ESCOLHA O SEU

A função afetiva do chocolate

21:32 · 16.04.2011
A relação do homem com o alimento é perpassado pelo emocional. Existem alguns alimentos que nos consolam, que remetem a vivências da infância e nos levam de volta ao passado. Esses alimentos são chamados de comfort foods, ou seja, aqueles que nos proporcionam sensação de bem-estar. É aquela canja preparada pela avó, aquele bolo feito pela tia, aquele chocolate quente que a mãe fazia. A escolha desses alimentos é subjetiva e individual, sendo relacionada com nossas experiências individuais.

Deste modo, os alimentos não servem apenas para repor energia ou aplacar uma fome física, os alimentos têm sua função afetiva. Alguns alimentos que escolhemos têm a capacidade de substituir faltas, servindo como consolo emocional. Em alguns momentos até mascaram conflitos psicológicos que temos dificuldade de compreender ou até mesmo expressar.

Desde os primeiros momentos de vida o alimento tem essa função. Quando bebês somos amamentados, momento em que há uma troca de afetos, de carícias, seja com a mãe ou o cuidador. Assim, nossas primeiras relações se estabelecem tendo o alimento como instrumento mediador.

O ritual de alimentação em nossa cultura é também utilizado como forma de celebrações, como forma de alívio para a ansiedade ou estresse e, até mesmo, para confortar em momentos de tristeza. Na infância os pais se utilizam do alimento como forma de compensações e aprendemos através de expressões como: "se você se comportar vai ganhar sobremesa" ; "caso não obedeça não irá comer chocolate!"

Dessa forma, aprendemos a substituir faltas, necessidades por alimento, até mesmo nos recompensando, por exemplo, depois de um dia exaustivo de trabalho, da briga com o namorado ou da vivência de um fenômeno estressor recompensamos com um chocolate, um pedaço de bolo, uma taça de vinho ou uma lasanha. A escolha do alimento vai depender do significado que damos aquele alimento.

Contudo, existem psicopatologias vinculadas ao consumo de alimentos - a bulimia e a compulsão alimentar periódica. Nestes casos, a relação com a comida deixa de ser saudável e acaba ocasionando sofrimento psíquico. Na compulsão alimentar, a mera recompensa por um dia difícil de trabalho, se torna um sintoma de uma doença na qual o indivíduo tem dificuldade de controlar a ingestão de alimentos.

O sujeito com o transtorno da compulsão alimentar realiza uma grande ingestão de alimentos em pouco tempo, associada existe um sentimento de perda de controle sobre a alimentação, redução da ansiedade após a ingestão, sensação de alívio e depois culpa, gerando novamente ansiedade e levando a outro episódio de comer compulsivo, formando um ciclo difícil de ser rompido. Neste momento precisamos de ajuda profissional.

Wallin (1994) afirma que nos episódios de compulsão há um padrão semelhante na escolha de alimentos, em geral aqueles considerados irresistíveis como chocolates, pães, bolos, massas, pizzas e doces em geral. A escolha desses alimentos pode ser explicada pela grande restrição destes. Em geral, são alimentos ricos em carboidratos que são excluídos das dietas.

Nesta época da Páscoa, assim como no Dia dos Namorados, há um apelo da mídia para o consumo de chocolate, sendo comum os comerciais associarem o consumo de chocolate à saúde, sucesso afetivo e bem-estar. É costumeiro encontrarmos propagandas que apresentam o início de relacionamentos afetivos ou pedidos de desculpa realizados por intermédio do chocolate.

O chocolate, assim como outros alimentos ricos em gordura e carboidratos, estão muito relacionados a comportamentos compulsivos. Quem nunca devorou uma caixa de bombons de chocolate em um dia ou um pacote de batatas fritas em poucos minutos? Esses alimentos agem no núcleo de atividade de "accumbens" e quanto mais dopamina é liberada nessa região, mais intenso será o prazer ao ingerir tais alimentos e maior a probabilidade de se buscar a sensação repetidas vezes.

O núcleo "accumbens" é também conhecido como centro de prazer. É um conjunto de neurônios envolvidos no mecanismo de dependência, sendo importante na regulação da emoção e da motivação. As substâncias que levam a dependência promovem liberação de grandes quantidades do neurotransmissor dopamina nessa região, gerando uma sensação de prazer.

O núcleo "accumbens" exerce comando sobre o hipotálamo que regula o comportamento alimentar. Assim, a paixão pelo chocolate está vinculada a esses mecanismos cerebrais, assim como nossa história de vida.Psicóloga, Neuropsicóloga, Mestre em Saúde Coletiva, Docente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade de Fortaleza (Unifor), psicoterapeuta com formação em Psicoterapia Humanista Fenomenológica.

RECEITA
Colomba pascal com alfarroba

4 ovos orgânicos
2 tabletes de fermento biológico
2 xic.(cha) de farinha de trigo
1 xicara (chá) de farinha de trigo integral
1/2 xic (chá) de açúcar demerara
200 mil de leite desnatado
1/2 xic.(chá) gotas de alfarroba
1/2 xic (chá) de castanha de caju sem sal
6 col (sopa) de manteiga light
1 pitada de sal marinho

Em um recipiente grande, colocar o fermento, o sal e 1 colher (sopa) de açúcar demerara, misturar até formar um líquido. Acrescentar o leite, os ovos, a manteiga light e o restante do açúcar e misturar. Adicionar as farinhas e deixar descansar por 30 min. Acrescentar as gotas de alfarroba e a castanha de caju. Distribuir a massa em uma forma e deixar crescer por 20 min. Pré-aquecer o forno a 180º C e assar por cerca de 40 min. Decorar com castanha de caju granulada.

Fonte: Mundo Verde

Para comer chocolate na Páscoa sem sentir culpa pode-se começar economizando 140 calorias em um dia (comer um pedaço com 30 g de chocolate). Para comer um ovo de Páscoa de 250 g, todo de uma vez, o ideal é economizar cerca de 1200 calorias;
Cozinhar os alimentos sem óleo e excluir as frituras. Uma colher (sopa) de óleo tem cerca de 90 kcal.;
Descartar o sorvete da sobremesa. Uma bola de sorvete comum tem cerca de 143 kcal.;
Desprezar uma fatia de torta de brigadeiro do lanche. Uma fatia tem cerca de 180 kcal.;
Substituir o açúcar que adoça o cafezinho. Três colheres de açúcar têm cerca de 140 kcal.;
Excluir os bombons na saída do restaurante. 10 deles têm 150 kcal.;
Trocar uma fatia de pizza de queijo por salada. Uma fatia tem aproximandamente 140 kcal.;
Substituir o pão francês por uma fruta. Uma unidade tem 140 kcal. Procure substituir o refrigerante comum por outro (Zero açúcar) ou água. Um comum tem cerca de 150 kcal.

Fonte:
Vigilantes do Peso


VERUSKA G. FERNANDES
ESPECIAL PARA O VIVA

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