Coluna

Viver melhor: O que destrói o sentido do trabalho?

00:00 · 10.06.2017

Você já se sentiu aflito sobre questões de trabalho, carreira e realização? Já sentiu angústia em relação a dúvidas profissionais? Já experimentou a sensação de ver seu trabalho perder sentido? Já se percebeu de repente perdido? Questões como essas são antigas, e ao mesmo tempo atuais, entre filósofos, psicólogos, líderes, executivos, empresários e profissionais de uma forma geral, todos na busca de entender o que realmente nos move no trabalho.

Viktor Frankl escreveu sua clássica obra "Em busca de sentido"; Mario Sérgio Cortella recentemente lançou o livro "Por que fazemos o que fazemos?"; e uma pesquisa do MIT (Massachusetts Institute of Technology), conduzida por Catherine Therine Baily e Adrian Mad-den, divulgou um conteúdo valioso para líderes revelando os sete pecados capitais para destruição do sentido do trabalho.

O primeiro é risco físico ou emocional. Colocar-se em situação de risco faz parte de muitas profissões. Pessoas que trabalham em ambientes com risco geralmente compreendem e até apreciam as características de perigo naturais da profissão que optaram. Porém, ser exposto desnecessariamente a situações de risco físico e emocional, ou viver experiências arriscadas não acordadas, fazem as pessoas aos poucos não verem mais sentido em seus trabalhos.

O segundo é o sentimento de isolamento. Por mais que muitos digam que "gente é difícil", queremos gente perto da gente. Todos nós temos uma necessidade essencial de nos conectar-mos. Queremos de alguma forma compartilhar o nosso trabalho. Quando nos percebemos com poucas conexões, sem experiências de troca com outras pessoas, começamos a nos sentir isolados, em um espaço que parece não ser nosso e, consequentemente, o trabalho perde a razão de existir.

O terceiro pecado é não ser escutado. Pessoas se sentem empoderadas quando são escutadas. Todos nós queremos que nossas opiniões, ideias e experiências sejam consideradas, mesmo que não aprovadas. Muitos associam essa questão a uma mera carência de ego, mas na verdade trata-se de uma necessidade humana essencial que é de contribuir.

O quarto ponto é o tratamento injusto. Faz sentido o pensamento de Aristóteles segundo o qual para manter a igualdade, o tratamento deve ser desigual entre os desiguais; porém, quando as pessoas se veem em situações iguais com critérios de tratamento desigual, sentem-se injustiçadas.

O quinto são as tarefas sem propósito. Todos nós queremos sentir, ao fim do dia, a sensação de produtividade e de bom uso do nosso tempo. Quando somos solicitados a fazer atividades sem propósito, sem visão, sem explicação ou sem conexão com aquilo que de fato sabemos fazer, sentimo-nos subutilizados ou até inúteis, o que fere a necessidade do ser humano de envolver-se em atividades com significado.

O penúltimo é o não reconhecimento. Sim! Todos queremos reconhecimento. A falta de elogio, de agradecimento e de apreciação do nosso trabalho certamente nos rouba energia e engajamento. Isso não é carência, é necessidade humana. Até ausência de um "bom dia" ou um tratamento indiferente dos líderes para com seus liderados são comportamentos que afetam diretamente a percepção de valor do trabalho.

O último pecado, segundo a pesquisa do MIT, é a mais citada razão para destruir o sentido no trabalho: desconexão entre os valores do indivíduo e da organização. É insustentável, e chega a ser angustiante, trabalhar em um espaço com valores divergentes, e também incoerentes. Líderes com posturas contrárias aos valores pregados pela organização estão entre os motivos mais recorrentes de perda de sentido do trabalho. Ideias podem conflitar, valores não.

O estudo mostra que a busca de sentido no trabalho continua sendo de responsabilidade de cada indivíduo, mas a destruição do sentido no ambiente produtivo é causada significativamente pela liderança nas organizações. Fica então o convite, a todos nós líderes, a refletir e fazer os devidos ajustes na nossa liderança para que, em vez de motivo de destruição, sejamos fonte de inspiração!

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