símbolo de sensualidade

Nunca houve outra Gilda

A atriz norte-americana Rita Hayworth ficou famosa como símbolo de sensualidade no cinema

00:00 · 24.02.2018 por José Augusto Lopes - Especial para o Gente
Rita Hayworth
Rita Hayworth

Em toda a história do cinema, talvez nenhuma outra atriz tenha identificado sua imagem a de um personagem, com tanta intensidade, como aconteceu com Rita Hayworth em relação a "Gilda", um clássico norte-americano dirigido por Charles Vidor. Nem sua arrebatadora "dança dos sete véus" no bíblico "Salomé" e os espetáculos de graça e beleza prodigalizados pela encantadora artista, em produções como "Bonita Como Nunca", "Modelos" e "Os Amores de Carmen", conseguiram eclipsar, na memória do público, a profunda associação com a sedutora mulher encarnada em sua mais famosa interpretação.

Com uma estratégia de marketing inusitada para a época, que eternizou sua principal frase de apelo publicitário ("Nunca houve uma mulher como Gilda..."), o filme bateu recordes nas bilheterias internacionais, introduzindo também a inovação de um lançamento simultâneo em todas as grandes cidades do mundo. Em Fortaleza, houve a necessidade da criação de sessões especiais no Cine Diogo para atender à grande demanda de espectadores. Ficou famosa a cena em que Hayworth simulava dar início a um "strip-tease" completo e tirava apenas... Uma luva. Mas isso, numa época de muito puritanismo (1946), excitava bastante a imaginação masculina e transformou a atriz em marcante símbolo de sensualidade.

De descendência espanhola, registrada no nascimento, em 1918, como Margarita Carmen Cansino, a estadunidense Rita Hayworth aprendeu a dançar com seu pai bailarino e já aos 14 anos de idade se apresentava ao seu lado, em espetáculos nos Estados Unidos e no México, revelando, de pronto, extraordinária graciosidade e um talento invulgar. Logo foi notada pelos produtores de Hollywood e estreou nas telas ainda adolescente, mas protagonizando filmes de pouca expressão. Só viria a impressionar em grande estilo no grande sucesso "Sangue e Areia", em 1941, ao lado de Tyrone Power, um dos mais famosos e requisitados galãs da época.

"Gilda", entretanto, viria a ser o ponto máximo de sua carreira, no qual interpreta a amante de um alemão dono de cassino (George Macready), de caráter sexual ambíguo, que vive um suspeito triângulo amoroso com o personagem interpretado pelo belo ator Glenn Ford.

Infeliz no amor

Na vida real, apesar de toda a sua extraordinária beleza, Rita Hayworth nunca foi feliz na vida amorosa. Entre outros maridos e amantes, seus casamentos com o cineasta Orson Welles - genial diretor de "Cidadão Kane", que chegou a dirigi-la no clássico "A Dama de Shangai" - e com o príncipe Aly Khan, deu-lhe as filhas Rebecca e Yasmine, mas não a felicidade como mulher. O personagem "Gilda", de tão forte que foi, estigmatizou o restante de sua carreira no cinema, pois os espectadores sempre passaram a esperar dela um impacto semelhante ao do filme de Charles Vidor.

A respeito de seu insucesso como amante, Hayworth costumava dizer: "Os homens vão se deitar com Gilda e se decepcionam ao acordar comigo, uma mulher igual às outras". Talvez em função da vida atribulada, e em parte frustrante, além do excessivo consumo de álcool e drogas, Rita faleceu aos 69 anos, após muito tempo de sofrimento causado pela Doença de Alzheimer. No final, teve o apoio das filhas e do amigo Glenn Ford, que dizem haver nutrido muito especial carinho pela atriz, desde os vários filmes que interpretou ao seu lado.

Como comentarista da Sétima Arte, escolhi também "Gilda" para assinalar a sessão comemorativa de meus 50 anos de jornalismo, dia 4 de março no Cineteatro São Luiz. De forma impressionante, Rita Hayworth marcou a sensibilidade e a memória de toda uma geração de cinéfilos, incorporando à mitologia cinematográfica um personagem decididamente incomparável.

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