Vestígios do Brasil Colônia

Na Rota do Café Verde

Fica no Maciço do Baturité uma das primeiras regiões produtoras de café do Ceará. Confira as atrações

A casa do Sítio São Luís é herança visível dos tempos áureos do café na Serra ( Foto: Thiago Gadelha )
00:00 · 26.04.2018 por Marlyana Lima - Editora
O cenário rural é a marca da Rota que oferece visitas guiadas por trilhas, sítios e casarões, onde ainda hoje se cultiva o Café Sombreado
Com belíssimo conjunto arquitetônico, o Mosteiro dos Jesuítas combina história, religiosidade e preservação ambiental
No pátio da Estação Ferroviária de Baturité, os visitantes podem conferir os vestígios do Brasil Colônia expressos nos trilhos centenários da cidade ( Foto: Cid Barbosa )
Entre as experimentações gastronômicas, o bolo de café, devidamente acompanhado, é uma das que faz mais sucesso

No próximo dia 24 de maio comemora-se o Dia Nacional do Café, data que remete ao início das grandes plantações cafeeiras no País, responsáveis por um importante período para o desenvolvimento da economia e sociedade brasileira.

O que nem todos sabem é que parte desse sucesso tem suas origens enraizadas no Ceará, mais precisamente no Maciço do Baturité, região serrana a pouco mais de 100 Km da Capital. É nesse trecho do Estado que cultura, história e gastronomia reforçam o potencial turístico de cidades cercadas por matas exuberantes e belezas naturais incomparáveis.

> História preservada em sítios, trilhas e casarões

Remexendo o baú da história é possível ver que a cafeicultura no Maciço do Baturité tem um enredo bem interessante e diferentes versões. Uma delas sustenta que as primeiras sementes da planta vieram direto da França para o Sítio Bagaço, na cidade de Mulungu.

Fato é que, a despeito das datas, ainda hoje o produto é atração nos quatro municípios que compõem a Rota do Café Verde: Guaramiranga, Baturité Mulungu e Pacoti.

Roteiro integrado

Implantada em novembro de 2015 pela Associação Serrana de Turismo do Maciço de Baturité em conjunto com o Sebrae-Ceará, a rota turística tem levado muita gente a (re)descobrir as trilhas, plantações, sítios e casarões onde a história continua sendo escrita ao sabor da bebida que se tornou um símbolo nacional.

"O trabalho de identificação e análise do potencial turístico começou em 2011. Em 2013, percebemos que os moradores da região tinham uma relação muito boa de patrimônio ligada ao café", comenta Fabiana Gizele Moreira da Costa, articuladora regional do Maciço do Baturité.

Inserido em uma Área de Proteção Ambiental (APA) e abrangendo 32.690 hectares, o Maciço de Baturité é um verdadeiro cinturão verde que serve como morada nobre para o Café Sombreado, 100% arábica. O cenário interiorano interliga os caminhos da Rota, onde os grãos são colhidos de forma artesanal dentro de um sistema sustentável.

As tradições do café coado, da torra e do cultivo, assim como o desenvolvimento de produtos gastronômicos à base de Café (de bolos à cerveja), fazem parte das atrações que se somam ao clima ameno e acolhedor. São vários (bons) motivos para pegar a estrada e explorar a Rota.

"A região é muito rica e nossa intenção é que mais municípios possam oferecer atrações para quem a visita. Nesse sentido, trabalhamos em quatro bases: governança, tecnologia, experimentação e sustentabilidade", enfatiza Fabiana Costa.

A articuladora lembra que os casarões centenários, cafezais e demonstrações do processo de produção integram as atrações da Rota e cada local tem sua peculiaridade.

Antes de subir

O roteiro pode começar em Baturité, onde fica o Museu Ferroviário. Inaugurada em 1882, no reinado de D. Pedro II, a Estação Ferroviária de Baturité representa a importância econômica da região por onde a produção agrícola, principalmente café, tinha seu destino garantido à Capital.

O visitante tem a oportunidade de admirar a arquitetura do prédio, conhecer imagens e relíquias das primeiras décadas do século XIX. No pátio, vestígios de uma época áurea expressa nos trilhos centenários, na Maria-Fumaça e nas histórias de vida que em suas idas e vindas construíram às cidades do Maciço.

Um pouco adiante, no Mosteiro dos Jesuítas, encontra-se o complexo arquitetônico, datado de 1927, que abriga o antigo Seminário Menor do Coração de Jesus e a Fazenda Caridade. Visitar suas dependências circundadas pelo jardim interno se torna uma experiência única.

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