No Rio Grande do Sul

Rota preserva memória das missões jesuíticas

Roteiro que recebe 250 mil turistas ao ano, conduz os visitantes pela história da companhia que catequizou os índios guarani no Sul do País

12:00 · 05.08.2017

Com um cenário cinematográfico, as Ruínas de São Miguel das Missões (RS) surpreendem pela suntuosidade que garantiu o título de conjunto arqueológico mais importante do Brasil e também de patrimônio cultural da humanidade, concedido pela Unesco. O conjunto, remanescente dos Sete Povos das Missões Jesuíticas na América, conta um pouco da história da Companhia de Jesus, que tinha os objetivos de doutrinar e catequizar a população indígena da região.

Integram o roteiro turístico local a Aldeia Guarani, o Museu das Missões, a Cruz Missioneira, a Fazenda da Laje, a Fonte Missioneira, o Ponto de Memória Missioneira e o Pórtico com escrita em guarani – CO YVY OGUERECO YARA, que significa "esta terra tem dono". O visitante pode aproveitar para conhecer outros atrativos da região como a Catedral Angelopolitana, de Santo Ângelo, e os Sítios Arqueológicos de São João Batista, São Lourenço e São Nicolau.

Durante o passeio é possível conhecer atrações dos vizinhos -  Argentina e Paraguai - que, junto com o município gaúcho, integram o Circuito Internacional das Missões Jesuíticas. Uruguai e Bolívia também reúnem atrativos relacionados à colonização dos missionários da Companhia de Jesus e integram a Rota das Missões Jesuíticas. O roteiro já recebe 250 mil visitantes por ano.  Na parte brasileira, a expectativa é triplicar o número de visitantes da região em dois anos, passando dos atuais 100 mil anuais para 300 mil.

Está previsto, para este ano, outro produto turístico dentro do Caminho das Missões, inspirado no Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha.  O roteiro integrado entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai é baseado no percurso feito pelos padres jesuítas na América do Sul. Todo o trajeto será feito a pé e poderá ser percorrido em aproximadamente um mês pelos turistas.

História 

Uma curiosidade é que as missões eram compostas basicamente de igreja, colégio, oficinas, cemitério, cotiguaçu (casa grande das viúvas que, entre outras atribuições, cuidavam dos órfãos), e hospedaria. Em volta da missão, as casas dos nativos formavam a redução indígena.

Com as missões, os índios guarani tornaram-se artífices (metalúrgicos, tipógrafos, escultores, pintores, músicos e ceramistas). Com a expulsão dos jesuítas (1768), a região, que foi colônia espanhola, a partir de 1801 passou para o domínio de Portugal. A população local, que era de 4.492 indígenas no início da missão (1694), foi reduzida a 600 nativos na independência do Brasil (1822). A Guerra Cisplatina (1828) destruiu o que restava da civilização missioneira.

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