ambiente e o corpo como um convite ao relaxamento (aquietamento do corpo e da mente).

Com alunos que ultrapassam a casa dos 80 e 90 anos, Lídice sente-se satisfeita com os resultados que tem obtido ao longo dessas décadas que abraçou o ioga.

Seus alunos chegam bem antes do horário. Aproveitam e ficam papeando. Ela coloca uma música para criar um clima propício ao silêncio, o que todos obedecem. E, logo a seguir à prática física propriamente dita (as posturas ou ásanas, aliados à respiração consciente, com exercícios que são feitos no limite de cada um), vem os 15 minutos finais com visualização, respiração e a denominada ioganidra.

"O relaxamento do corpo segue com atenção na respiração. Trabalhamos a quietude, no sentido da autopercepção. E, ao voltar-se para dentro de si, cada um cria uma interiorização propícia à serenidade. Neste instante, priorizo mais o aspecto voltado à saúde e equilíbrio".

A ênfase na interiorização, diz Lídice, é um voltar-se para seu espaço interior, propiciando a preparação do corpo e da mente para a meditação. No estresse cotidiano, explica, há muita liberação de hormônios como cortisol e adrenalina, que aceleram o metabolismo e a própria mente. Desacelerar, ao se fazer os asanas e massagear as glândulas endócrinas com a respiração, é ação profilática contra todos esses excessos. "Ao se desacelerar, a respiração entra em um ritmo adequado, bem como os batimentos cardíacos e as ondas mentais", justifica Lídice.

E, por falar em prevenção, as pequenos são também grandes beneficiados com a prática de ioga. Conforme Carina Pinheiro, instrutora de ioga para crianças, normalmente os filhos gostam de acompanhar e seguir seus pais nessas atividades. Eles os observam praticando em casa e ficam curiosos. Contudo, a prática adulta não é apropriada a eles, porque a ativação de certas glândulas poderia antecipar o processo de puberdade neles.

Muitas crianças chegam a fazer as posturas até melhor do que os pais, diz Carina. Com muita flexibilidade, os pequenos têm apenas dificuldade inicial de estarem quietos e atentos à prática. Por isso mesmo, a metodologia de ioga a faixa etária dos 4 aos 14 anos é outra.

Carina explora muito os aspectos lúdicos do Ioga, conta histórias, passa os ensinamentos e ética desta filosofia milenar e, gradativamente, ajuda-os a executarem a respiração que acalma (enchendo a barriga e esvaziando-a), e também faz analogia dos asanas à postura dos animais, como cachorro, borboleta .

"No ioga para crianças, trabalhamos as posturas, exercícios respiratórios não muito fortes devido à sua estrutura física. Procuramos contribuir para que desenvolvam bastante sua consciência corporal e respiratória, o que ajuda muito a se acalmarem em diversas circunstâncias".

O Ioga é um grande desafio, segundo Carina, para as crianças do mundo atual com muitas atividades extras, além da escola. O excesso de ocupações costumam deixá-las cansadas e muitas vezes "pilhadas", elétricas. Ter um momento para relaxar, desenvolver sua espontaneidade e criatividade é muito bom.

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