Estrela atemporal

De volta à Broadway com o musical Sunset Boulevard, espetáculo no qual atuou há 20 anos, Glenn Close completou 70 anos de puro talento e versatilidade

00:00 · 25.03.2017

Versátil, talentosa e injustiçada. Essas serão as palavras que você mais ouvirá quando o assunto for a grandiosa atriz americana Glenn Close, que completou 70 anos no último dia 19. Após vários papéis marcantes no cinema, seis indicações ao Oscar - e a indignação de vários fãs por nenhuma delas lhe ter rendido a estatueta -, Glenn põe sua vitalidade em prova e está impecável nas apresentações no New York Palace Theatre, onde está em cartaz, até maio, em um revival da Broadway no qual atuou há 20 anos.

Trata-se do musical "Sunset Boulevard", em que ela é a lendária Norma Desmond, uma atriz que passa por uma crise pessoal quando o cinema deixa de ser mudo. A interpretação, na época da primeira montagem do espetáculo, lhe rendeu o Tony Award de Melhor Atriz, máximo prêmio do teatro americano. Com músicas do icônico Andrew Lloyd Webber, "especialista" em musicais, o espetáculo que marca o retorno de Glenn à Broadway vem sendo intensamente elogiado pela crítica.

Carreira

Quando estreou no cinema, em 1982, no filme "O Mundo Segundo Garp", contracenando com Robin Williams, Glenn já chegou causando. Além do personagem que interpretou no longa, suas atuações nos dois filmes seguintes - "O Reencontro", em 1983, e "Um Homem Fora de Série", em 1984- foram todas indicadas ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

O grande 'boom' de Close veio em seu marcante papel no famoso "Atração Fatal" (1987), quando viveu Alex Forrest, a amante louca de Dan Gallagher, interpretado por Michael Douglas. O papel rendeu indicação ao Oscar de Melhor Atriz, mas que foi conquistado por Cher, pelo filme Moonstruck.

Em seguida, como a Marquesa de Merteuil, no clássico "Ligações Perigosas" (1988), sua performance impecável e inesquecível foi mais uma vez indicada ao Oscar, mas quem levou o prêmio foi Jodie Foster.

Sem estereótipos

A outra indicação à estatueta de Melhor Atriz veio em 2012, em "Albert Nobbs", trabalho que, para Close, foi muito mais que apenas um papel. A artista lutou durante 15 anos para que a história do filme - contada sob um enredo teatral desde o início de sua carreira - fosse representada em forma de filme, com um roteiro escrito por ela.

A versatilidade da atriz foi a um de seus pontos máximos neste filme, pois ela aparece na pele de Albert Nobbs, uma mulher que se disfarça de homem na Dublin do século XIX, quando ser do sexo feminino significava passar por uma série de repressões. "A natureza desse tipo de filme é que você precisa ter essa louca paixão por trás deles, porque eles estão fora da caixa", disse ela à agência Reuters.

Para além de seus papéis marcantes, como a vilã Cruela De Vil, de "101 Dálmatas" (1996), Glenn tem um trabalho interessante por trás das câmeras, como dubladora. Apesar de não ter sido premiada com um Oscar, com certeza todos que, em algum momento, tiveram a oportunidade de apreciar qualquer trabalho da estrela, foram presenteados com a oportunidade de se deliciar com tanto talento.

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