COMÉRCIO ELETRÔNICO

Site quer regionalizar as compras coletivas

01:59 · 10.01.2011
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Na onda dos clubes de compras que pipocam na web, o site "Acumaé" quer trazer ofertas para Fortaleza e vizinhança

A nova febre do comércio eletrônico mundial já está no Brasil há alguns meses. São os sites de compras coletivas, que a partir de parcerias com fornecedores de produtos e serviços, trazem ao público consumidor da internet ofertas com descontos que comumente não são encontrados nas lojas.

O novo modelo de negócios chegou ao país em março do ano passado, quando o site Peixe Urbano passou a operar, inicialmente com ofertas restritas ao eixo Rio-São Paulo. Hoje, tanto o pioneiro quanto outros sites semelhantes surgiram em nível nacional, expandindo a novidade para outras capitais brasileiras - inclusive Fortaleza. De seu surgimento no ano passado até hoje, esse novo segmento do comércio eletrônico já movimentou R$ 500 milhões.

Agora, a febre se propagou a ponto de a capital cearense contar com iniciativas nascidas no próprio Estado. É o caso do "Acumaé" (http://www.acumae.com.br), site de compras coletivas que, já a partir de seu nome, foca em traços do linguajar e da cultura cearense para atrair os cliques dos internautas da terra.

Procurando incorporar o foco regional não somente na interface do site - que utiliza termos bem corriqueiros no linguajar dos cearenses - o Acumaé tem como objetivo levar as ofertas de descontos não só para Fortaleza - coisa que muitos concorrentes nacionais já fazem -, mas estender esse modelo de negócios para cidades vizinhas, como Maracanaú, Caucaia e Maranguape. "Queremos desmitificar a ideia de que só há serviço bom na Aldeota", argumenta o idealizador do Acumaé, o analista de sistemas Fábio Alan Urbano Valente.

Fábio cita como exemplo a primeira promoção divulgada no site, que envolveu a parceria com uma pizzaria que organiza shows de humor na Maraponga. A oferta atraiu 161 compradores, uma quantidade acima da expectativa do criador do site.

"Houve uma receptividade acima do esperado", diz Valente, que já contabiliza 1.460 usuários cadastrados no site, poucas semanas depois de sua estreia na web, que se deu no último dia 20.

Para garantir a qualidade dos produtos e a satisfação do cliente, o site conta com uma equipe que avalia toda oferta, antes de ir ao ar. "Todos os estabelecimentos são avaliados e visitados pessoalmente. Todas as ofertas são cuidadosamente analisadas, utilizando critérios como preço, utilidade, etc. Isso evita a banalização de ofertas, garantindo a qualidade", garante Fábio Valente.

Para a manutenção do negócio, o site cobra das empresas parceiras uma comissão de 30% sobre cada venda fechada através de seu serviço. Quem também sai ganhando é o internauta, que consegue adquirir produtos e serviços com descontos de até 90%.

Mercado

500 milhões de reais é quanto os sites de compras coletivas movimentaram no comércio eletrônico brasileiro em 2010, ano em que teve início a onda de ofertas e descontos nessa modalidade

ATENDIMENTO AO INTERNAUTA

Serviço exige lojistas bem preparados

Realizar promoções nos sites de compras coletivas não é uma tarefa simples, ao alcance de qualquer empreendedor. Para o especialista em internet Flávio Antônio da Costa, diretor da Buy2Joy, empresa especializada em soluções de comércio eletrônico, o grande volume de consumidores que as ofertas atraem exige um planejamento estratégico de atendimento para o qual nem todos os empreendedores estão preparados.

Segundo Flávio, o interesse do empreendedor em aumentar seu faturamento por meio dessa ferramenta não leva em consideração algumas preocupações básicas. O atendimento ao consumidor é um dos itens mais prejudicados e pode levar ao fracasso do clube de compras.

Não é por menos que um levantamento realizado pelo site IDG Now! - com base nos registros do fórum online de reclamações Reclame Aqui - apontou 5,8 mil reclamações feitas contra cinco dos maiores sites de compras coletivas da internet brasileira.

"Nos dias de hoje, prestar um atendimento excelente ao consumidor não é mais um diferencial; é regra para qualquer empreendedor", analisa.

De acordo com Flávio, uma das estratégias das empresas que decidem anunciar em um clube de compras é utilizá-lo como ferramenta de fidelização do cliente. Mas boa parte dos consumidores que aderiram à onda das compras coletivas não utilizaria determinados serviços sem os descontos atraentes.

Grande futuro

Flávio da Costa acredita que os sites de compras coletivas têm um grande futuro, mas desde que seus controladores corrijam as falhas. Para isso, o especialista aponta algumas mudanças necessárias nesse modelo de negócio.

Segundo ele, os sites deveriam divulgar claramente quantos vouchers de descontos oferecem pela web. Assim, o consumidor se sentiria mais estimulado a comprar, porque acompanha o número de vouchers ainda restante, diz. Encontrar nichos de atuação também é uma ótima saída para os sites, de acordo com o especialista.

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