Coluna

Viver Melhor: nova vida

00:00 · 07.04.2018

Recentemente, durante uma das minhas reflexões, fiz-me uma pergunta: se você pudesse hoje começar uma vida toda nova, como seria sua vida? Escrevi páginas e páginas no meu caderno para essa pergunta e depois percebi uma curiosidade: a maioria das respostas que escrevi não se referiam a eventos extraordinários que eu esperava acontecer na minha vida, mas a questões comportamentais, emocionais e relacionais do meu dia a dia.

Algumas semanas depois dessa minha reflexão, tive a experiência de conversar com o Padre Serafim, um sacerdote de 94 anos que conheci em Fátima, Portugal. Com sua experiência, simplicidade e sabedoria, ele me dizia: "Deus na sua infinita misericórdia, dá-nos a oportunidade de zerar as nossas vidas e começar uma vida nova quando assim desejamos". E começamos a conversar sobre essa vida nova; ou melhor, sobre a nova vida. Sim, porque uma vida nova não é o mesmo que uma nova vida.

Quando alguém diz que está se relacionando com um "homem novo" é diferente de quando diz que está se relacionando com um "novo homem". Uma nova vida é uma vida diferente, renovada, embora preservada na sua essência. Quando decidimos por uma nova vida, mantemos nossa história, nossos valores, conquistas, erros e aprendizados, mas renovamos a cada dia aquilo que já está velho ou até "sepultado". Muitas vezes, ao longo do caminho, deixamos morrer em nós o que gostaríamos que ainda estivesse vivo. Percebi que na minha nova vida, havia muito mais a ser resgatado do que construído.

Lembrei-me então do que escuto dos meus clientes nas sessões de coaching. Percebo que é tão comum as pessoas dizerem: eu era mais alegre, eu era mais otimista, já fui mais engraçado, antes eu confiava mais nas pessoas, deixei de ser romântica, antes eu tinha mais garra, já fui mais divertido, antes eu sorria mais, ousava mais, me arriscava mais; enfim, tenho saudade de mim? Para viver a nova vida é preciso identificarmos o que não queremos deixar morrer. É preciso também sairmos do lamento, da nostalgia ou da paralisia e adotarmos um espírito de gratidão, resgate e ação.

Às vezes elegemos culpados ou buscamos alguns responsáveis pela nossa alegria que se foi ou pela nossa força que se esgotou, até que um dia temos um insight que ninguém é culpado nem responsável por ter deixado morrer em nós aquilo que um dia tão bem nos definia. Conversando com aquele precioso padre, naquela tarde de luz e naquela abençoada terra, percebi tantas oportunidades de mudanças e movimentos que dependiam tão somente de mim. Talvez alguns dos aprendizados, que registrei naquele dia especial, possam também ajudar você a viver sua nova vida. Deixo aqui cinco deles:

1) Visualize e escreva a nova vida que você gostaria de ter: se hoje fosse possível uma nova vida, como seria?

2) Revisite as promessas que fez ao longo da vida, pois nem sempre a nova vida está naquilo que precisa ser construído, mas possivelmente no que deve ser resgatado: como você está vivendo o que assumiu ao longo da vida? Que compromissos, virtudes ou talentos devem ser resgatados?

3) Mais importante do que aquilo que você faz é a maneira como faz as coisas: como você tem feito o que faz?

4) Independentemente do que você faz, reduza as críticas e aumente os estímulos nas suas relações: para que lado tem pesado mais sua balança? Que mudanças você precisa fazer para criticar cada vez menos e estimular cada vez mais?

5) As pessoas aprendem com os olhos mais do que com os ouvidos: o que as pessoas têm aprendido com suas atitudes mesmo que não tenham escutado o seu discurso?

Para que a nova vida seja possível, aprendi ainda que não importa se nossas mudanças sejam grandes ou pequenas, o que importa é que sejam contínuas. Termino compartilhando o que ouvi de uma amiga muito especial: "sendo quem tu tens que ser, tu verás teu brilho e alegria renascer". Feliz NOVA VIDA!

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