Argentina

Era uma vez... Campanópolis

Vai viajar a Buenos Aires? A dica é incluir no roteiro uma visita à aldeia fruto do sonho de um visionário

Entre as ruas de Campanópolis há praças bem decoradas com bancos, estátuas e antigos relógios
00:00 · 02.08.2018 por Rozanne Quezado - Especial para o Tur
Algumas construções da aldeia projetada por Antonio Campana parecem saídas de filmes fantásticos, como os de Tim Burton. Torres curvadas dão um toque bizarro às casinhas com ar medieval ( Fotos: Roberto Lefkovics )
No Museu do Ferro, que integra a vila, os turistas encontram desde as antigas máquinas de escrever até faróis de ferrovias do século XIX

Um lugar surreal. Uma aldeia que mescla diversos estilos arquitetônicos usando como matéria-prima resíduos de construção. Um vilarejo que remete às pequenas cidades medievais da Europa, sem moradores. Um sonho transformado em realidade. Assim é Campanópolis. A utopia de menino que o adulto Antonio Campana concretizou ao descobrir que tinha câncer e a expectativa de vida era de cinco anos.

> Vila construída com sonhos e histórias 

O vilarejo, que fica a 30 quilômetros de Buenos Aires, contrasta com a pobreza do distrito de González Catán, onde está localizado, no município de La Matanza. Ao transpor os portões da aldeia, nos deparamos com um lugar mágico, com castelos, torres e casinhas que parecem saídas de um conto de fadas. "A sensação é de estar em algum povoado da Bélgica, Hungria ou República Tcheca", diz a turista Soledad Ferrera. Para o comerciante Juan Martinez, que trouxe a família para conhecer Campanópolis, "o lugar nos remete aos filmes fantásticos, como os de Tim Burton", ressalta.

Essa é a sensação dos turistas que percorrem 20 hectares entre as edificações, imensas árvores, rio e lagos que compõem o lugar. Campanópolis foi erguida em um terreno de 220 hectares, adquirido pelo empresário argentino Antonio Campana, em 1976. Com problemas de saúde e ante a impossibilidade de transformar o local em um campo de atividade agrícola, já que durante o governo militar o terreno foi desapropriado e usado como aterro sanitário, ele decidiu investir em um sonho: construir edificações que povoavam as suas fantasias de menino, como castelos, moinhos, pontes, torres...

Do lixo ao luxo

Com a redemocratização do país, Campana recuperou o terreno e tirou do papel os castelos e torres que desenhava em seu caderno nos tempos de garoto. Limpou a área e, sem entender de engenharia ou arquitetura, contratou operários da construção e pôs em marcha a criação de uma aldeia.

Adquiriu em leilões ou vendas particulares um vasto material proveniente da demolição de antigas mansões de Buenos Aires que estavam sendo substituídas por modernos edifícios. A maioria das casas era construída com materiais importados da Europa, como portas, pisos, colunas e luminárias. Campana comprou ainda objetos de vias férreas desativadas, inclusive uma locomotiva e um vagão.

Com este robusto estoque, iniciou a construção de cada empreendimento sonhado. Não havia um projeto arquitetônico: ele desenhava a casa, marcava o lugar onde seria construída e os operários entravam em ação. Ao mesmo tempo, investiu no plantio de mais de dez mil árvores e no tratamento do rio e dos lagos.

Portas viraram tetos e sinalizadores de via férrea foram usados como colunas. Além das edificações que, por si mesmas já são grandes atrativos, os antigos objetos de decoração do local, adquiridos no país e no exterior, merecem atenção, como o primeiro carro de bombeiro puxado a cavalo de Buenos Aires.

No local há espaço para grandes coleções, como o Museu da Madeira, com três andares repletos de toda sorte de antiguidades feitas de madeira, como rádio, imensas portas de igreja, colunas trabalhadas artesanalmente e prensa de uvas. Já no Museu do Ferro, se encontra desde as antigas máquinas de escrever até faróis de ferrovias do século XIX.

Saiba mais

Fantasmas

É quase impossível se estar em um lugar com ares medievais, feito de peças antigas, sem pensar em fantasmas. Em Campanópolis, vigias noturnos contam sobre ruídos que lembram passos apressados, portas e janelas que se abrem e vultos que cruzam as ruas. E mais, dizem que os cães que ali vivem se recusam a andar por determinados lugares da aldeia. Suspense digno de Alfred Hitchcock.

Conto de Fadas

Saindo da área urbana, o turista é convidado a entrar na magia das histórias que povoaram os sonhos de infância do criador da vila, incluindo as 12 casinhas do bosque.

Mais informações:

Campanópolis fica a 30 km da capital Buenos Aires. Abre aos sábados, das 9 às 13 horas. O ingresso custa 300 pesos (cerca de R$ 43,00) e só pode ser adquirido pelo site: campanopolis.com.ar

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