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Agências de Inteligência dos EUA não recomendam produtos e serviços da chinesas Huawei e ZTE

Os chefes das agências de inteligência, como FBI, CIA e NSA, fizeram a recomendação durante uma audiência do Comitê de Inteligência do Senado, nesta terça-feira (13)

16:31 · 14.02.2018
Huawei Mate 10 Pro
A Huawei ainda está tentando vender o Mate 10 Pro desbloqueado no país, mas o esforço parece ter empurrado a empresa para medidas desesperadas, inclusive fazendo com que os usuários escrevam falsas críticas para o aparelho ( Foto: divulgação )

Líderes de seis grandes agências de inteligência dos EUA advertiram que os cidadãos americanos não devem usar produtos e serviços feitos pelos gigantes chineses Huawei e ZTE. Segundo um relatório da CNBC, os chefes de inteligência fizeram a recomendação durante uma audiência do Comitê de Inteligência do Senado, nesta terça-feira (13). O grupo incluiu os chefes do Federal Bureau of Investigation (FBI), a Central Intelligence Agency (CIA), a Agência de Segurança Nacional (NSA), além do diretor de inteligência nacional do país.

Durante seu depoimento, o diretor do FBI, Chris Wray, afirmou que o governo estava "profundamente preocupado com os riscos de permitir que qualquer empresa ou entidade que esteja ligada à governos estrangeiros que não compartilhem nossos valores, ganhem posições de poder dentro de nossas redes de telecomunicações". Ele acrescentou que isso proporcionaria "a capacidade de modificar ou roubar informações maliciosamente e de realizar espionagem não detectada". 

Os avisos não são novidade. A comunidade de inteligência dos EUA há muito tem se preocupado com Huawei, que foi fundada por um ex-engenheiro do Exército de Libertação do Povo da China e foi descrita pelos políticos dos EUA como "efetivamente um braço do governo chinês". O fato levou à proibição da Huawei para concorrer às licitações no governo dos EUA em 2014, e agora está causando problemas para a empresa no mercado de eletrônicos para o usuário final.  

Embora a Huawei tenha iniciado como uma empresa de telecomunicações, criando hardware para infra-estrutura de comunicações, os smartphones da empresa se mostraram bem-sucedidos nos últimos anos. Em setembro passado, a chinesa ultrapassou a Apple como a segunda maior fabricante de smartphones do mundo, ficando atrás apenas da Samsung

Apesar disso, a empresa nunca conseguiu entrar de fato no lucrativo mercado norte americano, um fracasso que é em parte devido à hostilidade do governo dos EUA. No mês passado, a empresa planejava lançar o Mate 10 Pro nos EUA através da AT&T, mas a operadora cancelou o acordo no último minuto, alegadamente devido à pressão política. A decisão levou o CEO da Huawei, Richard Yu, a sair do roteiro durante um discurso na Consumer Electronics Show (CES), descrevendo o movimento como uma "grande perda" para a empresa, mas uma perda maior ainda para os consumidores. 

Em vão 

Mesmo com as dificuldades impostas pelas agências de inteligência dos EUA, a Huawei ainda está tentando vender o Mate 10 Pro desbloqueado no país, mas o esforço parece ter empurrado a empresa para medidas desesperadas, inclusive fazendo com que os usuários escrevam falsas críticas para o aparelho. 

Os legisladores dos EUA estão atualmente considerando um projeto de lei que proibiria funcionários do governo de usarem telefones Huawei e ZTE. Durante a audiência de terça-feira, o senador republicano Richard Burr, presidente do Comitê de Inteligência do Senado, disse que o foco da preocupação dele atualmente é a China. "Especificamente empresas de telecomunicações chinesas como Huawei e ZTE, que são amplamente conhecidas por terem vínculos com o governo chinês".

Em resposta a esses comentários, um porta-voz da Huawei disse à CNBC que a Huawei está ciente de uma série de atividades governamentais dos EUA aparentemente destinadas a inibir o negócio da empresa no mercado norte americano. "A Huawei ganhou a confiança de governos e clientes em 170 países em todo o mundo e não apresenta maior risco de segurança cibernética do que qualquer outra empresa fornecedor de tecnologia".

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