Pesquisa

A percepção da população obesa sobre os tratamentos

00:25 · 16.07.2013
Estudo avalia a noção da população sobre causas, motivação e impactos da obesidade na vida dos brasileiros

Poucas pessoas conhecem seu próprio IMC (Índice de Massa Corpórea), medida que permite saber se a pessoa está acima ou abaixo dos parâmetros ideais de peso para sua estatura. Trata-se de um indicador essencial para a tomada de decisão quanto a iniciar um programa visando a reeducação alimentar e a perda de peso.

Gordura acumulada na cintura está associada a doenças crônicas
Foto: agência DN

Foi o que constatou a pesquisa realizada pela Allergan, em parceria com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed) e a Associação Nacional de Assistência ao Diabético (Anad). O objetivo do estudo foi avaliar o conhecimento, as motivações e a efetividade dos tratamentos contra o sobrepeso e a obesidade.

Perfil

O estudo revelou que 93,5% dos entrevistados relataram desconhecer seu IMC. Ao se submeterem ao cálculo pela orientação da pesquisa, 64% dos entrevistados foram configurados na faixa da obesidade. O estudo, coordenado pela Resulta CNP (do segmento de healtcare), entrevistou mil indivíduos acima do peso, entre homens e mulheres, com média de 39 anos, em cinco capitais brasileiras.

Metade das pessoas revelou histórico de sobrepeso ou obesidade na família: 39% apontaram a mãe como o parente mais próximo com o problema. Para 37% dos entrevistados, o estresse foi o maior influenciador do sobrepeso, seguido do trabalho (25%), e o fator hereditariedade, com 24% dos pesquisados.

Questionados sobre as razões pelas quais desejam emagrecer, 53% apontaram a busca pelo aumento da autoestima, seguido por motivos de saúde (50%). O fator autoestima é o que mais sofre impacto pela obesidade, de acordo com 35% dos entrevistados, seguido da saúde, com 32% do total de pessoas ouvidas. O relacionamento também foi outro item importante citado, correspondendo a 17%.

Para a psicóloga Marilice Rubbo de Carvalho, especializada em terapia cognitiva comportamental pela Universidade de São Paulo (USP) e em transtornos alimentares pela Unifesp, a pesquisa revelou em diversos itens a relação psicossocial dos indivíduos com a obesidade, em que fatores como estresse, trabalho e relacionamento se entrelaçam para o desencadeamento do problema e para a dificuldade na adesão a um tratamento mais efetivo e de longo prazo.

Precaução

Cerca de 73% dos indivíduos disseram acreditar em tratamentos preventivos para o sobrepeso e a obesidade: 64% mencionaram a dieta alimentar e 51% as atividades físicas como mais eficazes.

Ao serem questionados se tinham problemas de saúde, 48% confirmaram a ocorrência de alguma doença, sendo a hipertensão arterial presente em 60,1% das respostas. Outros fatores descritos foram a dislipidemia (33,4%) e diabetes (21,1%).

Entretanto, quando perguntados se consideravam a obesidade uma doença crônica ou consequência de outras doenças, 55% dos entrevistados citaram se tratar de consequência de outras doenças já instaladas.

Segundo o presidente da Abeso, Mario Carra, o estudo atesta que os profissionais acompanham diariamente em sua experiência clínica com a população de sobrepeso e obesa em que "o insucesso dos tratamentos se baseia na falta de conhecimento sobre os fatores inerentes ao desenvolvimento da obesidade e suas consequências".

Informações sobre saúde

Embora mais da metade dos pesquisados tenha relatado que o médico é a principal fonte procurada para informações de saúde e tratamentos para obesidade, seguido de amigos e familiares (35,6%), a internet foi um dos destaques (25%), sendo os sites de busca e as redes sociais os canais mais procurados.

A pesquisa também mostrou que a grande maioria dos entrevistados reconheceu já ter realizado algum tipo de tratamento para a obesidade. Dentre os tratamentos questionados, os exercícios físicos foram citados por um número expressivo de homens e mulheres: 70% dos entrevistados. Outros 56% disseram já ter realizado dietas restritivas, enquanto 26% já fizeram uso de medicamentos para conseguir perder peso.

Das práticas citadas, 22,3% se mostraram insatisfeitos com as atividades físicas e 42,7% não se sentiram realizados com os resultados obtidos com as dietas. O uso de medicamentos para emagrecer não agradou a maioria, pois 53,2% se mostraram insatisfeitos com os resultados.

Numa escala de 0 a 10, 84,4% dos entrevistados deram nota superior a 8 para a importância do tratamento para obesidade somar diversas frentes (reeducação alimentar, atividades físicas, consultas regulares a diferentes especialidades médicas).

FIQUE POR DENTRO

Uso de balão intragástrico como opção

Perguntados sobre o tratamento com o balão intragástrico, 42% dos entrevistados na pesquisa da Allergan disseram ter alguma informação a respeito, embora apenas l9,5% destes pensaram nesta opção como tratamento contra a obesidade.

Para os 80,5% que nunca pensaram em utilizar o dispositivo, o motivo apontado era de que o tratamento é indicado apenas para os casos de obesidade mórbida (quando o peso ultrapassa o valor 40 no IMC), e não para os indivíduos com sobrepeso e obesidade moderada.

Para aferir a capacidade financeira de adesão aos tratamentos, o estudo perguntou para a amostra o quanto já gastaram e o quanto estariam dispostos a gastar em um tratamento para obesidade. Em média, os entrevistados relataram que gastariam um pouco mais de três mil reais para um tratamento em longo prazo, sendo que a classe B citou poder investir até cinco mil reais para a mesma finalidade. Sobre as despesas com tratamentos, a média apontada foi de R$ 1.460,00, em que mulheres se destacaram nos investimentos.

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