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Meghan Markle: real para além da realeza

Com trabalhos importantes no currículo e grande envolvimento com o feminismo, Meghan Markle, noiva do príncipe Harry, quebra padrões da monarquia inglesa

00:00 · 27.01.2018

Se existe uma série de regras que obrigatoriamente deveriam ser seguidas pelas mulheres da família real britânica, Meghan Markle, 36, não parece se importar muito. No curto período desde que foi oficialmente anunciado o seu noivado com o príncipe Harry, em novembro do ano passado, a ex-estrela da série de TV "Suits" já quebrou o rigoroso protocolo algumas vezes e mostrou que sua personalidade não será apagada pelo estilo de vida adotado pela realeza.

Essa espécie de rebeldia não é à toa. A autenticidade de Meghan tem muito a ver com sua veia ativista, aspecto marcante que ela não faz questão de esconder: assumidamente feminista, carrega desde muito jovem um grande incômodo com as desigualdades de gênero, e vem dando fortes indícios de que levará essa filosofia para o Palácio de Kensington, onde ela e o futuro marido vão morar.

Rupturas

Apesar de ainda sutil, o comportamento de Meghan e até mesmo as suas características físicas já dizem muito sobre as possíveis mudanças pelas quais o conservadorismo real pode passar. A começar por sua miscigenação racial: ela literalmente vai de encontro ao padrão da família, composta inteiramente por pessoas brancas. Além de ser filha de uma mulher negra, Meghan não é original da Inglaterra, como os demais membros, e, sim, norte-americana.

O modo de se portar ao lado do noivo também chama atenção. Diferentemente do que se observa entre os outros casais da família real britânica, a exemplo do príncipe William e a duquesa Kate Middleton ou mesmo o príncipe Charles e a duquesa Camilla Parker, Harry e Meghan não deixam de demonstrar afeto em público, sendo frequentemente vistos de mãos dadas e trocando beijos.

O coque no cabelo, a ausência de meia-calça por baixo de saias e vestidos e até mesmo a selfie com fãs são pequenos atos que, se somados, têm um grande significado quando o assunto é a cartela de comportamento da família real.

Ativismo

O lado feminista de Meghan desabrochou ainda criança, em uma situação corriqueira. Aos 11 anos ela se incomodou com uma propaganda de detergente que se dirigia apenas às mulheres. Incentivada pelo pai, escreveu cartas a mulheres importantes da época, como a então primeira-dama dos Estados Unidos, Hillary Clinton, e a apresentadora de programa infantil, Linda Ellerbee. O resultado foi uma grande repercussão do ocorrido e a alteração do comercial, que passou a se referir a "todas as pessoas da América".

Da infância até hoje, a luta de Meghan Markle pela igualdade de gênero não cessou. Ela, que também é embaixadora da ONU Mulheres, está prestes a se tornar parte de uma das famílias mais importantes do mundo, que mesmo com regras conservadoras, terá de se acostumar a um novo modelo de "mulher real". Afinal, não se fazem mais duquesas, princesas e mulheres como antigamente. Ainda bem.

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