Coluna

Viver melhor: O que evitar no diálogo

00:00 · 10.03.2018

Quem já teve a experiência de falar e não ser compreendido? Ou de falar e se arrepender pela ferida que causou no outro? Muitas vezes temos razão no conteúdo mas pecamos na forma de falar. Certa vez usei a metáfora que seria como "entregar pedras preciosas enroladas em sacos de pão". Pecamos por falar de qualquer jeito, de forma desorganizada e sem preparação. Palavras que, mesmo sem a intenção, soam como agressão. Em vez de entregues como um presente na mão, são jogadas como lanças no coração.

Sabemos que o diálogo é a solução para muitos problemas de relacionamento, mas muitos optam pelo silêncio devido à sequência de diálogos mal sucedidos. No meu ponto de vista, tanto a ausência do diálogo quanto o diálogo mal estruturado são alguns dos principais motivos do resfriamento e do distanciamento nas relações.

Unindo as dicas de especialistas em diálogo, as experiências que adquiro no meu trabalho como coach e sobretudo os aprendizados que tive a partir dos meus próprios erros, sintetizei quatro dicas do que deve ser evitado para que os diálogos tenham melhores resultados:

1) Evite tom de acusação. Quando as pessoas invadem alguns "limites de segurança", geralmente reagimos com intensidade. Esses limites são desrespeitados quando a fala do outro, de certa forma, soa como uma acusação ou julgamento da nossa identidade. Sentir-se acusado causa imediatamente uma reação de proteção (justificativa) ou acusação reversa (ofensa). Evite, portanto, acessar os gatilhos emocionais do outro, ou seja, caminhe longe dos pontos emocionais vulneráveis que podem gerar no outro o sentimento de condenação.

2) Evite muitos assuntos em um único diálogo. Muitos conflitos se iniciam pelo cansaço causado pela suposta "conexão" de um assunto que puxa o outro, mas que na verdade não deveriam ser conectados naquele momento. Vale a pena escolher um assunto por vez e não tornar complicado o que pode ser simplificado.

3) Evite tom moralista. Diálogo, mesmo que corretivo, deve evitar passar um clima de "lição de moral". Evite corrigir dando seus exemplos como referência de comportamento ou citando teorias e conceitos que, embora verdadeiros, são desnecessários para o momento.

4) Evite fazer suposições. Muitos de nós falhamos por isso: agimos baseados em suposições do que o outro está pensando ou sentindo na situação. Muitas vezes nos enganamos em interpretações prévias e já iniciamos o diálogo cheios de emoções negativas. Antes de assumir suas suposições como verdade, dê ao outro a chance de falar e escute-o com abertura.

Costumo dizer que o melhor diálogo é aquele que gera um resultado desconhecido por ambas as partes. É o diálogo despretensioso de ter um vitorioso. Aquele experimentado em campo neutro, livre de condenação e favorável para a reconciliação. Aberto para ensinar e aprender, mesmo que a razão esteja supostamente com você.

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