AMOR

A dinâmica energética dos relacionamentos

05:44 · 13.03.2011
Parceria e solidariedade são os novos valores que se sobressaem nas relações ao se abandonar a dominação e a competição. Mulheres e homens ampliam sua consciência para saírem da ilha de isolame
Parceria e solidariedade são os novos valores que se sobressaem nas relações ao se abandonar a dominação e a competição. Mulheres e homens ampliam sua consciência para saírem da ilha de isolame ( )
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O desenvolvimento da consciência passa por aprender a riqueza do convívio com o diferente

Os impasses e as questões mais difíceis das relações humanas tentam ser melhor equacionadas com recursos da ciência e do conhecimento. O aprendizado, entretanto, continua sendo a arte do convívio.

A dinâmica dos relacionamentos entre pares já foi descrita por alguns estudiosos, como o psicólogo John Gray, que destacou as diferenças entre os condicionamentos femininos e masculinos da realidade (homens são de Marte, mulheres são de Vênus).

Novos valores

O imediatismo e consumismo da cultura moderna, que privilegia a aparência em detrimento da essência, carrega consigo valores como o individualismo e a independência, os quais se chocam com o cultivo dos relacionamentos. Estes devem prezar pela parceria e solidariedade, diz a psicóloga Suyanne Vieira Wood.

Formada pela Escola da Dinâmica Energética do Psiquismo e facilitadora credenciada pela Innerlinks do Jogo da Transformação, Suyanne chegou a residir em Findhorn, comunidade na Escócia, onde pôde exercitar os desafios do convívio com pessoas de várias culturas diferentes.

No ano passado, retornou à Findhorn para o Jogo Planetário, uma dinâmica relacional para a ampliação da consciência coletiva, que teve como propósito de grupo (mais de 90 participantes de todo o mundo) a Parceria com o Sagrado, nas áreas pessoal (autoconhecimento), trabalho, ecologia e meio ambiente e relacionamentos. O Jogo Planetário trouxe muitos insights a todos os presentes da conduta mais apropriada e consciência elevada e ética do convívio.

Está claro neste momento deve-se abrir mão da competição e dominação que regulou toda era patriarcal e resultou em tantos conflitos entre os pares, ressalta Suyanne, que é guardiã do Círculo de Mulheres, de Fortaleza, cujo próximo encontro acontecerá no próximo dia 23.

A reconfiguração das relações entre gêneros é essencial neste momento. "Olhando para minha própria experiência e de outras mulheres que trilham esse caminho de autoconhecimento, reconheço que estamos diante de uma imensa transição de consciência, na qual nos reconhecemos entre valores e ideais do patriarcado, também imbuídas a viver alinhadas com os valores do novo estágio de crescimento, regido por uma consciência pautada no feminino consciente".

Os astrólogos Stephen Arroyo e Oscar Quiroga, que fazem um interseção energética entre a psicologia e a astrologia, abrem também algumas portas para o entendimento e transformação das dimensões emocional e espiritual dos relacionamentos.

Para Quiroga, por exemplo, o que impossibilita o bom entendimento entre pessoas ainda é o "miserável" egoísmo. Crê ser possível encontrar formas mais simples e menos danosas de se chegar à harmonia. Qualquer relacionamento, por pior que pareça, diz, " é o chamado de atenção da Vida que nos anima para que desempenhemos nossas funções e esqueçamos essa fantasia de sermos ilhas isoladas no vasto oceano universal. Estamos emaranhados numa teia de fantasias, mas todas se resumem à ideia ilusória de chegarmos à condição de não precisarmos mais de ninguém", aponta.

E reforça que somos mais humanos na medida de nossos relacionamentos e não pelo nosso valor individual. "Todos os relacionamentos são desafiadores porque, enquanto nos relacionamos, surgem aspectos que antes nos eram desconhecidos. Relacionar-se não é a arte de descansar, mas a de sermos desafiados sistematicamente a evoluir e amadurecer. É experiência e não se pode pretender que cheguemos prontos ao relacionamento, mas devemos aproveitar todos para amadurecer".

Princípios universais e padrões de energia

O conhecimento de si mesmo e as experiências interiores foram os elementos inovadores que o matemático, com licenciatura em Literatura, mestrado em Psicologia e um dos ícones da Astrologia, Stephen Arroyo, trouxe para a compreensão humana de uma ciência antiga, que dava acesso a uma percepção da psique por meio de estudos dos ciclos da natureza e penetração no universo simbólico.

Conferindo à Astrologia uma linguagem particular de energias e princípios universais, em um idioma mais acessível, seu interesse inicial e posterior aprofundamento surgiu com os estudos das obras do psiquiatra Carl Jung, do começo do século XX, que conseguiu entrecruzar esta área com a Psicologia.

