Daniel Day-Lewis

Estilo e nobreza

Conhecido pelo rigor com que atua, o britânico Daniel Day-Lewis anuncia o fim da carreira no cinema

00:00 · 31.03.2018 por José Augusto Lopes - Especial para o Gente

Há muita gente torcendo para que o ator britânico Daniel Day-Lewis volte atrás em sua decisão de abandonar o cinema, logo agora que ele quase ganhou o Oscar pela quarta vez, na pele de um estilista famoso, no original filme "Trama Fantasma", do diretor Paul Thomas Anderson. Vários críticos o preferiam ao vencedor Gary Oldman, por considerar que recursos de maquiagem e o fato de interpretar uma personalidade famosa como o ex-primeiro ministro britânico Winston Churchill, com seus conhecidos tiques e cacoetes, em muito favoreceu a composição do personagem de Oldman. Já o desempenho de Day-Lewis, cheio de sutis nuanças psicológicas, só poderia ser levado a bom termo por um artista excepcional, que inclusive já foi eleito, pela revista Time, "O Maior Ator do Mundo".

Além de inúmeros prêmios e indicações em competições internacionais, Sir Daniel já ganhou três vezes o Oscar de Melhor Ator, por suas inspiradas e marcantes interpretações em "Meu Pé Esquerdo" (1989), no qual viveu o difícil papel de um homem com paralisia cerebral, cuja única parte do corpo que ele consegue controlar é um dos pés; "Sangue Negro" (2007) e "Lincoln" (2012), esta última produção baseada na vida do icônico presidente estadunidense.

Sempre versátil, mas muito exigente na escolha dos filmes a protagonizar, começou a brilhar no cinema tocando diretamente num tema bastante ousado em "Minha Bela Lavanderia" (1985), ao encarnar na tela um jovem inglês apaixonado por um árabe, que tem a coragem de enfrentar duplo e arraigado preconceito perante a sociedade londrina.

Sangue de artista

Filho de um laureado poeta inglês, Cecil Day-Lewis, com uma atriz, Sir Daniel nasceu e criou-se em Londres. Tem uma sólida e shakespeareana formação teatral, pois estudou e atuou na exigente Bristol Old Vic Theater School e na Royal Shakespeare Academy, ambas altamente seletivas na aceitação de seus integrantes. Não obstante, ao estrear no cinema, abandonou o estilo tradicional de interpretação e passou a adotar o "método" do ator russo Stanislavski, que prioriza a intuição do ator e a interiorização do personagem sobre qualquer tipo de afetação dramática. Mas foi por sua relevante contribuição ao teatro britânico que Day-Lewis conquistou a condecoração de cavaleiro, em 2014, recebendo o título de Sir das mãos do príncipe William, no Palácio de Buckingham.

Entre outras de suas mais aplaudidas atuações no cinema, estão: "A Insustentável Leveza do Ser" (1988), vitoriosa transposição para a tela do livro de Milan Kundera; "Uma Janela para o Amor" (1985); "A Época da Inocência" (1993), "Gangues de Nova York" (2002) e "Em Nome do Pai" (1993), que muitos apontam como sua melhor performance cinematográfica.

Casou com a famosa atriz francesa Isabelle Adjani, quando foi pai pela primeira vez, e tem dois filhos com a segunda esposa, Rebecca Miller, sua companheira desde 1996. Prestes a completar 61 anos, no dia 29 de abril próximo, Sir Daniel Day-Lewis frustrou recentemente seus fãs ao declarar-se definitivamente disposto a abandonar o cinema. Assim sendo, "Trama Fantasma" teria sido sua última aparição nas telas. Declaração um tanto difícil de acreditar, vinda de alguém que um dia afirmou categoricamente: "Se não me permitissem atuar como válvula de escape, não haveria lugar para mim na sociedade".

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