Testamos

Lev Neo é concorrente de 'peso' para Kindle

Leitor digital da Saraiva é muito bom e perde por pouco para o tradicional produto da Amazon. E falando em peso, ele é mais leve que o rival

00:00 · 17.07.2017 / atualizado às 07:07 por Daniel Praciano - Editor
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Lev Neo é um leitor digital com peso abaixo do concorrente, o Kindle Paperwhite, e promete uma oferta crescente de e-books para o usúario ( Fotos: Natinho Rodrigues )

Testamos o Lev Neo, novo leitor digital da Saraiva, e podemos dizer que ele tem qualidades para ser páreo para o Kindle Paperwhite da Amazon. Se é melhor? Acredito que o leitor digital da Amazon ainda está um passo à frente, mas o Lev chega bem perto de destronar o rei.

O Lev Neo tem 8 GB de memória RAM, tela Ink carta HD com tecnologia sensível ao toque e iluminação LED com 20 níveis de intensidade. Tem um acabamento bem feito que garante conforto na pegada e me pareceu um pouco menor que a versão do Paperwhite que possuo (que é de segunda geração). O modelo que testamos já vinha com 10 livros embarcados e quatro títulos novos para leitura. Antes de falarmos da experiência de leitura no leitor digital, vamos mostrar um pouco a questão do e-reader em si.

Muito espaço

Começando pelo armazenamento interno de 8 GB. É muita, muita coisa mesmo. Para ter ideia, o meu Kindle Paperwhite tem armazenamento de 4GB e está muito longe de ter chegado perto ao menos de 20% da capacidade e há muitos livros nele. Ou seja, a questão de lotar o leitor digital é algo para não se preocupar mesmo.

Assim como o Amazon Kindle Paperwhite, o Saraiva Lev Neo tem Wi-Fi embutido com acesso à loja virtual para compra de novos e-books de forma facilitada. Basta cadastrar seu login e senha uma vez. Cuidado para não sair comprando loucamente porque é bem tentador, diga-se de passagem. O Kindle Paperwhite tem também uma versão com Wi-Fi mais 3G, mas é totalmente desnecessário. Afinal, você só vai precisar da internet para baixar livros e não há desespero que não espere uma rede Wi-Fi livre, não é mesmo?

Como o Paperwhite, o Neo tem um botão liga desliga na parte inferior do leitor digital. Ele tem também, na parte debaixo, um espaço para a entrada de cabo USB para recarregamento e troca de informações com computadores. Ao contrário do leitor da Amazon, o da Saraiva possui entrada para cartão microSD. Uma vantagem a mais para o Neo. Com relação ainda ao botão liga e desliga, assim como no Kindle, ele tem função soneca para poupar a bateria.

Por falar em bateria, assim como o Kindle, ele vai te dar autonomia de muitos dias de leitura ou até mesmo semanas. Pode até durar meses se você não for um leitor voraz. Ao contrário do Kindle, o modelo de leitor digital Lev Neo traz um botão central para que você retorne para a home do aparelho ou vá para a sua biblioteca pessoal, para a loja, para o controle de luminosidade ou para o menu. No Kindle, você toca na parte superior do leitor e abre esta bandeja de opções.

Enquanto você lê, pode tocar em botões que estão nas laterais do Lev Neo para avançar ou retroceder. Lógico, você também pode fazer isso com toque de dedo, mas se não quiser sujar muito a tela do aparelho, estes botões podem ser uma boa solução. É algo mais útil se você tiver toque com tela manchada, afora isso, não tem lá muita utilidade.

A questão da luz foi o ponto de vitória número 1 do leitor da Amazon, apesar do e-reader da Saraiva anunciar ter 20 LEDs contra 4 do meu Kindle Paperwhite. Talvez, a distribuição da luminosidade do produto da Amazon seja melhor. É estranho mesmo, porém o padrão de luz do Lev Neo é muito boa, mas, o Paperwhite de segunda geração ficou um pouco na frente. Pode ser só o costume de quem já o usa há mais de 2 anos ou pode ser a realidade mesmo. Não dá para ter certeza pela sutileza de diferença de iluminação. Isso, com os dois no máximo.

O outro ponto de vantagem da Amazon é o acervo. Ele é maior que o da Saraiva. Porém, aqui fica a crítica. Assim como no caso da norte-americana, a livraria brasileira tem preços de e-books que não são tão atrativos em comparação com livros físicos em grande parte do acervo. Segundo a Saraiva, esta pequena diferença se dá porque o digital fica apenas 20% a 30% do valor do impresso e o conteúdo, por conta da editora. É uma decisão da editora e o custo da obra é único. Todo o processo que foi passado é único; direito autorais e pessoas envolvidas no processo são os mesmos para as duas mídias e isso, definitivamente, não ajuda a reduzir os preços.

Experiência de leitura

Com relação à leitura em si dos e-books no Lev Neo, gostei bastante e a comparo com o que temos no Kindle. Você pode fazer a configuração do livro digital de acordo com seu gosto. Há como mudar o tamanho da fonte, espaçamento de linhas, margens e alinhamento do texto. O tipo da fonte também pode ser alterado. E há opções avançadas que você pode acessar, como são a hifenização e o texto em negrito, além da própria fonte. Tudo isso a concorrência também oferece, claro. Mas é interessante notar que, assim como no Kindle, usar estes recursos no Lev Neo é bem intuitiva.

Outras opções no texto são anotações, busca, dicionário, adicionar destaque que já temos no Kindle da Amazon.

A experiência de leitura do Lev Neo agrada bastante na questão do peso na mão. Ele tem apenas 140 gramas contra 206 do meu Kindle. Se o meu e-reader já é leve, imagina aí o concorrente da Saraiva. O nome dele fez justiça ao produto realmente. Um ponto positivo. Além de que, a qualidade do acabamento soft touch premium tem que ser realçada. Mas é bom correr atrás de uma case para evitar danos em quedas ou mesmo na hora de deixá-lo em cima da mesa.

Preço

O Lev Neo tem dois preços e configurações. Por R$ 299, o cliente compra a versão sem retroiluminação. Já por R$ 479, adquire a versão com retroiluminação, que foi a testada e, acredito, ser a melhor opção para quem quer ler sob qualquer condição de luz. A questão do preço foi uma bola fora grande, aliás. É o mesmo preço do Paperwhite. A estratégia melhor teria sido ofertá-lo por R$ 80 ou até mesmo R$ 100 a menos que o produto da Amazon para entrar forte na disputa. Seria um atrativo a mais para ganhar mercado. Vencer a tradição do produto da empresa norte-americana com o mesmo preço não será tarefa fácil.

Se você me perguntar se o produto vale o investimento, diria que sim, mas que a variedade de livros das lojas brasileira e norte-americana da Amazon pode e deverá ser um ponto a se analisar no fim das contas, além do pós-venda da gigante dos EUA. Não sabemos ainda como é o da Saraiva.

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