Italianíssima e inconfundível

Com uma história permeada de trabalho duro, estilo e polêmicas, Dolce & Gabbana chegou a um patamar único no mundo da moda

00:00 · 15.04.2017

Pense em extravagância, luxo, poder e controvérsias. Una todas estas palavras e tenha a definição perfeita de Dolce & Gabbana. Hoje considerada uma das maiores grifes de moda do mundo, a brand italiana contou com o trabalho árduo de seus criadores para ter a atual relevância no mundo high-fashion.

Queridinha de estrelas como Madonna e Gisele Bündchen, a marca possui um estilo marcante, lembrado pelo uso frequente de animal print, formas extravagantes e estampas maxi, além da polêmica combinação de religião e sexo.

No desfile do Milan Fashion Week deste ano, em fevereiro, a marca levou diversão às passarelas, deixando transparecer uma espécie de satisfação, da equipe criativa, em vestir pessoas reais - ainda que seu público seja majoritariamente formado de estrelas pop e mesmo membros de famílias reais.

História

O surgimento da grife confunde-se com a história de como a dupla que comanda sua identidade se conheceu. Domenico Dolce nasceu em uma pequena aldeia na região de Sicília, na Itália. Filho de alfaiate, notou interesse pelo mundo fashion ainda muito jovem e cursou três anos de Design, mas acabou desistindo do curso. Com Stefano Gabbana, o percurso foi diferente. Nascido em Milão, estudou Design Gráfico e pretendia ser publicitário. O que eles tinham em comum? Nenhum estava satisfeito e ambos queriam ir muito além.

O acaso uniu os estilistas em Milão, nos anos 1980. Conseguiram o primeiro emprego no estúdio de Giorgio Correggiari e, meses depois, passaram a trabalhar por conta própria, tornando-se parceiros não apenas nos negócios, mas também no amor - uma vez que tiveram um relacionamento por mais de 20 anos. Entre freelances e desfiles improvisados, o casal virou assunto em Milão e chegou ao conceituado Milan Fashion Week. Sem verba para contratar modelos, recorreram aos amigos para divulgar as criações na passarela. Em uma simples junção de sobrenomes, nascia Dolce & Gabbana.

Highlights

O primeiro passo para a carreira internacional foi a aparição de Madonna com um corset trabalhado em pedrarias e jaqueta assinados pela Dolce & Gabbana, no Festival de Cannes de 1990. A cantora tornou-se amiga dos estilistas e participou de campanhas da grife, além de ter todo o design da turnê Girlie Show assinado pela dupla.

A label italiana já recebeu prêmios relevantes por produtos como os perfumes Dolce & Gabbana Pour Homme / Pour Femme e pelas campanhas publicitárias para as coleções de outono/inverno 2003/04 e 2005/06.

A marca possuía duas vertentes principais: Dolce&Gabbana, voltada para artigos de luxo como óculos de sol, perfumes, carteiras e relógios, e D&G, uma seção mais jovem e exótica, que foi descontinuada em 2011.

Polêmicas

A história de sucesso da dupla e da marca contempla fatos polêmicos, como o envolvimento de Stefano e Domenico em um dos maiores escândalos de sonegação de impostos da Itália, mas acabaram inocentados em 2014.

No ano seguinte, em entrevista à revista Panorama, Domenico afirmou que, por ser gay, não pode ter filhos, e que a instituição familiar não deveria ser modificada. A declaração enfureceu celebridades como Elton John e Courtney Love, que pediram o boicote à marca.

Já em entrevista ao site Just Jared, o siciliano disse ter dialogado com o cantor e resolvido o problema. "Todas as pessoas têm a liberdade de escolher o que querem. Isso para mim é democracia", disparou.

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