Coluna

Viver melhor: Por trás da janela

00:00 · 24.06.2017

Por trás da janela, quem é ela? Uma parte dela é possível de se ver, outra parte ela faz questão de esconder. Tem o que é visto só pelo lado de fora da janela, e tem algo desconhecido sobre ela, que os outros e nem ela mesma conseguem ver. Assim somos eu e você. Como alguém por trás da janela, há uma parte conhecida sobre nós, há aquilo que os outros veem mas não conseguimos enxergar, há o que insistimos em não mostrar e há o que ninguém consegue acessar.

O que você conhece sobre si mesmo? O que os outros percebem em você que ainda não é conhecido por você mesmo? E o que os outros e nem você mesmo sabem sobre você? Essas são algumas perguntas provocadas pela ferramenta de autoconhecimento criada em 1955 pelos psicólogos Joseph Luft e Harry Ingham, que recebeu o título de Janela de Johari.

A janela é formada por quatro quadrantes. O primeiro é a "área aberta" ou "arena" que contempla aquilo que é conhecido pelo indivíduo e pelos outros. Se você é um empresário, por exemplo, na área aberta pode estar sua história empresarial e seus valores o claramente percebidos por todos aqueles que trabalham com você.

O segundo quadrante é a "área cega". Esse espaço representa aquilo que os outros veem em você, mas que ainda não foi reconhecido por você mesmo. Por exemplo, você pode ter baixa auto-confiança e revelar inseguranças que as pessoas da sua equipe percebem mas que você ainda não percebeu. O terceiro quadrante é a "área oculta" ou "fechada". Aqui está o que você conhece sobre si mesmo mas que os outros não sabem, principalmente vulnerabilidades que você faz questão de manter escondidas.

O último quadrante é a "área desconhecida". Essa área inclui o que ninguém conhece, inclusive você mesmo, e que são acessadas ao longo do tempo com suas próprias experiências de vida e vivências de autoconhecimento diversas como processos terapêuticos, práticas de espiritualidade, discussão em grupos e processos de coaching.

No meio corporativo, a Janela de Johari pode ser uma valiosa ferramenta para seu desenvolvimento profissional e para construção de confiança entre sua equipe. Pedindo feedback às pessoas que convivem com você, é possível ampliar sua arena e reduzir sua área cega. Membros de grupos que você faz parte podem, por exemplo, revelar o que percebem em você, contemplando seus pontos positivos como sugestões de desenvolvimento.

Por outro lado, você pode reduzir sua área oculta, revelando informações pessoais que não lhe comprometam mas que favoreçam a aproximação e construção de confiança. Percebo que muitas pessoas têm medo de se revelar. Muitos enxergam o meio corporativo como um ambiente perverso para o qual precisam adotar alguns mecanismos de proteção. Para isso, máscaras e personagens são a toda hora acionados para fazer valer o que só parece ser. Por exemplo, pessoas revelam-se conhecedoras de todas as coisas, não fazem perguntas e não expressam a apreciação do trabalho dos colegas para não parecerem menos capazes.

Na minha opinião, a única forma de construir confiança em um grupo é revelando nossas verdades e vulnerabilidades uns aos outros. Relações com fachada não geram crescimento. É preciso profundidade de conhecimento. Não é preciso expor o que é para você constrangedor, porém, quanto mais verdadeiro você for, mais chances haverá do seu time vencer.

Quanto mais aberta for sua janela, mais conhecida será ela, sua identidade, sua essência, sua força, sua verdade. Maravilha é saber que, à medida que o ser humano amadurece, perde a capacidade de fingir. Relações crescem e se fortalecem quando decidimos abrir nossas janelas. Há risco em aparecer, porém maior risco há em se esconder. Antes o desafio de se expor e ganhar o prêmio de se conhecer do que a "vantagem" de se proteger e nunca vir a se descobrir.

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