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A difícil missão de ganhar peso

20:51 · 06.08.2011
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ANSIEDADE DOS ADULTOS EM RELAÇÃO AO PESO DAS CRIANÇAS PODE DESENCADEAR SÉRIOS DISTÚRBIOS

Para quem pensa que ganhar peso é muito mais fácil que emagrecer, algumas pessoas são exemplos de que nem sempre isso ocorre. Passam boa parte da vida lutando para ganhar peso e massa muscular, tomam suplementos nutricionais, porém, quando sobem na balança, o ponteiro não sai do lugar. Desde crianças, a cobrança dos pais e familiares é grande, tornando o processo cada vez mais difícil.

O universitário Hugo Renan do Nascimento, por exemplo, sempre foi um garoto de corpo esguio. Ainda criança, a mãe e a avó se preocupavam, pois chegou a pesar 27 kg aos 8 anos de idade. "Nunca fiz nenhum tratamento com médicos, mas tomei todo tipo de vitaminas, algumas para ganhar massa muscular, estimuladores de apetite, e nunca engordei nenhuma grama", diz.

É na infância, porém, quando a questão do ganho de peso se torna mais problemática, pois uma das maiores preocupações dos pais em relação aos filhos é sempre a alimentação. "Meu filho não quer comer"; "Ele está muito magrinho"; "Ele não se alimenta como o filho da vizinha". Essas são apenas algumas das várias frases que os nutricionistas escutam diariamente.

A ansiedade dos adultos é um dos maiores problemas quando as crianças não querem comer. Segundo a nutricionista e professora da Universidade de Fortaleza (Unifor), Maria Soraia Pinto, essa apreensão dos pais é comum, principalmente em relação a crianças entre 6 meses e 1 ano de idade, podendo durar cerca de 4 a 5 anos. Isso porque, "nesse período, a criança apresenta uma diminuição do apetite devido à desaceleração no crescimento. Além disso, o interesse pelo alimento é substituído pela enormidade de estímulos e descobertas que a criança faz no meio ambiente", explica.

O medo de que os filhos fiquem desnutridos e adoeçam desenvolve um comportamento geralmente errado e até prejudicial por parte dos pais. Os exageros na alimentação, as vitaminas e suplementos, por exemplo, podem ajudar a torná-las, no futuro, adultos obesos. Também é comum que os pais forcem as crianças a aceitarem o alimento, muitas vezes com ameaças, fazendo com que elas acabem por encarar o momento da refeição como algo negativo e, até mesmo punitivo. "Além disso, a criança pode ser levada a ingerir mais comida do que de fato necessita e, dessa forma, perder o controle sobre seu próprio apetite, comendo além do normal para a sua idade", adverte Soraia Pinto.

O famoso aviãozinho é mais uma medida a ser abolida pelos pais. Ele faz parte de uma série de "artimanhas" que tiram a atenção dos pequenos na hora da comida. Outro aspecto negativo é que, conforme a nutricionista do Instituto de Promoção da Nutrição e do Desenvolvimento Humano (Iprede), Vandereide Fernandes Luna, eles encontram nesse momento uma forma de chamar a atenção dos adultos e continuam a não comer.

Magrinho saudável

Em nossa cultura, a criança gordinha é sempre vista como mais saudável, enquanto o magrinho não é sinônimo de doença. Para saber se o filho está com alguma carência nutricional, é preciso um acompanhamento do pediatra e do nutricionista.

Somente através da relação peso x idade x altura, além da realização de exames que possam detectar problemas como anemia, avitaminoses ou fome oculta (deficiência nutricional apesar da imagem saudável) é que os pais saberão se devem se preocupar ou não.

Por outro lado, quando os filhos têm disposição para brincar e estudar e não apresentam nenhum problema de saúde ou deficiência no desenvolvimento, não há o que temer. O importante é que ele se alimente o suficiente e de forma saudável. Hugo Renan sempre foi uma criança saudável e estudiosa. Considera que se alimenta o suficiente para o que o que seu estômago aguenta e, após constatar que não têm nenhuma doença que impossibilite o ganho de peso, relaxou. "Não ligo mais pra isso. Estou satisfeito comigo", diz. Entretanto, de acordo com Vandereide Luna, se os filhos se recusam de fato a comer, é preciso que os pais revejam algumas atitudes.

A qualidade da alimentação é outra parte fundamental. A nutricionista Vandereide Fernandes explica que crianças de 0 a 6 meses devem ingerir apenas leite materno, pois ele é suficiente para suprir todas as suas necessidades. A partir daí, é que a mãe tem de incluir as sopinhas de legumes e os purês de frutas. Com 1 ano de idade, os pequenos já podem ter uma cardápio normal (salvo aqueles que possuem alguma alergia ou intolerância), devendo conter frutas, verduras, legumes, carboidratos, proteínas e pouca gordura. "Além de tudo, é importante que os pais tenham a consciência de que uma criança não é capaz de ingerir a mesma quantidade de alimento de uma adulto", completa.

Mas, se estar magro é um problema, fazer uma avaliação com o médico, procurar a ajuda de um nutricionista e começar a fazer uma série de exercícios para ganho de massa muscular é o ideal. Em relação à alimentação, a recomendação principal é sempre comer várias vezes por dia alimentos ao mesmo tempo nutritivos e de maior valor calórico. Tudo de forma gradual e, é claro, sem exageros.

Fique por dentro
Carências ocultas

Com uma dieta variada e na quantidade adequada, nenhum indivíduo saudável precisaria de suplementação alimentar. No entanto, o alto consumo de industrializados e a falta da ingestão de frutas e verduras pode desencadear "fome oculta". Apesar de aparentemente saudáveis (ou até acima do peso), as crianças apresentam uma carência de micronutrientes essenciais como vitamina A, iodo, ferro, zinco e ácido fólico, ocasionando falta de atenção e ânimo, susceptibilidade a infecções, lesões oculares, anemia, bócio, retardo mental.

Reforço nas refeições

Não pressioná-los, ameaçá-los ou brincar para que se distraiam;

Fazer com que as refeições ocorram à mesa e nunca de frente à TV;

Estabelecer horários para as refeições (de 3 em 3 horas);

Evitar as guloseimas, principalmente antes da refeições;

Se a criança se recusa a comer parte da comida, não forçar e esperar para que, na próxima refeição, ela possa se alimentar realmente com fome;

Deixar que a criança se alimente por si, sem se preocupar com as boas maneiras;

Usar pequenos truques como: acrescentar leite em pó ao leite líquido que a criança consome. Preparar milk-shakes com frutas e sorvetes;

Utilizar mel para adoçar sucos e vitaminas (mel caseiro apenas para crianças maiores de 1 ano);

Usar a criatividade e evitar os cardápio repetitivos;

Quando possível, fazer com que as crianças participem da preparação do alimento.

ANAMÉLIA SAMPAIO
REPÓRTER

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