vida e carreira

Múltiplo talento

Lázaro Ramos é nome representativo não só nas telas, mas na paternidade e literatura infantil

00:00 · 12.08.2017

Global é mesmo boa palavra para definir Lázaro Ramos, e isso transcende a obviedade do nome da emissora na qual o ator tem carreira consolidada. Ele pode ser assim definido principalmente pela riqueza do baú de talentos que carrega - diversos como a Bahia, terra onde o ator nasceu e cresceu.

Os trabalhos na TV e no cinema são marcantes. Quem não lembra da malandragem e astúcia de Foguinho, na novela "Cobras & Lagartos"? Ou de Roque, em "Ó, Pai, Ó"?

Fora das telas, o caminho trilhado é menos conhecido, porém tão sublime quanto a atuação. Lázaro é, também, escritor de literatura infantil, possuindo três livros do gênero já lançados. O primeiro foi "Paparutas", escrito quando tinha apenas 21 anos. Em 2010 veio o segundo, "A Velha Sentada". O terceiro é provavelmente o mais peculiar e cativante: "Caderno de Rimas do João", um minidicionário inspirado nas perguntas que o filho João Vicente, hoje com 5 anos de idade, fazia. Lázaro também é pai de Maria Antônia, de 2 anos.

Representatividade

Além do vínculo entre pai e filho, característica mais pulsante do livro, a produção conta com ilustrações de personagens negros, ponto ao qual Lázaro demonstra dar grande importância. Em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo", ele reforçou a necessidade das referências de heróis negros. "Esse rosto diverso é fundamental para a infância, não só para a criança negra, mas para toda e qualquer criança".

No meio de brincadeiras cotidianas do dia a dia entre pai e filho, a ideia para a obra nasceu. Entre um questionamento e outro de João, Lázaro viu a oportunidade de transformar as dúvidas infantis em uma forma lúdica de leitura e aprendizado. João guiou o caminho, o pai apenas seguiu.

A paternidade não é o único pilar em que Lázaro Ramos é figura simbólica. Como homem negro, o ator ocupa espaço importante em um meio onde as minorias não possuem protagonismo e, ao lado da esposa Taís Araújo, também atriz e mulher negra, forma um dos casais mais poderosos do showbiz brasileiro.

Em junho deste ano, o ator lançou o livro "Na Minha Pele", que relata vivências, discute o preconceito e reforça a relevância e popularidade da voz de Lázaro Ramos na militância negra. Aliás, "militante", segundo declarou ao site HuffPost, é um termo que apenas formaliza as experiências diárias. "A militância está mais em um fluxo de vida do que em alguma entidade ou organização. A minha militância está talvez em perceber quem eu sou, o lugar de onde eu venho e o contexto ao qual eu faço parte", revelou.

Carreira

Lázaro Ramos nasceu em novembro de 1978. Aos 15 anos, entrou para o Bando de Teatro Olodum, formado apenas por atores negros. Também durante a adolescência, estudou patologia clínica e até atuou na área - não por aptidão, mas porque fazer um curso profissionalizante era a condição para cursar teatro na escola pública Anísio Teixeira.

Foi somente no ano 2000 que conseguiu projeção, com a participação na peça "A Máquina", de João Falcão. Nela, contracenou com Wagner Moura e Vladimir Brichta, amigos íntimos do ator até hoje.

O primeiro papel como protagonista no cinema veio em 2002, em "Madame Satã", de Karim Aïnouz. No filme, Lázaro interpreta a emblemática personagem da noite da Lapa carioca.

De "Sexo Frágil" a "Mr. Brau" - trabalho mais recente, no qual divide a cena e o brilho com a esposa -, Lázaro Ramos se fez singular. É ator, escritor, apresentador, esposo, pai de João, pai de Maria e intrinsecamente militante. Não podia ser diferente. Como o próprio se intitula, é "exceção que confirma a regra". É, de fato, - como afirmado no início deste texto - um global.

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