poesia

De dentro para fora

No município de Alto Santo, Interior do Ceará, nasceu Bráulio Bessa e também a sua poesia, que hoje é presença marcada nas manhãs das sextas-feiras, nas TVs de todo o território nacional

00:00 · 14.07.2018

Junto aos títulos de escritor, poeta, empreendedor social, ativista cultural e palestrante, bráulio bessa, 32, faz questão de ressaltar uma característica: é apaixonado por gente. Há três anos e meio, o cearense está presente na casa de milhões de brasileiros com um quadro semanal no programa "encontro com fátima bernardes", na tv globo, responsável por potencializar o seu já considerável sucesso.

Antes desse espaço na mídia nacional, bráulio já incentivava a cultura do nordeste através da página "nação nordestina" e dos vídeos declamando poesias, que já contabilizavam um milhão de inscritos em seu canal do youtube, e que chamaram a atenção da produção do programa de tv global.

De administrador de uma página, ele se tornou, em 2017, o artista mais assistido da plataforma digital da rede globo, da novela ao jornal. Os vídeos tiveram mais de 150 milhões de visualizações e se mantêm, até hoje, como o conteúdo de maior engajamento no portal da emissora.

Relevância

Toda essa representatividade e sucesso tremendos levam, inevitavelmente, à questão da fama. E quatro palavras formaram a resposta dele sobre o assunto: "nunca sonhei com ela". O nordestino que hoje é fenômeno só queria ser poeta e escritor - e conseguiu muito mais do que isso.

Para Bráulio, o seu alcance não é em vão. Ele representa os sentimentos de pertença e identidade. "Isso é uma resposta das pessoas. É o povo dizendo que existe, sim, público para consumir cultura popular nesse País", reforça. "Muita gente chega pra mim e fala 'Rapaz, até que enfim um nordestino levantando a nossa bandeira, com nosso sotaque, na Rede Globo!'. E eu sempre digo que a Globo é uma casa que deu e dá oportunidade a muitos nordestinos. A diferença é que grande parte chega lá e vira carioca, vira paulista. Eu continuo de verdade, cru", complementa.

Rumos poéticos

Bráulio diz que a poesia é um abraço. Daqueles despretensiosos, que se adaptam e fazem bem à dor de qualquer pessoa. O primeiro desses abraços veio de um professor, na época de escola, quando recebeu a tarefa que o nortearia por todo o seu trajeto: pesquisar sobre o trabalho de Patativa do Assaré. O que começou como dever de casa é hoje projeto de vida e inspirou, inclusive, o livro "Poesia com Rapadura", lançado por Bráulio no ano passado.

É verdade que os versos o acompanham desde Alto Santo, no Vale do Jaguaribe, mas a rotina mudou a produção. Se antes ele escrevia sem pressão e puramente por inspiração, hoje a atividade é semanal, com prazos curtos, e sem lugar certo para acontecer - desde hotéis a assentos de aeroportos. A essência, no entanto, permanece a mesma. "A poesia vem de dentro pra fora. E aqui dentro nada mudou", pontua o poeta.

Talvez seja essa característica imutável que o faz singular. Fiel às suas inspirações, ideais e raízes, o cearense continua a sonhar com o abstrato. Carro, casa, seguidores, dinheiro e viagens foram consequência de um sonho que, para muitos, é muito menor: o de lançar um livro. "Eu sonho em ter paz, ter sossego, poder continuar vivendo o que eu vivo", conta. Assim, abraçando a existência de cada um de seus leitores e espectadores, ele segue o caminho de poeta. Os abraços são o segredo.

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