Ecoturismo

Aprovada a reabertura do Pico da Neblina

No ponto mais alto do Brasil, os indígenas Yanomami querem retomar o ecoturismo a partir de 2019

Parque Nacional do Pico da Neblina fica no norte do estado do Amazonas, próximo à fronteira com a Venezuela
00:00 · 24.05.2018
O modo de vida típico dos povos da Amazônia poderá ser conferido pelos visitantes interessados em participar do projeto de ecoturismo Yanomami. Os passeios e trilhas contarão com guias da etnia indígena ( Foto: Ana Claudia Jatahy / MTur )
A região do Yaripo, como é chamado o Pico da Neblina, é ideal para observação de animais como o macaco Mamiraua ( Foto: Ana Claudia Jatahy / MTur )

Uma boa notícia para os viajantes que buscam aventuras ligadas ao turismo sustentável: a proposta para retomar atividades no Pico da Neblina, o ponto mais alto do País, localizado a 2.995 metros de altura, no Estado do Amazonas, foi aprovada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio).

A medida faz parte do Plano de Visitação Yaripo - Ecoturismo Yanomami, que busca implantar o ecoturismo sustentável e harmônico na região a partir do próximo ano, e aguarda agora a aprovação da Fundação Nacional do Índio (Funai) para que a etnia indígena possa acompanhar os turistas durante os passeios e trilhas na área da montanha.

A região do Yaripo, como o Pico é conhecido pelos indígenas, não recebe visitantes desde 2002, quando a atividade turística foi vetada por decisão judicial, uma vez que a terra é duplamente protegida, pertencendo a 13 povos indígenas e também fazendo parte do Parque Nacional do Pico da Neblina.

Local sagrado

Gestora do Parque Nacional, Luciana Uehara explica que o incentivo ao turismo na região significa "uma possibilidade de construção de agenda positiva e de superação dos conflitos históricos".

Considerada uma região sagrada para os índios, o Yaripo é alvo de extração ilegal de ouro, o que faz com que o turismo seja um dos elementos de auxílio à fiscalização e inibição de práticas nocivas. A expectativa é de que a atividade também beneficie economicamente 800 pessoas da etnia Yanomami que trabalharão diretamente com o turismo.

Visitação

Além dos indígenas, o plano ecoturístico foi desenvolvido em parceria com o próprio ICMBio, Funai, Exército Brasileiro, Secretaria de Turismo do município de São Gabriel da Cachoeira e o Instituto Socioambiental (ISA).

A visitação deverá ser aberta ao público somente em 2019 mas, quem tiver interesse em conhecer o local junto com os Yanomami, já pode se inscrever na lista de espera mantida pela Associação Yanomami do Rio Cauaburis (Ayrca), responsável pelo turismo no local.

Mais informações:

www.socioambiental.org

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