LEÃO DE OURO

Prêmio honorário

Robert Redford recebe Leão de Ouro honorário logo após completar 81 anos. Relembre trajetória do ator

00:00 · 09.09.2017 por José Augusto Lopes - Crítico de cinema

Chegou aos 81 anos de idade, no dia 18 de agosto, o astro Robert Redford, considerado um dos maiores símbolos de masculinidade e consciência social na história de Hollywood. Ativista político, mas sem radicalismos, pois já fez campanhas tanto para republicanos quanto em torno de democratas, Redford consolidou a imagem como a de um homem franco e sempre direto nas declarações, que define a si próprio em apenas duas palavras: "egoísta e leal".

No último dia 1º, recebeu um Leão de Ouro honorário pela relevante contribuição ao universo do cinema. Justa homenagem recebida no conceituado Festival de Veneza. Redford recebeu o prêmio junto com a atriz Jane Fonda, com quem protagonizou o drama "Our Souls at Night", produção original da Netflix que será lançada globalmente no final de 2017.

Pintura e teatro

Na mocidade, deixou os estudos universitários e foi perambular pela Europa, como era costume entre jovens norte-americanos em meados do século passado. Morou em Paris, onde estudou pintura, e em Florença, na Itália, cidade na qual foi desiludido quanto à vocação de ser pintor por um famoso professor de artes plásticas.

Voltando aos Estados Unidos, cursou a Academia Americana de Arte Dramática. Ali, encontrou o verdadeiro caminho vocacional. Estreou no teatro e logo fez extraordinário sucesso nas peças "Um Domingo em Nova York" e "Descalços no Parque", que ficou em cartaz durante quatro anos e garantiu ao jovem ator a permanência no papel principal quando o texto de Neil Simon foi levado ao cinema.

Talento versátil

A grande oportunidade de Redford no cinema deve-se inteiramente ao amigo Paul Newman, que exige dos produtores a inclusão de Robert como o parceiro de cena em "Butch Cassidy e Sundance Kid", um ambicioso filme sobre as andanças e percalços de dois simpáticos ladrões de bancos. O êxito da dupla se repete em "Golpe de Mestre", premiado com o Oscar de Melhor Filme pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Como nem tudo é perfeito na carreira de um ator, por melhor que ele seja, nem mesmo a grande campanha publicitária que antecedeu o lançamento de "O Grande Gatsby", baseado no livro de F. Scott Fitzgerald, conseguiu evitar a fraca receptividade do filme junto ao público e à crítica, o que quase levou a produtora Paramount à falência.

Mas somente dois anos se passaram para que Redford voltasse em grande forma aos holofotes da fama pela atuação em "Todos os Homens do Presidente", uma correta abordagem do estrondoso escândalo de Watergate, que levou à renúncia o presidente Richard Nixon.

Em 1979, o popular ator estreou na direção cinematográfica e logo foi premiado com o Oscar na categoria com o melodrama "Gente Como a Gente" ("Ordinary People"). Redford também venceu no item Melhor Filme, fato decisivo na consolidação da credibilidade quanto ao talento do artista.

Discreto no amor

Apesar do sigilo sempre mantido sobre a vida amorosa, na qual foi casado com uma só mulher durante 27 anos, a mórmon Lola, com quem teve quatro filhos, transpiraram comentários de que o belo ator teria vivido um tórrido romance com Sônia Braga, que ele dirigiu no filme "Rebelião em Milagro", quando a atriz brasileira tentou fazer carreira artística no exterior.

Além do empenho em causas sociais e pelos direitos humanos das minorias, bem como na preservação da defesa do meio ambiente, Robert Redford é igualmente responsável por uma das mais importantes ações em favor do desenvolvimento da Sétima Arte.

Ele idealizou e fundou o conceituado Festival de Cinema de Sundance, que dá vez e voz a talentos iniciantes da produção cinematográfica independente dos Estados Unidos e de vários outros países.

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