REUMATOLOGIA

A escuta é vital ao diagnóstico

23:41 · 21.05.2011
O DESAFIO É ALCANÇAR A REMISSÃO DA ARTRITE REUMATOIDE OU MANTER SUA ATIVIDADE BAIXA

Sabe-se hoje que a anamnese, quando bem conduzida, é decisiva para o diagnóstico na clínica médica. Foi o que aconteceu com Ana Luíza (nome fictício), 52 anos, que após acordar - por semanas seguidas - com rigidez nas mãos, inchaço nas articulações e se automedicar com analgésicos, foi diagnosticada como portadora de artrite reumatoide (AR). O tratamento prescrito (medicação, fisioterapia, terapia ocupacional), aliado ao diagnóstico precoce foi decisivo para a remissão dos sintomas e redução do impacto na qualidade de vida da paciente.

Infelizmente este não é o encaminhamento de praxe realizado pelo sistema de saúde vigente (seja público ou privado). A falta de informação sobre qual especialista deve ser procurado (o reumatologista não costuma ser a primeira opção), a pouca capacitação do clínico geral (no sistema de atenção primária) para identificar as queixas (dores nas "juntas"), assim como a realização de uma anamnese que não contemple os critérios de avaliação para a AR, são apontados como alguns dos principais gargalos para o controle e tratamento do conjunto de doenças que acomete o sistema músculoesquelético (hoje são mais 120 doenças reumáticas descritas).

Histórico

"Escutar, conversar e fazer um bom histórico do paciente é fundamental nestes casos ", confirma o Dr. Airton Castro da Rocha, professor associado do Departamento de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), um dos participantes do minimeeting "Artrite Reumatoide - Impacto na qualidade de vida e avanços terapêuticos", realizado durante a XXI Jornada Norte Nordeste de Reumatologia, em Aracaju (SE). "Precisamos ter mais médicos capacitados no atendimento primário e secundário de saúde", justifica Dr. Geraldo Castelar, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

O número de médicos com formação em reumatologia (com foco na clínica; a formação do ortopedista é em cirurgia) não é suficiente para atender a demanda. Segundo a SBR, o Brasil conta atualmente com dois mil reumatologistas, sendo 1.150 sócios efetivos e 300 aspirantes (à titulação). Embora todos os estados da Federação contem com médicos na área, muitos hospitais não dispõem de atendimento reumatológico, sendo este mais um fator que compromete o diagnóstico precoce da artrite reumatoide. Se não monitorada e tratada o mais cedo possível, a AR pode causar destruição articular grave na maioria dos casos, provocando deformidades e incapacidade física.

"De acordo com os consensos internacionais, nos últimos três anos, entre os objetivos do tratamento está também alcançar a remissão da doença ou manter sua atividade baixa, melhorando significativamente os sintomas e a qualidade de vida do paciente, o que não era possível antigamente. Conseguimos atingir essa meta porque dispomos de instrumentos para mensurar a atividade da doença e identificar precocemente as formas mais graves", afirma Dr. Airton da Rocha.

Fique por dentro
Garce: inclusão social

Negar a doença costuma ser a primeira resposta do paciente reumático ao receber o diagnóstico. Tal reação quase sempre vem acompanhada de medo, indignação, preconceito e depressão. E foi para tentar resgatar a autoestima, levar informação, motivação e apoio psicológico para esses pacientes que nasceu o Grupo de Apoio aos Pacientes Reumáticos do Ceará (Garce), criado em 2003. Com mais de 5 mil associados, o Grupo dirigido por Marta Azevedo presta serviços gratuitos e permanentes, de forma planejada e sistemática.

Para fazer frente ao grande impacto na qualidade de vida dos portadores, o Garce atua em várias frentes. No atendimento direto ao associado, disponibiliza grupos de terapia corporal, yoga, reiki, oficina de artes, coral, acompanhamento psicológico e prevenção do estresse. "Nada melhor para um paciente reumático do que falar com outro paciente reumático", diz Marta. O Garce também é incisivo ao reivindicar melhorias no âmbito das políticas públicas por mais campanhas de conscientização, fortalecimento no atendimento na rede de atenção básica e pela universalização da lista de medicamentos e sua revisão periódica. Saiba mais no site: garce.ceara@yahoo.com.br; (85) 32412428.

GIOVANNA SAMPAIO
EDITORA
A jornalista viajou a convite da MSD

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