Briga grande

Android criou mais escolhas, não menos, garante CEO do Google

Sundar Pichai rebate decisão da União Europeia que impõe multa recorde de 4,3 bilhões de euros ao Google por Android

12:38 · 18.07.2018 / atualizado às 12:39
Sundar Pichai
Sundar Pichai rebateu argumentos da União Europeia que impôs multa recorde de 4,3 bilhões de euros ao Google por Android ( Foto: ROBERT GALBRAITH / Reuters )

Após decisão, nesta quarta-feira, 18, da União Europeia (UE), através da comissão de Concorrência, que aplica multa recorde de 4,3 bilhões de euros ao Google por posição dominante de seu sistema operacional, o Android, em smartphones e tablets, o CEO do Google Sundar Pichai, escreveu texto no blog da empresa para rebater a situação e afirmar que a empresa irá recorrer, pois não concorda com a decisão.

"A decisão ignora o fato de que os telefones Android competem com os telefones iOS - algo que 89% dos entrevistados da pesquisa de mercado da própria Comissão Europeia confirmaram. A decisão também não considera a ampla gama de opções que o Android oferece para milhares de fabricantes de celulares e operadoras móveis, que criam e vendem dispositivos Android para os milhões de desenvolvedores de aplicativos ao redor do mundo que construíram seus negócios com o Android, e bilhões de consumidores que agora podem comprar e usar smartphones de última geração. A decisão de hoje rejeita o modelo de negócios que sustenta o Android, uma plataforma que criou mais opções para todos, não menos. Pretendemos recorrer", afirmou.

Segundo a publicação do CEO, hoje, graças ao sistema operacional do Google, existem mais de 24 mil dispositivos, de todos os preços e de mais de 1.300 marcas diferentes de fabricantes europeus (como Alemanha, Finlândia, França e Portugal etc.). "Os celulares feitos por essas empresas são todos diferentes, mas com uma coisa em comum: a capacidade de rodar os mesmos aplicativos. Isso é possível graças às regras simples que garantem compatibilidade técnica, independentemente do tamanho ou do formato do dispositivo. Nenhum fabricante de celulares é obrigado a seguir essas regras, eles podem usar ou modificar o Android da maneira que quiserem, da mesma forma que a Amazon fez com “Fire”, seus tablets e sticks de TV", garante Pichai.

Ainda de acordo com o texto do CEO, por causa do Android, um celular comum pode vir com até 40 aplicativos pré-instalados de vários desenvolvedores, não apenas da empresa da qual você comprou o telefone. "Se você preferir outros aplicativos, navegadores ou mecanismos de pesquisa diferentes dos que vieram pré-instalados, você pode desativá-los ou excluí-los facilmente, e escolher outros - incluindo apps feitos por alguns dos 1,6 milhão de europeus que ganham a vida como desenvolvedores de aplicativos".

Seguindo com relação aos aplicativos instalados, Pichai confirma que o Google investiu bilhões de dólares na última década para fazer do Android o que é hoje. "Esse investimento faz sentido porque podemos oferecer aos fabricantes de telefones a opção de pré-instalar um conjunto de aplicativos populares do Google (como Busca, Chrome, Google Play, Maps e Gmail). Alguns desses aplicativos geram receita para o Google, mas também garantem que o telefone "simplesmente funcione" assim que sai da caixa". Segundo ele, os fabricantes de telefones não precisam incluir os serviços e eles também são livres para pré-instalar aplicativos concorrentes ao lado dos nossos. "Isso significa que só geramos receita se nossos aplicativos estiverem instalados e as pessoas optarem por usar eles em vez dos aplicativos concorrentes".

Por fim, Pichai garante que a distribuição gratuita da plataforma Android e do conjunto de aplicativos do Google não é apenas eficiente para os fabricantes e as operadoras de telefonia, mas também para os desenvolvedores e os consumidores. "Se nossos aplicativos fossem excluídos da ampla gama de dispositivos que os fabricantes de celulares constroem e as operadoras de rede móvel vendem, isso afetaria o equilíbrio do ecossistema Android. Até agora, o modelo de negócios do Android possibilitou que não tivéssemos de cobrar os fabricantes de telefones por nossa tecnologia ou depender de um modelo de distribuição rigidamente controlado. Inovação rápida, ampla escolha e preços em queda são marcas clássicas de uma concorrência robusta".

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.