Coluna

Viver Melhor: Mãe também erra

00:00 · 12.05.2018

Todos nós sabemos que o amor de mãe, seja da qualidade que for, exerce uma força imensurável de influência na vida dos seus filhos. Cada vez mais, percebo que presente ou ausente, leve ou exigente, trabalhando ou não trabalhando, conversando ou silenciando, privando ou permitindo, elogiando ou corrigindo, em todos os modelos e versões de mãe, de alguma forma, erramos.

Erramos quando inconscientemente cobramos amor, atenção e gratidão dos nossos filhos, como se existisse uma conta invisível. Erramos quando nos omitimos, quando deixamos o amor subentendido, como se o óbvio pudesse facilmente ser percebido. Quando não falamos, quando não nos posicionamos, quando não temos a coragem de intervir e mudar o destino. Erramos também quando permitimos demais, quando não temos força emocional para contrariar nossos filhos; quando damos o nosso SIM quando deveria ser um simples NÃO.

Erramos quando os deixamos assumir o comando do nosso lar, invertendo os papéis e dando-lhes o direito de tudo decidir por nós. Erramos quando damos pouco amor, quando economizamos demonstração de afeto, causando em seus corações marcas de carência, insegurança e dor. Erramos quando não damos sinal de amparo, provocando neles a sensação de não terem a quem recorrer. Quando não os elogiamos ou reconhecemos, deixando-os inseguros do valor que eles têm ou da capacidade que possuem. Erramos quando somos agressivas, quando os damos adjetivos tão destrutivos e deixamos sair da nossa boca palavras mais afiadas que espadas.

Erramos quando damos em excesso, os deixando atrofiados na capacidade de lutarem pelo que sonham. Quando supervalorizamos seus talentos em relação a seus esforços e quando os superprotegemos, sem deixá-los cair e aprender com suas próprias quedas. Erramos quando não lhes damos tempo nem espaço para dialogar. Quando pensamos tudo saber, quando não reconhecemos nossos erros e não temos humildade para com eles aprender. Erramos quando deixamos nosso orgulho crescer e, na verdade, fracassamos quando os abandonamos, quando deixamos de neles acreditar ou quando não nos permitimos perdoar.

Diante de tantos possíveis erros, cabe-nos hoje pedir a nossos filhos perdão, e a Deus a graça da transformação. Que Ele nos capacite na arte de discernir o equilíbrio entre todas as coisas: de elogiar e corrigir; de privar e permitir; de aceitar e contrariar; de exigir ou negociar. Que Ele nos dê sabedoria para unir firmeza e docilidade em perfeita sintonia. Que sejamos presentes na vida dos nossos filhos na medida certa, ocupando o papel que é nosso, mas sem avançar no espaço que só cabe a eles ocupar. Que possamos aceitar o fato que nem sempre é da nossa mão que eles precisam. Que possamos deixar os amigos serem amigos. Que nosso olhar não falhe em acreditar e que não confundamos ter um olhar de quem acredita com ter expectativas transferidas.

Que nossos filhos superem os danos causados pelos nossos julgamentos, acusações e projeções. Que saibamos todos nós ocupar cada um o seu lugar. Que jamais cedamos o nosso papel de mãe e que nossos filhos sejam sempre filhos. Que haja espaço no nosso lar para diversão e obrigação. Que haja permissão para rir e brincar. Que não haja só regras, mas que elas nunca venham a faltar. Que Deus nos capacite a ensinar nossos filhos a terem garra na vida, sem medir esforços para buscarem o que sonham. Buscar sem trapacear. Vencer sem se corromper. Que jamais façamos por eles o que cabe a eles fazer acontecer, e que jamais deixemos de fazer o que cabe a nós resolver.

Por fim, que aceitemos o fato, de uma vez por todas, que erro no papel de mãe é algo que não podemos evitar e que por isso precisamos dar a nós mesmas e a cada um dos nossos filhos espaço para viver, cair, aprender e se levantar. Que mesmo conhecendo nossas vulnerabilidades, eles consigam ver e acessar o melhor de nós, pois de nada vale ser alguém para o mundo que nossos filhos não conseguem enxergar. Que Ele nos capacite a agir e, sobretudo reagir com sabedoria. Que saibamos educar com mansidão. Que a serenidade seja nossa força de transformação. Que Deus permita nossos filhos superarem as marcas que neles causamos por nossos erros, inseguranças, carências, omissões, descontroles e agressões. Que eles tenham um bom coração para aceitar e acolher o melhor que temos para dar. E que Deus a cada dia nos capacite a ser a mãe que nossos filhos precisam ter, sempre perseverantes no amor e fiéis à vontade do nosso Senhor. Feliz Dia das Mães!

Últimos Artigos

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.