Coppola desbravadora

A cineasta Sofia Coppola vem sendo contemplada com premiações raramente concedidas a mulheres

00:00 · 03.06.2017

O talento para o cinema transmitido pelas gerações da família Coppola é inegável - e em uma integrante específica desse clã, a vocação se desenvolveu de maneira peculiar. Filha do cineasta Francis Ford Coppola - aclamado por dirigir a trilogia "O Poderoso Chefão" - e irmã do também cineasta e roteirista Roman Coppola, Sofia Coppola tem, hoje, espaço importante no cenário do cinema mundial. Reconhecida por dirigir filmes como "As Virgens Suicidas" (1999) e "Bling Ring: A Gangue de Hollywood" (2013), ela já recebeu diversos prêmios e indicações nos maiores festivais de cinema, ocasiões em que, historicamente, poucas mulheres são reconhecidas. No Festival de Cannes deste ano, ela desbravou territórios mais uma vez: foi a segunda mulher a receber o prêmio de melhor diretora, com o filme "O Estranho Que Nós Amamos", interrompendo uma pausa de mais de cinco décadas após a russa/soviética Yuliya Solntseva ter recebido o troféu, em 1961, pelo filme "A Epopeia dos Anos de Fogo".

O começo

O curioso sobre Sofia é que, apesar do berço artístico em que nasceu, o sucesso e reconhecimento atrelados ao seu nome nem sempre estiveram presentes na trajetória da artista, que passou por reprovações para chegar ao patamar atual. O início dela no mundo cinematográfico foi como atriz, em 1990, no longa "O Poderoso Chefão III", dirigido pelo pai.

A atuação de Sofia na película rendeu indicações e até prêmios, mas no Framboesa de Ouro, espécie de festival humorístico que nomeia os piores atores e filmes, dentre outras categorias. Em 1999, ela foi novamente indicada a pior atriz coadjuvante pela participação em "Star Wars: Episódio I - A Ameaça-Fantasma". A virada da carreira veio com "As virgens suicidas", primeiro longa que ela dirigiu e que foi não só aclamado pela crítica, mas já colocou em pauta, naquela época, temas como aprisionamento social e moral sofrido pelas mulheres.

Protagonismo

Nos trabalhos seguintes, Sofia foi ganhando cada vez mais respeito por sua postura enquanto diretora de cinema e reforçando a presença feminina em ocasiões como 2010, quando foi a primeira norte-americana a ganhar o Leão de Ouro, maior prêmio do Festival de Cinema de Veneza.

Em Cannes, este ano, ela uniu seu trabalho à importância do protagonismo feminino ao ser reconhecida com um remake que, diferente da versão original, traz uma mulher como protagonista da história. "Era preciso dar voz às garotas", disse Coppola, em recente entrevista.

Outras vertentes

Além do cinema, Coppola já deu contribuições ao mundo da moda. Ela foi estagiária da Chanel durante a adolescência e, mais tarde lançou a própria coleção de roupas, Milk Fed. A relação com a moda tem reflexos até hoje, uma vez que Sofia é presença certa nas primeiras filas de grandes desfiles, é musa de Marc Jacobs e já assinou coleções para a Louis Vuitton.

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