ROTA VERDE DO CAFÉ

Patrimônio da natureza

Se você gosta de café e de curtir o clima serrano, então pegue a estrada e vivencie experiências únicas no Maciço de Baturité

00:00 · 07.12.2017 por Germana Cabral - Editora de reportagem
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Com clima ameno, o Maciço de Baturité tem área de 32.690 hectares ( Foto: Gentil Barreira/Setur )
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No Sítio São Luís (Pacoti), a imponente arquitetura da casa centenária abriga histórias de quatro gerações ( Fotos: THIAGO GADELHA )

Em meio ao exuberante verde da Serra de Baturité, há vários tesouros que nos remetem a experiências únicas, repletas de aromas, sabores e memórias. Reflexos de um tempo áureo do ciclo de café numa das regiões mais belas do Ceará. Casarões centenários, cafezais e demonstrações do processo de produção integram as atrações da Rota Verde do Café, lançada há dois anos pelo Sebrae-CE e pela Associação Serrana de Turismo do Maciço de Baturité.

Cada local tem sua peculiaridade. O roteiro pode começar em Baturité, com o Museu Ferroviário e o Mosteiro dos Jesuítas. Mas é ao subir a serra que o visitante encontra os mais curiosos integrantes da rota, as fazendas de café. Dois ou três dias são suficientes para desfrutá-las. É importante ter um tempinho para conversar com as famílias proprietárias, conhecer os cafezais e, se der sorte, acompanhar a colheita, geralmente entre os meses de julho e agosto. Ah! E também tomar, é claro, aquele cafezinho, acompanhado de bolos deliciosos.

É aconselhável entrar em contato para agendar previamente as visitas com esses locais cujos contatos e informações estão disponíveis no Portal Destino Serra. Então, é só mergulhar nestas fazendas, que cultivam, de forma sustentável, o café arábica de sombra. Use roupas leves e sapatos confortáveis. Contudo, sempre é bom um casaquinho à mão, pois a temperatura pode cair de uma hora para outra. Todas têm lojinha com produtos regionais.

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Em Mulungu, o Sítio São Roque abre as portas do casarão de 1918 para os visitantes, onde preserva móveis e decoração

Tradição

 

 

No centenário Sítio São Roque, em Mulungu, era Mônica, da quarta geração da família Farias, quem dava as boas-vindas no sábado passado. Apresentou o processo de produção e levou o grupo à capela e ao casarão, com móveis e decoração antigos. É visível o orgulho dela em fazer parte dessa história, hoje comandada pelo pai, seu Geraldo Farias, de 92 anos. Há ainda opções de fazer trilhas ecológicas entre os cafezais, como a que estava acontecendo com crianças, guiadas pelo Grupo de Interesse Ambiental (GIA). Vale a pena optar pelo ingresso incluindo visita e menu degustação, que inclui café produzido no local e coado no pano, acompanhado de bolo e doce de banana. O São Roque realiza, anualmente, a Festa da colheita, entre os meses de julho e agosto, e acaba de lançar o Café Atelier 1913, em homenagem ao centenário do sítio, com dois blends batizados com os nomes dos fundadores, dona Amélia e seu Alfredo.

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Histórias sobre a produção de café e a família Caracas são apresentadas a quem visita a Fazenda Floresta, em Guaramiranga 

Boa prosa

 

O casal Eunice e João Caracas é quem recepciona os turistas na Fazenda Floresta. Da mesma forma, mostra todo o processo de cultivo e produção do café, numa prosa que pode se prolongar por horas. Dona Eunice é bem mais falante. Seu João, mais perfeccionista. É ele mesmo que senta na máquina para costurar as embalagens de juta. Ainda fabricam aguardente de banana e, dependendo da safra, operam o engenho de cana-de-açúcar.

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Na casa do Caboclo (Pacoti), seu Maurício mostra como se faz o mais rústico café 

No Sítio Águas Finas, quem faz as honras da casa é Francisco Uchôa, cuja família cultiva o Café Guará - atualmente Café Uchoa, desde 1939. A casa do velho da mata, as trilhas, degustação de frutas locais são alguns dos atrativos desse lugar repleto de histórias.

Tal como é o Sítio São Luís, com sua imponente casa, cuja construção é estimada em 160 anos. É marca registrada dos tempos áureos do ciclo do café na região serrana. A sala de jantar e a cozinha se destacam nesta visita guiada por um dos membros da família, como a entusiasta Laura Goes, da quarta geração. Não vá embora sem experimentar o café, pão, a ricota caseira e o tradicional bolo de café, receita de família.

Por fim, não deixe a serra sem conhecer a Casa do Caboclo (Nosso Sítio). Além de uma casa de taipa, decorada aos moldes do povo serrano, o agricultor Maurício demonstra o mais rústico processo da produção de café dentre os locais visitados. Ele torra, pisa, peneira e coa no pano. Dá pra imaginar o aroma? E, aí, vai um cafezinho?

Gastronomia inovadora com gostinho de café

Filé de peixe ao molho de café, do restaurante Café com flores Licor caseiro de café produzido na Fazenda Floresta Picanha suína ao molho de café suave, do restaurante Studio 70 Bolo de café servido aos visitantes do Sítio São Luís A cerveja com notas de café está em fase de elaboração pela Fabeer

O cheiro de café plantado, colhido, moído e coado é irrestível! Mas, na Serra do Baturité, além de os produtores investirem na qualidade dos grãos, há quem se dedique a criar pratos e produtos tendo o café como ingrediente.

Desde que a Rota Verde foi lançada, em 2015, as proprietárias do Café com Flores, Carla Barreto e Elisângela Dias, oferecem menu especial com receitas como "Filé de peixe ao molho de café" e "Filé acompanhado com farofa de café". Também em Guaramiranga, a chef Fernanda Alan, do Studio 70, criou a "Picanha suína ao molho de café suave".

Há, ainda, o licor de café, produzido pelo casal João e Eunice Caracas (Fazenda Floresta) e o Bolo de café, receita de família do Sítio São Luiz. Já a cervejaria artesanal Fabeer, de Baturité, anuncia para o fim deste mês o lançamento de uma cerveja com notas de café. A intenção não é ter o gosto, mas o aroma do grão.

Mais informações

Para saber endereços, horários de visitação e contatos sobre a Rota Verde do Café, acesse o portal Destino Serra - http://destinoserra.com.br/rota-do-cafe-verde/

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