Lavagem do Bonfim

Turismo, cultura e fé em Salvador

00:00 · 11.01.2018

Este ano, cerca de 800 mil pessoas são aguardadas na procissão entre o Largo da Igreja da Conceição e o Largo da Igreja do Bonfim, na Colina Sagrada, em Salvador. A tradicional Lavagem do Bonfim acontece nesta quinta-feira (11) em meio a um dia de festa, religiosa e profana, para quem está aproveitando o verão na capital da Bahia.

A procissão com percurso de 8 Km atrai turistas de várias partes do mundo e sintetiza o espírito baiano de homenagear os santos católicos e orixás do candomblé. No caminho, o sincretismo pode ser visto na confraternização de católicos com mães e filhas de santo que manifestam a fé no Senhor do Bonfim ou Oxalá.

Como reza a tradição, há 273 anos, sempre na segunda quinta-feira de janeiro, milhares de pessoas participam da procissão festiva. No final do trajeto, as baianas, que abrem o cortejo de fé e devoção popular, despejam seus vasos com água de cheiro nas escadarias da igreja e também sobre as cabeças dos fiéis, em um belíssimo espetáculo de cultura, fé e esperança.

O ritual remonta a chegada da imagem do Senhor do Bonfim de Portugal. Às celebrações religiosas, somam-se os festejos com muita música, bebidas e comidas típicas da cozinha baiana.

Para se ter ideia do quanto a data é importante para os baianos, a Lavagem do Bonfim é considerada a segunda maior manifestação popular do Estado. Perde apenas para o Carnaval. As comemorações começam por volta das 10 da manhã com um cortejo comandado por baianas com trajes típicos - turbantes, saias rodadas, colares e guias. Nesse dia, vestir branco é de lei, pois representa a cor de Oxalá, o deus Yorubá, sincretizado na imagem católica do Senhor do Bonfim.

Mas a festa não se restringe a um dia. Para se ter ideia, desde a última sexta-feira de dezembro, o andor de madeira que será usado para conduzir a imagem na procissão está exposto na igreja da Colina Sagrada para amarração das tradicionais fitinhas com os pedidos dos fiéis. Outra tradição é amarrar as fitinhas nas grades do santuário.

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