CARREIRA

Juliana Paes sempre atual

Após dar vida a Bibi, na TV Globo, e Dona Flor, no cinema, Juliana Paes fala do desafio de interpretar personagens antagônicas e essenciais aos dias atuais

00:00 · 04.11.2017

Duas mulheres quase antagônicas, mas bastante representativas, rondam as imagens recentes ligadas à atriz carioca Juliana Paes: a Bibi, que ela viveu na novela "A Força do Querer", e Dona Flor, uma das figuras centrais do romance de Jorge Amado, que ela interpreta agora no cinema. Embora vivam em épocas distintas e passem por provações diferentes, as duas se assemelham em um aspecto: se empenham em conseguir aquilo que querem, e da maneira que podem, assumindo o papel de protagonistas do próprio destino, tal qual Juliana, que vive um momento ímpar na carreira.

Mal terminou as gravações do folhetim da TV Globo, a atriz percorreu o País divulgando o longa "Dona Flor e seus dois maridos", atualmente em cartaz, e com quem Juliana revelou ter muita identificação. "A Flor tem uma criação muito castradora, das convenções da época, impregnada por uma sociedade machista, patriarcal. E eu também, fui criada por uma mãe professora, um pai militar, uma criação super rigorosa, e como filha mais velha, eu tinha que dar exemplo", compara ela, que em 2012 deu vida a Gabriela, outra mulher do universo literário de Jorge Amado.

E ainda que Flor, segundo constata a própria Juliana, se preocupe em seguir as convenções sociais, o final da história traz algo de libertador ao permitir que a mulher consegue satisfazer os desejos. "Em tempos de empoderamento feminino, me dá muito orgulho de protagonizar um filme que termina com essa lição. Talvez seja piegas, mas que diz que uma mulher não é nem isso nem aquilo. Ela quer tudo, ela pode o que ela quiser", atesta.

Mulheres reais

E enquanto Flor põe em debate os ideais que a sociedade prega para a mulher, e aquilo que ela realmente quer fazer, a personagem Bibi - que desafiou praticamente todas as convenções em busca do amor de um traficante, na trama da novela - expõe uma outra faceta: as mulheres reais, que erram, acertam, e se arriscam pelo que querem. "Se você faz uma análise básica, a gente se identifica mais com o vilão do que com o mocinho, porque o público tem se identificado com personagens não maniqueístas. A gente entendeu que não existe mais o bom e o mau, todo mundo tem um pouco disso dentro de si, e em certa medida, você se identifica com isso", afirma a atriz, justificando a empatia que Bibi despertou dos telespectadores.

"Você tem que humanizar os personagens, dar a eles contornos humanos, sentimentos. Qualquer um se identifica com a emoção alheia. Você pode não concordar, não compreender, mas você simpatiza", garante ela.

Transformação

Com o início da carreira ligado a trabalhos em que as personagens tinham a sensualidade como um dos pontos característicos, Juliana Paes foi eleita, por três vezes, a mulher mais sexy do mundo, segundo a revista Vip, em 2006, 2007 e 2012 (o ano em que viveu Gabriela na televisão). Também em 2006, a revista norte-americana People a colocou na lista das 100 personalidades mais sensuais do mundo.

Seu talento, contudo, foi ganhando cada vez mais espaço. Em 2009, interpretou a primeira protagonista da carreira na TV, a nobre indiana Maya, em Caminho das Índias. Hoje, aos 38 anos, Juliana não esconde, em sua expressão cheia de vida, o longo caminho de sucesso que deve trilhar nos próximos anos.

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