Em sua obra mais recente "Astrologia dos Relacionamentos Íntimos" (Editora Pensamento), usa de sua experiência de 35 anos de trabalho em aconselhamento, com terapias centradas no corpo e nas energias (terapia da polaridade) para mostrar aspectos relevantes dos relacionamentos humanos, deixando de lado o fatalismo para esclarecer implicações das condutas distorcidas e equivocadas do ser frente aos outros e à vida.

Aqui descreve a interação entre as pessoas do ponto de vista energético, mostrando como o conhecimento de si próprio contribui para se obter tolerância para os impasses e confrontos constantes nas relações. A nova postura, mostra Arroyo, leva as pessoas a compreenderem que podem crescer com seus conflitos, estimulando umas às outras a abrirem mão de comportamentos comuns que costumam esgotar os pares em grandes confrontos de egos nas disputas por poder e por energia.

Por ser atemporal e enraizada nas configurações perenes do céu, a Astrologia, revela, fornece objetividade (sobretudo ao descrever precisamente os vários tipos de consciência) que muitos tipos de psicologia popular falham. Arroyo escreve que muito dano emocional e psicológico vem sendo causado por uma força de coação social que destaca grupos, distorcendo percepções na dinâmica das relações humanas e entre gêneros.

Entrevista

Conflitos podem ser expressões mais profundas de afinidades e saídas criativas

Até que ponto, a astrologia contribui para a compreensão dos relacionamentos humanos?

A astrologia trata das potências cosmogônicas, as quais se expressam por meio das pessoas, que intervêm nos processos relacionais no sentido de se unirem para uma manifestação de maior clareza. Esta é apenas uma das dimensões ou forma de compreensão de como os relacionamentos se processam.

Há dimensões mais restritas como mais abrangentes (por exemplo, a do princípio de infinito, que chamamos de espírito e estabelece vínculos de serviço ao mundo - não se parece nem um pouco com o que nossa imaginação desenha como um relacionamento). Entendo que são raros os relacionamentos em que todas as dimensões se entrosem e criam vínculos. A astrologia se refere aos relacionamentos enquanto circunscritos a uma dessas dimensões, a que integra os seres humanos ao universo em que tudo acontece e de que tudo é feito.

Se as pessoas se relacionam por afinidades, por que existem tantos conflitos nas relações?

Os conflitos podem ser expressões, no fundo, de afinidades muito mais profundas do que sua aparência. Como regra geral e em nome do amor, as diferenças são muito melhores para um relacionamento do que as afinidades. Digo sempre: se você quiser relacionar-se com alguém exatamente igual a você, compre um espelho!

Tecnicamente, não é um relacionamento, mas um ato narcisista, de ensimesmamento. Relacionamento não é algo que venha pronto até as pessoas; todos devemos aprender algo com o relacionamento, que é irmos além de nós mesmos como entidades individuais e separadas para constituir algo novo, que é o próprio relacionamento. A fantasia de relacionar-se e, ao mesmo tempo, manter a mesma vida anterior é destrutiva. Construtivo é relacionar-se e ir além do que antes era vivido com isso.

Quando os conflitos poderão ser deixados de lado para uma elevação nas relações?

Os conflitos são necessários ao processo criativo e todo relacionamento é um, em si mesmo- algo novo que antes não existia. Sem conflito, a criatividade se torna impossível. Vivemos com a fantasia de um mundo paradisíaco que não traga tarefas e esforço e imaginamos que devemos fazer com que o relacionamento seja isso. Já está provado que o relacionamento traz conflitos e, com criatividade, não apenas podem e devem ser superados, mas com a própria superação, as pessoas crescem, progridem e amadurecem. Os conflitos nunca devem ser deixados de lado, mas superados, resolvidos criativamente.

Como você observa a dinâmica relacional, em seu dia a dia?

Como vivemos numa época em que a estrutura moral que a sustenta se encontra em acelerado processo de desmoronamento, isso se vê refletido nos relacionamentos humanos. A dinâmica energética e cosmogônica é uma realidade, mas que precisa de atenção e disciplina, porque nenhum de nós foi ensinado a desempenhá-la. A tentativa de vivermos como se fosse errado depender uns dos outros é o verdadeiro fundamento de os relacionamentos ficarem aquém do possível.

Nós somos todos interdependentes e não independentes. O que nos torna livres é escolher essa interdependência e, uma vez nela, termos o trabalho de reavivar constantemente o que se pode chamar de dinâmica energética, que nunca acontece automaticamente, como nada o faz no mundo humano, tudo deve ser decidido livremente, dia após dia.

Oscar Quiroga
Psicólogo e astrólogo

ROSE MARY BEZERRA
REDATORA

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