coluna

Viver melhor: O que é "mindfulness"?

00:00 · 02.09.2017

Antes de responder essa pergunta, gostaria de lançar uma outra: Por que a vida é tão difícil? Ou melhor, por que tornamos a vida difícil? O psicólogo e professor da Harvard Medical School, Ronald Siegel, aponta algumas razões: Ao longo da história não fomos "treinados" para sermos felizes, evoluímos para sobreviver; ele afirma. Para o homem que vivia na selva, havia duas situações frequentes: pensar existir um leão atrás da árvore mas não haver ou pensar não ter um leão atrás da árvore mas de fato existir. Se fosse você, o que você acharia mais seguro pensar? Ser otimista naquela situação não era uma boa opção, por isso o homem evoluiu com padrões de pensamentos adequados para uma vida em constante ameaça e risco. Hoje, muitas pessoas vivem de fato em situações de perigo, mas de uma forma geral, a maioria dos riscos que enfrentamos são sofrimentos desnecessários, frutos de uma imaginação negativa.

Outra razão para tornar nossas vidas mais difíceis é a tendência natural do ser humano para resistir à mudança. Nosso cérebro procura automatizar tudo o que fazemos para nos poupar energia, portanto diante de uma nova ideia ou situação, tende a resistir e, consequentemente, a sofrer. Como a mudança está diariamente presente em nossas vidas, a resistência e o sofrimento também se tornam.

O terceiro motivo apontado nos estudos de Siegel é a tendência do ser humano de colocar as coisas, lugares e, principalmente, pessoas em rankings, evidenciando quem é melhor, quem é pior, quem é o primeiro e quem é o último. Essa nossa tendência natural de comparação gera em todos nós sentimentos constantes de fracasso e de inadequação já que não conseguimos ficar sempre no topo.

Uma das soluções apresentadas para minimizar essa nossa desarmonia interior é a prática de "mindfulness". Termo americano usado para descrever a capacidade de colocar a mente em um estado de consciência plena no presente, com aceitação de tudo que se vive no momento. A prática nos convida a acolher a realidade e não fugir dela, ficando em paz com a inevitabilidade da mudança, com a certeza das oscilações e com a impossibilidade de sempre vencer. Geralmente tentamos nos sentir melhores fugindo do contato com a dor ou diminuindo a intensidade das nossas experiências dolorosas, enquanto no "mindfulness" somos convidados para aumentar nossa capacidade de suportá-las. Portanto, não é uma anestesia, é uma consciência atenta no momento e ao que se passa por dentro.

Embora o termo ainda não seja muito conhecido no Brasil, a prática é muito antiga. Sua origem está nos métodos de meditação oriental e hoje é considerada uma tendência promissora no mundo corporativo pelos benefícios que tem provocado nas empresas já adeptas dessa prática. O engenheiro de computação Chade-Meng Tan, por exemplo, trabalhou na Google por 15 anos e lá implantou um programa de "mindfulness" chamado "Search Inside Yourself" (Pesquise Dentro de Você), considerado um sucesso pelos inúmeros benefícios trazidos ao time, como redução de estresse, aumento de foco e eliminação de riscos de "burnout".

As práticas modernas de "mindfulness" podem ser vivenciadas facilmente no dia a dia, enquanto estamos deitados, sentados, em pé ou até andando. Mais do que um estado da mente é uma atitude de interesse em relação a tudo o que está acontecendo dentro de si e no entorno. O psicólogo Dan Gilbert defende a ideia que o bem-estar que tanto buscamos não está relacionado com o que fazemos mas ao nível de atenção que depositamos naquilo que estamos fazendo. Para começar a prática de "mindfulness", o primeiro passo é bem simples: parar e respirar. Uma vez consciente da respiração que nos mantem vivos e energizados, naturalmente deslocamos nossa atenção para o bom e para o belo do aqui e do agora.

Últimos Artigos

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.