Coluna

Viver melhor: Qual é o seu talento?

00:00 · 18.02.2017

Uma das coisas que mais me fascinam no meu trabalho é conseguir abrir canal de acesso a "minas de ouro" no coração das pessoas. Lá encontro tanta beleza escondida, tesouros guardados e muito potencial retido. Lá encontra-se uma fonte preciosa de realização e sentido em nossas vidas: nossos talentos!

Para iniciar, é importante esclarecer que talento não é sinônimo de habilidade nem de competência. Talento é uma capacidade natural que temos para realizar e aperfeiçoar alguma habilidade ou conhecimento. É uma inclinação favorável para desempenharmos alguma atividade com nível acima da média. Habilidade é uma capacidade técnica para executar alguma atividade ou tarefa (desenhar, fazer cáculos, gerir processos ou falar em público, por exemplo). Já competência é o conjunto do talento e da habilidade, somado ao conhecimento e muita prática.

Macolm Gladwell, colunista do jornal The New Yorker e autor do livro "Fora de Série", realizou inúmeras pesquisas em diferentes segmentos da arte, dos esportes e das empresas e descobriu que as pessoas consideradas "fora de série" em termos de performance são aquelas que souberam identificar seus talentos naturais, praticaram muito e também souberam aproveitar as oportunidades do meio. A fórmula que sintetiza toda sua teoria é "Êxito = Talento + Prática + Meio".

Trazendo o tema especificamente para o mundo corporativo, a Gallup Organization realizou uma pesquisa com 1,7 milhão de funcionários de 63 países e nos trouxe informações interessantes sobre a importância da identificação dos talentos. O primeiro dado relevante é que somente 20% das pessoas entrevistadas acham que usam seus talentos no dia a dia. Por outro lado, as pesquisas mostram que pessoas que trabalham utilizando seus pontos fortes apresentam uma produtividade seis vezes maior.

Imagine o aumento de produtividade e, consequentemente, de rentabilidade, se as empresas dobrassem esse número e passassem a ter 40% dos funcionários afirmando que têm a oportunidade de usar seus talentos no dia a dia de trabalho.

No livro "Primeiro quebre todas as regras", Marcus Buckingham e Curt Coffman defendem que a razão pela qual 8 de cada 10 funcionários se sentem um tanto deslocados de suas funções é o fato de que a maioria das organizações se apoia em duas premissas equivocadas acerca de pessoas: 1) uma pessoa pode aprender a ser competente em qualquer área que deseje; e 2) o maior potencial de crescimento de cada pessoa está nas áreas onde ela tem seu ponto mais fraco. Baseadas nessas premissas, muitas organizações gastam a maior parte do tempo e dos recursos tentando desenvolver as pessoas em uma lista de competências em que elas apresentam maior dificuldade de desempenho.

Ao entrevistar 80 mil gestores de mais 400 empresas, a Gallup Organization também revela que grandes gestores não acreditam que qualquer pessoa pode alcançar qualquer coisa que queira só porque colocou na cabeça, mesmo que com acréscimo de esforço. Angela Lee Duckworth, autora do livro "Garra", afirmou, em matéria da última revista Exame, que "esforço é mais importante que talento", mas a pesquisa da Gallup está aí para contestar.

Então, o que fazer? Mais do que corrigir as fraquezas, a sugestão é investir em ferramentas e programas de desenvolvimento que favoreçam a descoberta e o reforço dos talentos. Grande ênfase é sugerida para o processo de seleção, que deve contemplar mais perguntas de identificação de talentos do que de habilidades e competências. Esses talentos não são levantados através de perguntas diretas mas através de simulação de cenários que permitam a identificação do que motiva a pessoa, a forma que ela pensa e a forma que ela se relaciona.

Isso tudo me desperta uma curiosidade sobre as qualidades únicas de cada pessoa. Creio que as generalizações ofuscam o que cada um tem de especial para oferecer. Mais do que as similaridades, hoje valorizo identificar as particularidades, de tal modo que cada pessoa possa realizar repetidamente aquilo faz melhor. Sinto-me como alguém que sai à caça de um tesouro. A oportunidade de descobrir os talentos de cada pessoa, aprender sobre o que as motiva, sobre como cada uma pensa e ajudá-las a liberar potencial é o que enche meu trabalho de realização e sentido.

E você? Quais são suas inclinações naturais? Qual é o seu talento?

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