Inspiração histórica

Santiago do Cacém: sintonia com Fortaleza

Historiador redescobre e faz imersão na terra de Martim Soares Moreno, protagonista nas origens da Capital

Há vários elementos e detalhes espalhados pela cidade portuguesa que remetem à história de Fortaleza, fazendo da viagem um momento ímpar ( Fotos: Adauto Leitão Jr. )
00:00 · 19.07.2018 por Levi de Freitas* Repórter
Santiago do Cacém exibe belezas naturais e traços históricos que encantam visitantes e peregrinos da rota de fé

A história de Fortaleza possui elementos cujas origens estão no além-mar. Portugal, que nos colonizou enquanto país, possui detalhes e sutilezas que se confundem com nossa cultura e nossa identidade, podendo até explicar certas questões tipicamente cearenses.

Assim, uma visita a Santiago do Cacém, em Portugal, terra de Martim Soares Moreno, um dos fundadores do Marco Zero de Fortaleza, pode se tornar a maior redescoberta que um fortalezense faz sobre a sua própria identidade. A experiência foi vivida pelo historiador Adauto Leitão de Araújo Jr., que desfrutou da “linda e aconchegante” cidade do Alentejo.

“De fato, Martim deixou a costa azul alentejana e foi desbravar os verdes mares bravios do litoral fortalezense. Começava assim, nos idos de 1604, quando da instalação do marco zero, erigido o Fortim de Santiago, que se constituía não somente a construção histórica da cidade de Fortaleza, mas os laços eternos que nos unem”, comenta o historiador. 

A notável conexão entre as duas cidades inspirou, por exemplo, um dos maiores clubes de futebol do Estado a homenagear Santiago. “De maneira singular, o Fortaleza Esporte Clube, por motivo de seus 100 anos, em 2018, lançou a camisa comemorativa ‘Centenarium’, que insere a Cruz-Espada de Santiago como ícone que faz referências às origens da cidade”, explica.

Castelo e padroeira

As ruínas romanas de Miróbriga já mostram que a cidade tem valor histórico. Existe um exuberante castelo que representa a força da Ordem de Sant’Iago da Espada, da qual Martim Soares Moreno fez parte. “Na cidade, a figura de Santiago se caracteriza pela empunhadura da Cruz-Espada, que representa a vitória dos cristãos sobre o domínio mouro de Kassim, daí deriva o nome: Santiago do Cacém”, detalha Adauto Leitão.

“Na época que exercia a função de 1º Capitão-Mor do Ceará (1619), Moreno solicitou uma imagem mariana, que chega em 1622, de Nossa Senhora da Assunção; que veio a tornar-se a padroeira de Fortaleza. Antecedente, no século XVI, D. Jorge de Lancastre (mestre da referida ordem) entronou a ‘Senhora d’Assunção’ no lugar que hoje é a cidade vizinha de Grândola (Vila Morena)”, completa o especialista.

Afora toda a riqueza histórica, Santiago do Cacém ainda exibe belezas naturais, como o verde do vale alentejano e, até onde a vista alcançar, o Oceano Atlântico. 

Outro ponto de destaque são os apelos gastronômicos daquela região. Durante o mês de maio, ocorre a maior festa de agropecuária regional, a “Santiagro”. Neste evento, a “Confraria Gastronómica do Porco Alentejano” apresenta aos visitantes o leitão como excelência da cozinha. 

Os vinhos alentejanos são estrelas de renome internacional pela qualidade de origem, do sabor e do aroma que encantam. No mercado local, de junho a julho, são servidos pratos típicos locais.

Julho é o período alto das festas, culminando no dia 25, data da celebração de Santiago. Nesta sinergia, há motivação para fazer o Caminho de Santiago, desde Cacém até Compostela.

“O Guerreiro Branco, assim qualificado na obra Iracema, de José de Alencar, nos trouxe a bravura de seus antepassados, mas também a doçura deste povo santiaguense. O fortalezense pode reencontrar-se, seja pela História ou fé, ou pelo romantismo da ‘Terra Única’”, aponta.

Peregrinação

O “caminho central” da peregrinação até Compostela perpassa por Almadôvar, Castro Verde, Ourique, Odemira, Santiago do Cacém, Sines, Grândola, Alcácer do Sal, Azambuja, Cartaxo, Santarém e Golegã, feito a pé ou de bicicleta, depois se conecta com Lisboa e daí por diante, o peregrino escolhe a melhor rota de entrada na Galiza.

Colaborou Adauto Leitão de Araújo Jr.

 

 

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