Robert De Niro

Talento indomável

Aos 75 anos de idade, o ator norte-americano Robert De Niro consolidou a carreira a partir da notável imersão nos personagens que interpretou no cinema

00:00 · 18.08.2018 por José Augusto Lopes - Especial para o Gente

Grandes atores deixaram marcas indeléveis no desenvolvimento da indústria cinematográfica, durante mais de um século de existência da Sétima Arte. Vários deles pela beleza física, como Robert Taylor e Tyrone Power, outros pelo talento em si, a exemplo de Lee Marvin e James Cagney. Alguns, por possuírem ambas as qualidades citadas, entre eles Marlon Brando e Paul Newman. Diversos aclamados artistas podem ser belos como Brad Pitt e Tom Cruise, ou serem desprovidos de atrativos físicos convencionais, mas precisam destacar-se por um mínimo de qualidade interpretativa.

Quanto à classificação de quem é "o melhor", isso é bastante relativo e expõe dubiedades. Embora Marlon Brando haja sido quase uma unanimidade nesse sentido, a balança pende mais para um simpático senhor que chegou aos 75 anos de idade no último dia 17: Robert De Niro nunca foi considerado um tipo apolíneo, mas quanto a seu imenso talento nunca deixou margem a dúvidas. Inúmeros críticos e cinéfilos o consideram o melhor ator contemporâneo, pela sua total imersão nos papéis desempenhados. Tal como ele exemplifica, à perfeição, no envelhecimento do pugilista Jake La Motta em "Touro Indomável" (1980), de Martin Scorsese, que lhe atribuiu o Oscar de Melhor Ator do Ano.

Ator de raiz

Nascido em Manhattan, Nova York, no dia 17 de agosto de 1943, Robert De Niro descende de italianos pelo lado paterno, mas também tem ingleses, alemães e franceses entre seus antepassados.

Estudou na New York High School of Music and Art e teve, entre seus mestres de interpretação, a influente Stella Adler, igualmente professora do icônico Marlon Brando. A versatilidade de Robert o posiciona, na opinião de muitos, como um artista superior a Brando, este por vezes considerado muito "ele mesmo" no desempenho de personagens diversificados em sua essência. Escalado, de princípio, para as primeiras produções independentes de Brian De Palma e Roger Corman, foi o cineasta Martin Scorsese quem lançou De Niro para a fama internacional em "Caminhos Perigosos" (1973), parceria repetida em outros filmes memoráveis como "Taxi Driver" (1976), "Os Bons Companheiros" (1990) e "Cabo do Medo" (1991).

Apesar de sua notável intervenção em "O Poderoso Chefão - II" (1974), de Francis Ford Coppola - pela qual ganhou seu segundo Oscar da Academia de Hollywood, no caso como Melhor Ator Coadjuvante -, existe uma unanimidade a respeito da carreira do conceituado intérprete: nenhum outro personagem o identifica tanto quanto o vivido em "Taxi Driver", com suas características insanas e altamente perturbadoras. Nesse filme, a talentosa atriz Jodie Foster projetava-se para a fama no papel de uma prostituta adolescente.

Enumerar as melhores atuações de Robert De Niro torna-se, entretanto, uma tarefa plena de excelentes opções ("Os Intocáveis", "A Missão", "1900", "New York, New York", "Coração Satânico", só para citar alguns). Acusado, por último, de participar de filmes aquém do seu talento, sobretudo na série de comédias "Entrando numa Fria", De Niro segue comprovando que soube envelhecer com "fair play", sem temer pôr à prova que sua presença, por si mesma, tem o poder de assegurar a memória de um acervo artístico construído ao longo de excepcional carreira cinematográfica.

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