Fact-checking

A era das fake news

Agências de notícias brasileiras investem em método para checar se notícias são verdadeiras ou não

00:00 · 02.07.2018 por Jacqueline Nóbrega - Repórter

Há pouco mais de sete dias, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luiz Fux, disse que as eleições deste ano poderiam ser canceladas se o resultado fosse influenciado por fake news em massa. Os efeitos prejudiciais das notícias falsas têm causado uma preocupação cada vez maior nas autoridades, até porque muita gente segue sem conseguir identificar quando a notícia não é verdade. 

O WhatsApp e o Facebook são as principais plataformas onde as fake news são divulgadas atualmente. Por meio de sua assessoria de imprensa, o aplicativo de mensagens instantâneas diz não ter um posicionamento sobre o assunto, mas alerta seus usuários com dicas sobre como reportar conteúdo impróprio, incluindo mensagens indesejadas e fake news. 

São elas: desconfiar de mensagens que apresentem erros gramaticais ou de grafia; evitar acessar links de origem desconhecida ou mensagens que peçam para clicar em um endereço específico; avaliar criticamente mensagens que peçam que você compartilhe conteúdo com a lista de contatos; não responder pedidos de desconhecidos para que você compartilhe dados pessoais como cartão de crédito, conta de banco, aniversários, senhas, etc; ter consciência que o WhatsApp é gratuito e você nunca terá que fazer algo para usar o aplicativo de graça; quando receber um cupom ou uma promoção por meio do WhatsApp, antes de clicar no link, cheque no site oficial da empresa se a oferta é real e confirmada pela loja em questão. 

Já o Facebook explicou, através de nota, que a plataforma é “um espaço para todas as ideias, mas não para disseminação de notícias falsas”. “Lançamos nosso programa de verificação em vários países, inclusive no Brasil, como parte de nossos esforços para melhorar a qualidade da informação na plataforma. Trabalhamos com parceiros reconhecidos que fazem parte da International Fact-Checking Network (IFCN) e seguem padrões rigorosos de qualidade e imparcialidade. A verificação de fatos de qualquer fonte é fundamental para construir uma comunidade melhor informada”, disse Cláudia Gurfinkel, líder de parcerias com veículos de mídia do Facebook para América Latina.

Agências de fact-checking

No Brasil, existem agências que têm como único objetivo checar se as notícias são verdadeiras, como é o caso da Agência Lupa, que se autointitula como a primeira de fact-checking do País. Ela existe desde novembro de 2015 e sua equipe acompanha o noticiário diário de política, economia, cidade, cultura, educação, saúde e relações internacionais para corrigir informações imprecisas e divulgar dados corretos. Cristina Tardáguila, diretora da plataforma, explicou ao Diário do Nordeste</CF> que o método de trabalho usado pela Lupa é o mesmo utilizado pelo site argentino Chequeado. “Consiste em um modelo aprimorado do método usado pelo blog Preto no Branco, do jornal O Globo, em 2014. Há dois anos nossa metodologia passa pela árdua auditoria da IFCN”.

A Lupa é uma agência de notícias. Cristina explica que a plataforma tem quatro clientes fixos e produz uma coluna de checagens por semana para cada um deles: Folha, CBN, Época e Metrópoles. “As pautas sempre partem da Lupa e as checagens não podem ser editadas pelos veículos de comunicação que são nossos assinantes”. 

Questionada se a tecnologia é aliada ou inimiga do processo de checagem, a diretora diz que “as duas coisas ao mesmo tempo”. “Mas os jornalistas precisam saber usar mais a tecnologia para alcançar novas audiências e ter maior impacto”.

Sobre o cenário eleitoral com o aumento das fakes news, Cristina diz que “manipular informação é algo intrínseco ao debate político e seguirá sendo”. “Apesar de os partidos terem assinado termo com o TSE se comprometendo a não divulgar notícia falsa, é bem possível que o façam. Haverá muito investimento em campanhas online. Logo é importante que o cidadão comum saiba que possivelmente receberá notícias falsas e que é super capaz de checar a veracidade de alguma delas sozinho. A Lupa oferece workshops de checagem há um ano e já treinou mais de 3 mil pessoas”.

Outra agência de fast-checking brasileira é a Aos Fatos. A plataforma acompanha declarações de políticos e autoridades de expressão nacional, de diversas colorações partidárias, de modo a verificar se eles estão falando a verdade. Para isso, a Aos Fatos adotou uma fórmula com sete etapas para realizar suas checagens. 

São elas: selecionar uma declaração pública a partir de sua relevância; consultar a fonte original para checar sua veracidade; procurar por fonte de origem confiável como ponto de partida; consultar fontes oficiais, para confirmar ou refutar a informação; consultar fontes alternativas que podem subsidiar ou contrariar dados oficiais; contextualizar e classificar a declaração com uma das seis categorias: verdadeiro, impreciso; exagerado; falso; contraditório ou insustentável. De acordo com o site da plataforma, a checagem das notícias passa pelas mãos de ao menos um repórter e um editor. Ambos devem chegar a um veredito a respeito do selo que será concedido à declaração ou à informação checada. Se necessário, um terceiro jornalista da equipe deverá ser consultado, para tirar a prova real.

Em setembro de 2016, a plataforma assinou um código internacional de princípios e condutas estabelecido pela IFCN, cujo objetivo é certificar seus leitores de que eles terão acesso a material desenvolvido por um veículo apartidário e comprometido com a transparência de suas atividades.

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