Uma fonte de leitura prazerosa - Ler - Diário do Nordeste

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ENSAIO

Uma fonte de leitura prazerosa

02.07.2011

Pode-se dizer que a Literatura infantil está intimamente ligada à escola. Pois tais obras surgiram na França, nos séculos XVII e XVIII, com a Revolução Industrial, a decadência do Feudalismo e o fortalecimento da burguesia por meio de instituições como a família e a escola. Perrot, (1991) ressalta que: (Texto IV)

O papel escolar

A escola é de suma importância para a Literatura infantil, porque é o agente ideal para a formação cultural do indivíduo, é o espaço privilegiado onde deverão ser lançados desafios que abrirão caminhos na mente humana rumo à aprendizagem. A escola deve ter como objetivo formar cidadãos críticos, com opiniões próprias e força de caráter. Isso, em grande parte, se dá com a leitura.

A leitura é um instrumento valioso para a apropriação de conhecimentos relativos ao mundo exterior, amplia e aprimora o vocabulário e contribui para o desenvolvimento de um pensamento crítico e reflexivo, uma vez que possibilita o contato com diferentes ideias e experiências. Sua prática traz consequências maravilhosas, os conhecimentos de mundo se ampliam prazerosamente, e não ocorrem por imposição. Através da leitura o aluno pode desvendar a existência ao seu redor, e, ao romper seu horizonte de expectativas, amplia seu universo de entendimento. O estudo literário transmitido na escola é o mais completo no estímulo do exercício da mente, na percepção do real, na consciência do mundo, no próprio estudo e conhecimento da língua e expressão verbal. O professor deve desempenhar o papel mediador no processo de leitura e escrita, promovendo a contextualização da língua em seu uso através da escrita. A leitura deve, portanto, ter uma grande participação na compreensão da gramática, sem, no entanto, depender tão-somente da nomenclatura.

O mediador

O professor que trabalha com Literatura infantil deve ter em mente o seu papel de estimulador, orientador e mediador entre o aluno e a Literatura que será o meio de acesso para o conhecimento e o mundo da cultura, que caracteriza a sociedade em que vive.

Para que a Literatura infantil consiga de fato trazer benefícios para o desenvolvimento cognitivo e à aprendizagem do aluno, faz-se necessário, entre outros fatores, que o professor faça a correta adequação do livro às necessidades e interesses da criança, de acordo com a etapa do desenvolvimento em que se encontra. O educador deve estar consciente de que a criança é um aprendiz e busca, em sua interação com o mundo, internalizar sua cultura, ora por repetição da tradição familiar, ora pelos valores e ideais impostos pela sociedade. Nesse contexto é que se firma o lugar que a escola representa na concepção de literatura. ZILBERMAN & LAJOLO (1985) afirmam que: (Texto V)

Entretanto a prática de leitura promovida pela escola pouco contribui para a formação de leitores competentes. Há evidências de que professores de Língua Portuguesa enfatizam o estudo da nomenclatura gramatical, através de exercícios mecanicistas, nos quais a reflexão e a interação aluno-professor e aluno-aluno é pouco expressiva. A leitura deve, portanto, ter uma grande participação na compreensão da gramática, sem, no entanto, depender da nomenclatura.

A formação dos leitores

Os contos de fadas têm uma importância fundamental no desenvolvimento infantil, para seu amadurecimento intelectual e emotivo, porque servem de veículo ao pequeno leitor, de conteúdos e substratos da psique humana que se encontram arraigados dentro de sua própria psique; contribuem decisivamente para introdução das crianças no universo da linguagem e da escrita por meio do ato de contar, de ouvir, de ler histórias, porque tem correspondência com a linguagem que praticam no cotidiano.

As visões

Antunes (2003, p. 64-67), argumenta que não é possível dissociar aprendizagem da leitura e aprendizagem da escrita, porque são atividades de interação que se complementam, portanto uma prática social. Isso significa que compete ao professor possibilitar ao aluno a escrita de textos para diferentes interlocutores, com objetivos diferentes, organizados nos mais diversos gêneros, para circularem em variados espaços sociais, de maneira adequada à situação em que se insere o evento comunicativo.

