Nova atração

São Luís inaugura o primeiro museu do Reggae fora da Jamaica

O espaço será aberto ao público nesta quinta-feira (28) e abrigará acervo material e imaterial que retrata a trajetória do ritmo musical em todo o Estado

09:00 · 28.12.2017

É no Nordeste que fica a Jamaica brasileira, "título" dado à capital maranhense. Tamanha afinidade com ritmo musical levou São Luís a estruturar o primeiro Museu do Reggae fora do país caribenho. O equipamento cultural será inaugurado nesta quinta-feira (28) e já pode ser incluído no roteiro de quem visitar o Maranhão nesta temporada de férias. 

Estrategicamente localizado na Praça do Reggae, tradicional espaço na capital, o museu, com área de 397 m², abrigará o acervo material e imaterial sobre o ritmo tão apreciado pelos maranhenses. Uma parte do que será exposto foi doada e a outra adquirida de colecionadores. Há discos de vinil, gravações em vídeo, fotografias, roupas, acessórios e peças raras consideradas preciosidades da “massa regueira”. Entre as relíquias, está a guitarra usada há mais de 30 anos no primeiro show da Tribo de Jah, grupo pioneiro do reggae no Maranhão.

Entre as peças em destaque está a radiola de reggae, do serralheiro que virou DJ, Edmilson Tomé da Costa, já falecido. Ele ajudou a popularizar o gênero musical nos anos de 1970 com o sistema de som e uma discoteca de cinco mil discos adquiridos em viagens à Jamaica. Depoimentos gravados com personagens da cena reggae, livros, artigos, teses e dissertações compõem o acervo imaterial e digitalizado do museu.

Cultura regueira

A abertura do museu comprova a importância do gênero musical no Estado. Para se ter uma ideia, nos últimos 50 anos surgiram desde bandas e radiolas até a popularização da música entre DJs e cantores nas cidades maranhenses. O ritmo jamaicano também influenciou a moda com roupas e acessórios característicos, além do visual em dreadlocks e cortes africanos.

Por tudo isso, São Luís é considerada o maior polo de cultura reggae fora da Jamaica. Mas há uma particularidade bem brasileira: no Maranhão, as pessoas dançam agarradas. Os bares, as barracas de praia, as bandas locais e os moradores em geral, principalmente da capital, assimilaram e diversificaram o gênero, inclusive na versão eletrônica.

Parcerias com a Jamaica

Os laços culturais que unem o Maranhão e a Jamaica pelo reggae resultaram em parcerias da Secretaria de Cultura e Turismo do Maranhão com museus jamaicanos.  Os acordos com casas de cultura, públicas e privadas, de Kingston, como o Museu Bob Marley, o Museu Peter Tosh e o Museu da Música da Jamaica permitirão futuros empréstimos de material para exposições temporárias em São Luís. A primeira delas, ainda sem data definida, deverá reunir parte do acervo do Museu Bob Marley no novo espaço cultural.

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