Referência real e virtual

A influenciadora digital italiana Chiara Ferragni foi uma das responsáveis por levar blogueiras ao patamar profissional

00:00 · 24.06.2017

A repercussão digital, hoje em dia, ultrapassa as fronteiras delimitadas pelas plataformas online. É incontável o número de blogueiras que dominam o espaço virtual e que surgem diariamente, abordando em posts, vídeos e fotos uma imensa variedade de assuntos como viagens, moda, comportamento e saúde. Nesse cenário sobrecarregado de informações, é preciso fazer diferente para se destacar dos demais, e Chiara Ferragni é o maior exemplo disso.

Algumas provas do diferencial da italiana são o título de maior digital influencer do mundo - ou influenciadora digital, como já se chama no Brasil -, que ela conquistou em 2016, pelo portal Fashionista, e os números absurdos que marcam a carreira dela: com quase 10 milhões de seguidores no Instagram, Chiara é a mente por trás do blog The Blonde Salad e presença garantida na primeira fila dos desfiles das maiores grifes do mundo fashion.

A popularidade nas redes sociais e a visibilidade agregada à figura de Chiara contribuiram para que ela se tornasse uma das influenciadoras mais requisitadas quando o assunto é parceria. A mais recente é uma colaboração com a marca de lingeries Intimissimi. A blogueira não somente terá a imagem associada à marca, como também foi convidada para desenhar o figurino do "Intimissimi on Ice", show anual da marca, que ocorre em outubro deste ano.

Em entrevista ao Women's Wear Daily, um dos maiores portais americanos sobre moda, Chiara revelou que a parceria começou espontaneamente. "É uma chance para que eu me teste para criar fantasias, o que é uma experiência que eu nunca tive", disse, despretensiosa.

Carreira

O percurso de Chiara Ferragni rumo aos holofotes começou em 2009, com a criação do The Blonde Salad, projeto que começou como blog fashion, evoluiu para loja online e, posteriormente, livro digital. Em 2011, ela foi considerada pela Teen Vogue americana a blogueira do ano e, desde então, os títulos vêm em velocidade surpreendente. Hoje, o The Blonde Salad tem um staff de 20 pessoas, mais de 14 milhões de visualizações mensais e rende em média US$ 8 milhões anuais.

Em 2013, Chiara modelou para a Guess e, no mesmo ano, lançou uma coleção própria de sapatos e acessórios. Nos anos seguintes, Christian Dior, Louis Vuitton, Chanel e Tommy Hilfiger foram apenas algumas das grifes que passaram a constar no time de colaborações realizadas com a influencer.

A rápida ascensão, além de refletir nas parcerias com grifes importantes, levou Chiara a ser a primeira blogueira mencionada pela Forbes na lista de 30 pessoas criativas abaixo dos 30 anos, em 2015 e, no ano seguinte, ela inspirou uma versão da boneca Barbie, que usava os sapatos da coleção de Chiara.

Monetização

O rótulo de "blogueira", que até pouco tempo era visto de modo depreciativo e sem credibilidade, hoje é levado a sério pela geração das mídias. E Chiara, em meio a tantas outras, foi uma das pessoas que mais contribuiu para a profissionalização desse termo.

A rotina de atualização de blogs, fotos de look do dia e documentação fotográfica de viagens, que antes era, na maioria dos casos, apenas um hobby, agora pode ser considerada uma profissão. Com visão empreendedora e ousadia, a italiana da cidade de Cremona foi, portanto, uma das primeiras a monetizar o seu nome e a plataforma na qual coloca seus conteúdos, fazendo da alta visibilidade e do número de acessos um meio de lucro - e que vem sendo usado como estratégia por várias empresas, atualmente.

Não bastassem todo o espaço que Chiara Ferragni conquistou no mundo fashion, ela se tornou objeto de estudo na Universidade de Harvard, sendo mencionada em um artigo da escola de negócios da universidade norte americana. Movimentando grandes quantidades financeiras e mesmo a forma como a as pessoas se relacionam, já é tempo de dizer que os influenciadores digitais abrem um novo momento na sociedade.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.