Coluna

Viver Melhor: Tempo favorável

00:00 · 04.03.2017

Para que o tempo é favorável? Cada um de nós certamente teria uma resposta diferente para essa pergunta. Para uns é tempo de chorar, para outros, de sorrir. Uns diriam que é tempo de trabalhar, outros, que é tempo de descansar. Talvez seja tempo de economizar; para outros, tempo de usufruir. Tempo de partir; para outros, de voltar. Tempo de recuar ou de avançar; tempo de refletir ou tempo de recomeçar. Para tudo há um tempo.

Para os cristãos católicos, é tempo de Quaresma, tempo de mais oração, de reavaliação, de conversão. Tempo para convidar quem está distante a chegar mais perto; e tempo para convidar quem está perto a tornar-se ainda mais íntimo. Tempo para deixar passar o que estava velho e fazer novas todas as coisas. Tempo para nos voltar para Ele, rasgar nossos corações, olhar o para o essencial e encontrar dentro de nós o que temos de melhor para oferecer.

O tempo é favorável ao amor. É claro que sempre é tempo favorável para amar, mas quando muitas pessoas internalizam um tempo de "retiro coletivo" e se unem em uma única força de oração, o tempo fica ainda mais favorável. Muitos cristãos estão unidos nesse tempo de graça, em torno de um mesmo objetivo: viver mais perto de Deus, viver mais perto do amor. Quando estamos mais perto do amor, naturalmente inspiramos os outros a fazerem o mesmo.

Quanto mais focamos em ser agradáveis a Deus, mais livre nos tornamos da busca de reconhecimento dos homens. Percebo uma exposição excessiva de tantas pessoas em uma busca exagerada de reconhecimento ou aprovação social. O tempo é favorável para buscarmos primeiramente o olhar de Deus, o olhar que de fato nos conhece e nos reconhece como verdadeiros filhos Seus.

Recentemente assisti a um vídeo da escritora e palestrante Nicole Johnson. Ela conta que muitas vezes sentia-se invisível para muitas pessoas, pouco percebida pelo que fazia pelo seu marido, filhos e amigos. Um dia ela recebeu um presente de uma amiga: um livro sobre as grandes catedrais da Europa. Não entendeu a razão do presente, até que leu a dedicatória: "Com admiração, por tudo de bom que você constrói e ninguém vê". Folheando o livro, ela percebeu que os nomes das pessoas que construíram as catedrais não eram citados. Na maioria das imagens, constava-se "construtor desconhecido". Grandes artistas não conhecidos pelos homens, mas que certamente tiveram seus nomes gravados no coração de Deus.

No livro, há menção a um dos operários que estava na coberta esculpindo um passarinho que mal daria para ser visto. Alguém passou e perguntou: "Por que gastar tanto tempo fazendo algo que ninguém verá?". E ele respondeu: "Porque Deus vê!". Mesmo que não houvesse reconhecimento dos homens, havia sentido no sacrifício daquele homem, uma motivação maior para construir uma obra para Deus. Naquele momento, ela conta, era como se Deus lhe falasse: "Eu vejo você. Você não é invisível para mim. Nenhum sacrifício seu é pequeno que eu não veja". Ela compreendeu que mais importante do que ser vista e percebida pelos homens é ter a certeza que Deus a vê.

Esse é o tempo favorável para nos voltarmos para dentro e perguntar: que obra estou construindo? Para quem ofereço minha vida? Que propósito maior envolve o meu trabalho, a minha família, os meus projetos e os meus objetivos? Será que faço o que faço para entregar como oferta a Deus ou para bus-car reconhecimento dos homens?

A vida é um monumento em constante construção. Como muitos operários de catedrais, também não veremos toda nossa obra concluída. Nossos filhos, amigos e pessoas que fazem parte da nossa história continuarão o que iniciamos e, muito mais importante do que nossos nomes por eles serem citados, é o legado que deixaremos para eles. Tudo passa. Só o amor fica.

O Papa Francisco nos lembra: o tempo é favorável para sorrir, agradecer, lembrar às pessoas o quanto as amamos, cumprimentar as pessoas com alegria, ouvir a história do outro sem julgamento, parar para ajudar, animar alguém, separar o que não usamos e dar a quem precisa, ajudar alguém a descansar, corrigir com amor, fazer delicadezas, limpar o que sujamos em casa, ajudar os outros a superar obstáculos e telefonar para nossos pais para dizer-lhes palavras de carinho. Olha como é simples!

O tempo é favorável para simplificarmos a vida, para abrirmos mão dos excessos, colocarmos Deus em evidência e nos surpreendermos com Sua incrível capacidade de nos amar. Peço a Deus que a sua vida e seu trabalho sejam uma catedral de amor ao nosso Senhor. Uma santa e feliz quaresma para você e para os seus!

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