Samsung pay

Basta encostar o smartphone para pagar

Pagamentos por aproximação se popularizam fora das carteiras, mas a aceitação ainda é pouca

00:00 · 16.10.2017
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Uma cópia digital do cartão é inserida no celular com o aplicativo Samsung Pay ( Foto: Reinaldo Jorge )

O mercado de pagamentos móveis é uma realidade nos Estados Unidos desde o fim de 2014, quando a Apple lançou o Apple Pay, sistema onde o usuário utiliza o smartphone para fazer autorizações de cobrança em sua conta corrente ou cartão de crédito. Com a popularização da ferramenta, outras empresas viram uma oportunidade de negócio lucrativo. Em agosto de 2015 a Samsung lançou, na Coreia do Sul, o Samsung Pay, que tem o mesmo princípio do recurso da Apple, mas foi somente em julho do ano passado que a novidade chegou no Brasil.

Para funcionar, o sistema da gigante coreana usa duas tecnologias diferentes, a Magnetic Secure Transmission (MST) ou a Near Field Communication (NFC). Apenas celulares lançados nos últimos dois anos suportam o aplicativo com a novidade. Os modelos A5, A7, Note 5 e a família S6 foram os primeiros a poderem realizar compras sem o cartão de crédito. Tivemos a oportunidade de testar em Fortaleza, no período de 10 a 30 de setembro, o Samsung A7 modelo 2017 com o aplicativo Samsung Pay.

Cadastro

O cadastro no sistema é relativamente fácil. O aplicativo Samsung Pay pode ser acessado pela base inferior da tela, puxando de baixo para cima. Ao clicar em adicionar um novo cartão, o sistema abre a câmera para que os dados sejam coletados automaticamente. Caso o aplicativo não consiga identificar as informações do cartão, uma opção para digitar manualmente aparece. Após o cadastro finalizado, o banco (no nosso caso Santander) envia uma mensagem de texto com um código para confirmar a ativação do sistema.

Com a ferramenta ativada, uma cópia digital do cartão é inserida no sistema do celular, mas com numeração final diferente, exatamente para que as compras não sejam feitas com o número do cartão físico. Além disso, o Samsung Pay usa um sistema de tokenização, gerando um código diferente para cada compra, o que garante uma segurança a mais para o consumidor.

Processo

Fazer os pagamentos deveria ser fácil, mas não é exatamente assim que acontece. Além de ter um celular com a tecnologia NFC e um cartão de um banco parceiro cadastrado no smartphone, a máquina de cartões que vai receber o pagamento também deve ter a tecnologia. Não bastasse tudo isso, além de ter a tecnologia, a função para receber pagamentos deve estar ativa tanto na máquina quanto no contrato do lojista com a operadora da máquina de cartões. Por fim, é necessário que os vendedores saibam usar a tecnologia, algo que dificultou bastante nos testes realizados.

Geralmente para fazer um pagamento, o lojista insere o cartão no terminal de pagamento, digita o valor da compra e a máquina pede a senha do usuário para confirmar o débito. Com os pagamentos por aproximação, o funcionamento é um pouco diferente. Nas maquinetas, o lojista deve selecionar a opção de crédito ou débito, digitar o valor e então receberá a mensagem: "aproxime, insira ou passe o cartão". É nesse momento que o smartphone deve entrar em ação.

Mesmo com a tela bloqueada, o usuário tem a opção de "puxar" o cartão da base da tela para fazer compras. Com o aplicativo do Samsung Pay em tela, a autenticação da compra pode ser feita com a digital usada no desbloqueio do celular ou com o PIN cadastrado no aplicativo. Após isso, basta aproximar o telefone da maneira como o tutorial no visor mostra e o pagamento é autorizado. O smartphone não precisa estar conectado à internet para realizar compras.

Comprando

As máquinas da operadora de cartões Cielo foram as mais fáceis de usar. A primeira compra que teve sucesso foi um churro em um restaurante da Capital no valor de R$ 6. Apesar de um erro no primeiro experimento, o pagamento foi bem fácil. Como o lojista aceitou ajuda para que o teste desse certo, na segunda tentativa o pagamento foi realizado com sucesso. Como nem todas as máquinas de lojas em Fortaleza têm a tecnologia, o segundo teste aconteceu apenas alguns dias depois, com a compra de um cupcake no valor de R$ 5 que, esse sim, teve sucesso na primeira investida.

O diretor de Produtos da Cielo, Rodrigo Penteado, explica que a empresa foi a primeira a fazer testes com o NFC no Brasil ainda em 2008 e que hoje cerca de 90% do parque de máquinas da empresa é equipado com a tecnologia. "Qualquer equipamento sinalizado está automaticamente habilitado para aceitar pagamentos nessa modalidade". Ele pontua que, apesar de ser uma tecnologia nova, não há cobrança adicional para o lojista aceitar pagamentos por aproximação.

Com as máquinas da Rede a situação foi diferente. Durante as três semanas de testes, nenhuma máquina da empresa conseguiu aceitar os pagamentos por aproximação. Algumas até dispunham da tecnologia, conforme o ícone no canto superior das maquinetas, mas não estavam com a função ativada.

Em nota, a Rede afirma que "100% do nosso parque está apto para realizar transações pela modalidade MST e boa parte também realiza transações por NFC. Em breve, 100% das máquinas operarão com ambas as modalidades". A empresa explica que o lojista que ainda não tem uma máquina compatível com as tecnologias pode solicitar a troca sem custo e garante que até o fim de 2018 todo o parque de máquinas será compatível.

Assim como na Cielo, na Rede o lojista não paga mais para receber pagamentos por aproximação. Sobre as dificuldades durante o uso das máquinas, a empresa garante que está realizando estudos para definir a melhor forma de disseminar a modalidade e capacitar clientes e lojistas em seu uso.

Vestíveis

Além dos celulares, é possível usar o Samsung Pay com um dos relógios inteligentes da marca. O funcionamento do sistema é bem similar ao do smartphone. Com um Gear S3 (Classic ou Frontier) no braço, o usuário faz o mesmo procedimento, com a diferença que não é necessária uma autenticação, basta encostar o relógio na máquina para a compra ser autorizada.

Vendo que os pagamentos por aproximação fazem parte do futuro, o Banco do Brasil lançou, em 1º de junho, uma pulseira que autoriza compras nas funções débito e crédito, similar ao uso do Gear S3. Com um custo de R$ 70, o equipamento funciona como um espelho do cartão principal e não há anuidade.

O banco já investe na tecnologia com o uso do app Ourocard, que tem o uso bem similar ao do Samsung Pay. O lojista informa a opção de pagamento e o valor da compra, o cliente seleciona no smartphone o cartão que deseja utilizar e a forma de pagamento, aproxima o celular da máquina e digita a senha do cartão para autorizar a compra.

Saiba mais

Modelos compatíveis com o aplicativo Samsung pay

Galaxy S8
Galaxy S8+
Galaxy S7
Galaxy S7 edge
Galaxy S6
Galaxy S6 edge
Galaxy Note 5
Galaxy A5 (2016)
Galaxy A7 (2016)
Galaxy A5 (2017)
Galaxy A7 (2017)
Galaxy A9
Relógio Gear S3 (R760 ou R770)

*Colaborou Allan de França

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