Polêmica

Grupos em cidades europeias protestam contra o turismo em massa

Enquanto a maioria dos países aposta no turismo como atividade sustentável e economicamente relevante, ativistas anticapitalismo seguem organizando protestos contra turistas em cidades da Europa, especialmente na Espanha

Barcelona já adotou medidas para desestimular o turismo. Moradores também protestam contra os visitantes
12:29 · 09.08.2017 / atualizado às 08:07 · 10.08.2017
Pichações registradas na Catalunha ofendem turistas

Pichações com agressões como "todos os turistas são bastardos" e "Hipsters e turismo, nova forma de terrorismo" foram registradas em Olviedo (nas Astúrias) e na região espanhola da Catalunha, a mais popular do país que costuma receber até 18 milhões de visitantes por ano. Um grupo conhecido como Arran, que já atacou turistas britânicos visitando o estádio Camp Nou, assume a autoria do protesto e avisa que "haverá mais ataques".

Laura Flores, considerada uma das líderes do grupo, disse em entrevista ao The Times, que “o turismo está fazendo com que as cidades se tornem muito caras para se viver, já que as pessoas alugam seus apartamentos para visitantes e os moradores são forçados a sair da cidade”.

Reação imediata

O ministro do Turismo espanhol, Alvaro Nadal, reagiu à ação e disse que a Espanha não tolerará ataques contra turistas. “Uma minoria não pode arruinar décadas de prestígio da nossa indústria turística”, enfatizou. A preocupação agora é que outros grupos antituristas resolvam aderir a essa onda. Até porque já foram registradas atividades em Maiorca e em cidades italianas como Veneza, Florença e Roma.

Após os protestos contra o turismo em massa, Mariano Rajoy, chefe de governo da Espanha. fez um apelo para que a população trate ainda melhor os visitantes. "Cuidado e minos", foi o que  ele pediu para os espanhois oferecerem a quem chega de outros países. 

Destinos com turistas demais

Mas nem todos estão dispostos a atender ao apelo de Rajoy. Barcelona é um dos destinos que está limitando o acesso de mais pessoas em determinados lugares. Para se ter ideia, a prefeita Ada Colau cancelou licenças para a construção de novos hotéis e apartamentos de férias, e declarou guerra aos sites de aluguel de curto prazo, como AirBnb, que sofreu uma multa de 30 mil euros (cerca de R$ 110 mil).

Adepta do turismo "controlado", Colau propôs a introdução de um novo imposto turístico e a limitação do número de visitantes. Vale lembrar que a cidade de 1,6 milhão de habitantes recebeu mais de 30 milhões de turistas em 2016.

Cidades como Veneza (Itália), Amsterdã (Holanda), Santorini (Grécia), Dubrovnik (Croácia) e até o Butão, pequeno país asiático, também decidiram impor limites ao ingresso de turistas sob alegação de que a atividade estava gerando caos urbano, deterioração dos recursos naturais e especulação imobiliária desenfreada.

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