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Destaque natural

Após uma década sem participar da trama inteira de uma novela, Maria Fernanda Cândido é um dos destaques em "A Força do Querer"

00:00 · 16.09.2017

Pontual, porém marcante: é assim a presença de Maria Fernanda Cândido nas novelas brasileiras. Ainda que o número de personagens coadjuvantes seja maior do que o de protagonistas no currículo, ela consegue atrair olhares, chamar atenção pelo talento e deixar sua marca em cada trabalho.

Não está sendo diferente com o mais recente deles, na novela das 21h, da Rede Globo. "A Força do Querer" marca, de modo singular, o esperado retorno da atriz à teledramaturgia, após mais de dez anos afastada.

Simbólica

Na trama, ela dá vida a Joyce, uma personagem luxuosa, por vezes vista como fútil, e que, segundo a própria Maria Fernanda, experimenta um "universo em que se encontram o velho mundo e as novas questões". Se por um lado Joyce é traída pelo marido, cena que persiste dos relacionamentos antigos aos mais atuais, ela também tem uma experiência com questões contemporâneas, como a transexualidade do filho Ivan - que nasceu Ivana, no corpo de uma mulher, e passa por um processo de transição de gênero.

A personagem da atriz no folhetim ilustra outro lado da delicada questão da transexualidade. Ao passo que alerta sobre os preconceitos sofridos pelas pessoas trans, a novela também ilustra a inserção e adaptação dos pais nesse processo de transição. Um ponto discutível na produção, contudo, é a traição, ainda vista como espetáculo: a cena em que Joyce "toma" de volta o marido de volta da amante rendeu 43 pontos de audiência, o primeiro pico da novela.

O papel na trama de Glória Perez não é o único trabalho recente de Maria Fernanda, que foi o rosto escolhido para homenagear os 50 anos do clássico filme "Belle de Jour", de Luis Buñuel, em ensaio fotográfico no Copacabana Palace.

Carreira

A TV, o teatro e o cinema foram os grandes responsáveis por dar visibilidade nacional à atriz, mas a carreira profissional começou nas passarelas. Em 1988, aos 14 anos, ela foi descoberta por uma produtora de moda e chegou a morar em Paris e Nova York. Nesse período, desfilou para grifes como Versace, Prada e Dior.

A trajetória na televisão começou em 1998, com a participação especial na novela "Pérola Negra", do SBT. O sucesso maior veio no ano seguinte com o papel em "Terra Nostra", que rendeu a ela o Troféu Imprensa de revelação do ano. Em 2000, veio a estreia como protagonista na minissérie "Aquarela do Brasil".

Além de novelas como "Esperança", "Como Uma Onda" e "Paraíso Tropical", ela teve papéis marcantes em minisséries, como quando encarnou olhos de cigana oblíqua e dissimulada em "Capitu", produção feita pela Rede Globo para marcar o centenário da morte de Machado de Assis.

Sem buscar holofotes, como a atriz declarou em entrevista ao IG, Maria Fernanda Cândido é naturalmente grandiosa - nas passarelas, nos palcos e telas.

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