Rainha do glamour

Uma das musas do cinema, a húngara Zsa Zsa Gabor ganhou fama também pelo estilo de vida luxuoso

00:00 · 04.03.2017 por José Augusto Lopes - Especial para o Gente

No apogeu dos filmes produzidos em Hollywood, várias atrizes se destacaram, por suas características especiais, no universo da Sétima Arte. A beleza clássica funcionou como passaporte para a fama em relação às fascinantes Ava Gardner, Elizabeth Taylor e Rita Hayworth, enquanto a elegância projetou as carreiras de ícones como Lauren Bacall e Loretta Young. As menos dotadas de dotes físicos, em relação aos padrões estéticos vigentes na época, venceram pela força de seu talento artístico, entre elas Bette Davis e Katharine Hepburn, as quais seriam uma espécie de Meryl Streep dos dias presentes.

Mas havia um predicado muito especial, que realçava à primeira vista e fazia com que todos os olhares se concentrassem de imediato nas privilegiadas que o detinham: era o glamour, um "algo mais" de sensualidade e sedução que a plateia masculina sobrepunha a todas as demais qualidades. Nesse item, uma atriz foi imbatível: a húngara Zsa Zsa Gabor. Embora nunca se tenha feito uma estrela de primeira grandeza, foi a primeira a associar o moderno conceito de "celebridade" à carreira de atriz, confessando preferir brilhar nas passarelas sociais do que nos filmes em que atuava. Há quem a considere, inclusive, uma precursora de Kim Kardashian.

Humor

Nascida em 1917, foi Miss Hungria 1936, casou nove vezes, viveu 99 anos e estreou no cinema norte-americano aos 35 anos, interpretado a musa inspiradora do pintor francês Toulouse-Lautrec, este vivido pelo ator José Ferrer, no filme de grande sucesso "Moulin Rouge". Outros sucessos se seguiram em sua carreira, entre eles "O Amor Nasceu em Paris", "Lili", "História de Três Amores" e "A Marca da Maldade". Suas duas irmãs, Magda e Eva, também tentaram fazer carreira no cinema, mas com rarefeita receptividade.

Zsa Zsa Gabor soube imprimir um estilo original à sua personalidade, revelando inteligência em pitadas saborosas de malicioso, ou por vezes quase cínico, senso de humor. Sempre afirmando, ironicamente, que "era famosa por ser famosa", declarou que "nunca odiei um homem o suficiente para devolver as joias que ele me presenteou".

Dizia escolher os maridos pelo volume da conta bancária ou por causa da notoriedade. Entre outros, foi casada com Conrad Hilton, dono da famosa cadeia internacional de hotéis de luxo, e Jack Ryan, que jurava haver se inspirado nela para a criação da boneca Barbie. Por último, tinha como marido o príncipe Frederic von Alhart.

Segredo de sedução

Afirmam os amigos e contemporâneos haver sido o ator George Sanders, de "A Malvada", o homem que mais a amou. Abandonado por ela após um tumultuado relacionamento, casou posteriormente com sua irmã Magda, mas não conseguiu esquecê-la e terminou por cometer suicídio. A própria Zsa Zsa repetia que "ser amada é uma força, amar é uma fraqueza", ou ainda: "O amor pode ser uma inspiração, não uma obrigação". Uma de suas ironias mais comentadas foi ao declarar que adorava os intelectuais "porque eles sabem tudo - mas não suspeitam de nada".

Em relação ao público feminino, ela, que foi amada até seu último suspiro, fez uma constatação contundente. Não era ao intenso e preservado "glamour" que se atribuía a evidência de ser tão desejada até a idade madura. Zsa Zsa Gabor assegurava: "Prestem atenção nesta regrinha fundamental: na preferência dos homens, é mais importante uma mulher ser divertida, do que bela ou inteligente".

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