Coluna

Viver melhor: Três sinais de alerta

00:00 · 04.02.2017

Uma entrevista com Simon Sinek, consultor de marketing e autor de livros sobre liderança, circulou recentemente nos grupos de WhatsApp e serviu de sinal de alerta para muitos adolescentes, jovens e principalmente pais, inclusive eu. Ele comenta sobre a geração que nasceu a partir de 1994, conhecida como Geração Z, e suas dificuldades ao ingressarem no mercado de trabalho. Dos pontos que ele mencionou, refleti sobre três que mais chamaram a atenção:

1) Tecnologia - Vivemos no mundo do Facebook e do Instagram, onde as pessoas, principalmente os mais jovens, estão ficando cada vez mais craques em colocar "filtros" em tudo, mostrando uma vida sempre maravilhosa mesmo quando não é. Todo mundo parece forte, feliz e bem resolvido, quando na verdade, há muitos com baixa auto estima, incertezas, e até depressão. Quando se submetem a entrevistas profissionais, conseguem perfeitamente mascarar suas inseguranças e assumir personagens autoconfiantes com respostas prontas para todas as perguntas, mas quando de fato iniciam o trabalho na vida real, percebem que os "filtros" não se sustentam por muito tempo.

Somado a isso, Simon alerta para o poder viciante que o uso de celulares tem. Ao usar o celular e navegar nas redes sociais, nosso cérebro libera uma substância chamada dopamina, que nos traz uma sensação prazerosa. Dopamina, no entanto, é a mesma substância liberada quando pessoas praticam vícios como fumar, beber e jogar. A questão é que temos restrições de idade ao fumo, à bebida e ao jogo, mas nenhuma restrição ao uso de celular e redes sociais. Consequência? Uma geração ansiosa com busca excessiva de aprovação social e viciada na companhia do celular como sua única fonte anti estresse.

Ao chegarem à fase adulta, percebem-se incapacitados em cultivar relacionamentos duradouros e em manter amigos a quem, de fato, possam recorrer nos momentos turbulentos da vida. O problema não está no uso do celular em si, mas no desequilíbrio e na liberação do uso precoce. Se ao falar com seu filho, ele não lhe responde distraído no celular, se em restaurantes ele não consegue sustentar uma conversa olho no olho, se a interação com os amigos é prioritariamente através de mensagens ou redes sociais, se em reuniões de trabalho, olha mais para o celular do que para as pessoas presentes, e se pegar o celular é a primeira coisa que ele faz ao acordar e a última antes de dormir, possivelmente ele está no grupo dos viciados.

2) Educação falha dos pais - A característica mais marcante da Geração Z é "ter direito a tudo que querem". Eles não estão sendo educados para servir. Pelo contrário, estão sendo criados "para serem servidos". Os pais dessa geração fazem seus filhos acreditar que eles podem ter tudo o que querem na vida. "Você quer, você pode". Quando repreendidos por professores ou outras autoridades devido a comportamentos indevidos, os pais logo tratam de intervir. E mais do que buscar compreender o fato para a correção, optam em ir à escola, à polícia ou onde quer que seja para tomar satisfação.

Quando chegam ao mercado de trabalho, esses jovens se deparam com um mundo duro que não amansa nem alisa. Logo descobrem que na vida não é só querer para ter e que seus pais nem sempre estarão lá para defender. Percebem também que nada cai do céu sem persistência e determinação e que, para vencer, é preciso passar por alguns "nãos". Se nós, pais dessa geração, queremos ver nossos filhos equilibrados e bem sucedidos, precisamos ensiná-los a ser contrariados e a lidar com a frustração.

3) Impaciência e imediatismo - Se eles querem comprar algo, vão à Amazon; se querem assistir um filme, vão ao Netflix; se querem sair com alguém, também há aplicativo para isso. Tudo se consegue com recompensa imediata. Nossos jovens não estão sendo treinados no lento processo à base de tentativas e erros que ensina que é necessário muito esforço e paciência para colher o que foi semeado. Nossos filhos precisam entender que as coisas que realmente importam na vida, como amor, realização, amizade, autoconfiança e felicidade verdadeira, necessitam, todas elas, de algo em comum: tempo!

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