Os PCNs de Língua Portuguesa (1998, p. 24) sugerem que os textos selecionados para uso didático sejam aqueles que favoreçam a reflexão crítica, o exercício de formas de pensamentos mais elaboradas e abstratas, bem como a fruição estética dos usos artísticos da linguagem em sua plenitude.

A literatura infantil, na sociedade em constante mutação, serve como agente de formação/transformação; configura-se como um conjunto de manifestações e de atividades que têm como base a palavra artística e/ou a ilustração artística que interessa à criança. Os contos de fadas como narrativa de caráter alegórico cumprem uma função social de extrema importância, à medida que ajuda a criança não só a enfrentar o seu próprio mundo sem traumas, como também a ajuda a expandir o imaginário. O interesse, provocado no receptor, está no aspecto de liberdade e na aceitação voluntária de elementos que, também, usará livremente para a construção de sua própria consciência. Zilberman & Lajolo (1985) ressaltam que: (Texto VI)

Considerações finais

É tarefa da Literatura promover ao individuo subsídios que o faça espelhar-se, para que seja capaz de resolver seus conflitos, os quais muitas vezes não conseguem entender; essa luta para a criança é feita através do pensamento mágico contido nos contos de fadas. As propostas de leitura da Literatura infantil, em sala de aula, defendem a necessidade de a comunicação literária pautar-se pelo prazer de ler e pela interação afetiva do leitor com o texto, pela manutenção do encantamento por aquilo que é contado que acarreta a transposição do mundo real para o mundo da imaginação.

Em contrapartida, a nova roupagem dada à literatura contemporânea, não mais se preocupa em buscar atender aos anseios infantis, busca atender às necessidades da sociedade atual, visto que o discurso assumido agora reflete uma preocupação em construir uma imagem de criança não voltada para o prazer, mas para o útil, com apelo especial para a formação de um futuro adulto. A tendência hoje é localizar a carência infantil e influenciá-la com uma história que vá direto ao ponto.

Compete ao professor adequar-se às mudanças e instigar o interesse das crianças pelo universo maravilhoso dos contos de fadas, entretanto, para que isso ocorra, faz-se necessário que ele seja um leitor proficiente e alimente aproximar ao máximo o texto literário e o cotidiano de seus alunos; faz-se necessário que ele seja literariamente letrado e forme cidadãos letrados, que ele assuma a Literatura como parte de sua vida, como uma constante em seu cotidiano.

Trechos

TEXTO IV

A família é a garantia da moralidade natural. Funda-se sobre o casamento monogâmico, estabelecido por acordo mútuo; as paixões são contingentes, e até perigosas; o melhor casamento é o casamento "arranjado" ao qual se sucede a afeição, e não vice-versa. A família é uma construção racional e voluntária, unida por fortes laços espirituais, por exemplo, a memória e materiais. O patrimônio é, a um só tempo, necessidade econômica e afirmação simbólica. A família "objeto de devoção para os membros", é um ser moral: Uma única pessoa cujos membros são acidentes. (p. 94)

TEXTO V

A justificativa que legitima o uso do livro na escola nasce, pois, de um lado, da relação que estabelece com seu leitor, convertendo-o num ser crítico perante sua circunstância: e, de outro, do papel transformador que pode exercer dentro do ensino, trazendo-o para a realidade do estudante (p.25).

TEXTO VI

A literatura infantil, nesta medida, é levada a realizar sua função formadora, que não se confunde com uma missão pedagógica. Com efeito, ela dá conta de uma tarefa a que está voltada toda a cultura - a de conhecimento do mundo e do ser (p.25).

Saiba mais

COHEN, J. Estrutura da linguagem poética. São Paulo, Cultrix: EDUSP, 1974.

LINHARES FILHO, José. No limiar dos invernos. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2010.

MARQUES, Rodrigo. O livro de Marta. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2011.

MEIA-TIGELA, Poeta de. Concerto nº1nico em mim maior para palavra e orquestra. Poema. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2010.

PINHO, Barros. 70 poemas para orvalhar o outono. Fortaleza: Premius, 2010.

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