Uma ode à rainha da TV

Hebe Camargo ganha biografia assinada pelo jornalista Artur Xexéo, cheia de informação e, claro, devoção de fã

00:00 · 06.05.2017

Hebe Camargo ficou tanto tempo "no ar" que parecia improvável que, um dia, saísse de cena. Em setembro de 2012, ela deixou órfãos e surpresos seus incontáveis fãs e admiradores. Tinha 83 anos e, desde a década de 1940, era uma presença constante na casa de seu público (primeiro pelo rádio, depois pela televisão) de diversas gerações. Hebe foi uma espécie de unanimidade, um espelho para apresentadores que vieram depois dela e dona de um estilo que, ao que parece, não se consegue imitar.

A vida da apresentadora, sob os holofotes e longe deles, é tema do novo livro do jornalista carioca Artur Xexéo - "um espectador a vida inteira dos programas de Hebe Camargo", como faz questão de destacar.

"Hebe - A biografia", da editora Best Seller, já está nas livrarias. O livro segue o formato tradicional das biografias, ainda que Hebe tenha algo de mocinha de outros tempos, não do tipo indefesa, mas cheia de engenho e com um brilho que lhe ilumina os passos. O leitor torce por ela.

A edição traz ainda um caderno de fotos, que remontam sua trajetória como cantora, nas décadas de ouro do rádio; momentos da intimidade, na cerimônia de casamento e com o filho Marcelo, ainda bebê, nos braços; sua camaleônica passagem pela TV; e ao lado dos muitos famosos que tiveram a sua amizade.

Admirador

Um dos pontos altos do livro de Xexéo é a admiração confessa que o autor nutre pela biografada. Não é o bem-querer do fã que coloca de lado seu ofício de biógrafo, para cobrir o ídolo de elogios, num retrato quase sempre bem intencionado, mas empobrecedor. Xexéo usa a seu favor a fidelidade à rainha do entretenimento no Brasil. Afinal, foi uma testemunha atenta dos movimentos e fases da carreira de Hebe Camargo.

No prefácio, "Hebe e Eu", Artur Xexéo reconstitui o tipo de estrela que a biografada foi. A admiração por ela foi herdada da avó do jornalista, uma senhora que desprezava as cantoras do rádio (gente como Marlene e Emilinha Borba), por considerá-las vulgares, e exaltava Hebe por ser uma cantora completa, que além dos dotes vocais e de uma interpretação meio teatral, era "elegante, refinada e romântica".

Mais do que pesquisa, é preciso memória para oferecer ao leitor pérolas como a da volta de Hebe à TV, no fim da década de 1970, após um período dedicado à maternidade. Hebe, lembra Xexéo e informa o leitor, era o grande programa das noites de domingos. Antes do "Fantástico" tomar a dianteira. Hebe, contudo, permaneceu com ares de majestade, que nem o sucesso global foi capaz de substituir.

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