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Processo contra Apple pede quase US$ 1 trilhão em danos por problemas na bateria de iPhones

Na petição inicial, os usuários insistem que tiveram que comprar um iPhone mais novo porque o desempenho de seus modelos mais antigos ficou mais lento como resultado da "conduta intencional" da Maçã

A ação gira em torno do sistema de gerenciamento de energia introduzido no iOS 10.2.1 para iPhones SE, 6/6Plus e 6s/6s Plus, que foi implementado para evitar desligamentos inesperados devido a picos de alta potência ( Foto: reprodução / iFixit )
09:10 · 30.12.2017 / atualizado às 16:42

Pelo menos 8 pessoas já entraram com ações contra a Apple após a empresa ter assumido que reduziu propositalmente o desempenho de iPhones antigos. O mais recente caso, é um processo pedindo US$ 999 bilhões em danos contra a Maçã feita por um grupo de consumidores insatisfeitos com o que a empresa de Steve Jobs fez. 

Na ação, os usuários insistem que tiveram que comprar um iPhone mais novo porque o desempenho de seus modelos mais antigos ficou mais lento como resultado da "conduta intencional" da Apple. O argumento continua dizendo que os usuários não puderam fazer uso integral do poder de processamento dos seus aparelhos, como foram privados da real utilidade, além de ter o valor de seus iPhones antigos reduzidos. 

Como a Maçã de fato admitiu ter desacelerado a CPU dos aparelhos quando a bateria estava desgastada, a petição inicial argumenta que a Apple nunca perguntou aos clientes se eles preferiam ter seus iPhones mais lentos do que o normal. 

Toda a questão gira em torno de um sistema de gerenciamento de energia introduzido inicialmente no iOS 10.2.1 para iPhones SE, 6/6Plus e 6s/6s Plus, que foi implementado para evitar desligamentos inesperados devido a picos de alta potência. Recentemente, os modelos 7 e 7 Plus também receberam o sistema de "estrangulamento" no iOS 11.2.

Em seu site oficial, a Apple explica que a bateria do iPhone é projetada para reter até 80% de sua capacidade original nos primeiros 500 ciclos de carga completos. Com a polêmica, a Maçã pediu desculpas em um comunicado oficial e decidiu que vai tentar remediar os problemas duas mudanças ao longo de 2018.  

Promessas

Primeiramente, a empresa de Steve Jobs vai reduzir o valor da troca das baterias de aparelhos fora de garantia. Nos EUA, os consumidores que antes precisavam pagar US$ 79 por uma bateria nova, poderão fazer a mudança por apenas US$ 29, menos da metade do valor cobrado anteriormente. O período "promocional" se estende por todo o ano de 2018, de janeiro à dezembro e vale para o iPhone 6 e aparelhos lançados posteriormente.

Para que não haja mais dúvidas sobre a capacidade e saúde das baterias dos aparelhos, a Apple vai liberar uma atualização do iOS para informar melhor o usuário se a performance do aparelho está sendo reduzida por causa de uma bateria problemática.

Por fim, a Maçã afirma que seu time de desenvolvedores está trabalhando em novas maneiras para melhorar a maneira como o iOS administra essas baterias sem afetar o desempenho, ao memso tempo que evita desligamentos inesperados, como estava acontecendo antes dela reduzir a performance dos aparelhos.

Crime

Diferente dos EUA, na França é ilegal "reduzir deliberadamente a vida útil de um produto para aumentar a taxa de substituição", desde agosto de 2015. Com isso, o grupo ambientalista Halte à l'Obsolescence Programmée (que se traduz literalmente como "parem a obsolescência programada") entrou com uma ação criminal contra Apple, o pode ter um efeito muito mais sério para a empresa.  

Caso seja culpada, a Maçã pode ser condenada a pagar uma multa de 300 mil euros e 5% do volume de negócios anual da empresa. Os executivos da Apple no país ainda podem pegar dois anos de prisão. No comunicado, o grupo afirma que deu entrada no processo na última quarta-feira (27) no Ministério Público de Paris e que tem dois objetivo: proteger os consumidores de ter que comprar telefones com mais frequência e a reduzir o desperdício ambiental evitando essas atualizações. 

Concorrência

Vendo que Apple está passando por um momento conturbado, outras empresas aproveitaram para garantir aos consumidores que não usam da mesma tática da Maçã de redução de performance para aparelhos antigos. Um porta-voz da HTC disse ao The Verge que projetar telefones para reduzir o processamento à medida que a bateria envelhece "não é algo que fazemos". Já um porta-voz da Motorola disse que a empresa "não modifica o desempenho da CPU com base em baterias mais antigas". A LG disse ao Phone Arena que "Nunca fizemos nem nunca faremos! Nós nos preocupamos com o que nossos clientes pensam".  

Por fim, a Samsung soltou a maior nota, afirmando que "a qualidade do produto foi e sempre será a principal prioridade da Samsung Mobile. Garantimos a vida útil prolongada da bateria dos dispositivos móveis da Samsung através de medidas de segurança multicamadas, que incluem algoritmos de software que regem a corrente de carga da bateria e a duração do carregamento. Não reduzimos o desempenho da CPU através de atualizações de software ao longo dos ciclos de vida do telefone".

Apesar de afirmar não reduzir o desempenho dos processadores por causa de baterias antigas, a Samsung também já teve sua leva de problemas com baterias com os casos envolvendo explosões de unidades do Galaxy Note 7 e mais recentemente do Galaxy Note 8 e S8+ com problemas para recarregar.

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