Coluna

Viver melhor: Líder servidor

00:00 · 08.04.2017

Você já ouviu a expressão "Líder Servidor"? Esse é um antigo e ainda atual conceito da liderança, publicado pela primeira vez por Robert K. Greenleaf em 1970. Pessoas que seguem esse modelo têm um desejo natural e prioritário de servir. Focam sua energia em fazer os outros crescerem e dividem poder na tomada de decisão. Importam-se em promover transformação tanto na vida pessoal como profissional. Possuem uma aguçada capacidade de escuta e lideram considerando que as pessoas não são iguais, cada uma tem seu ritmo, sua forma de aprendizado, suas motivações e vulnerabilidades.

O Líder Servidor não acredita, portanto, na padronização de liderança, mas defende a forma de liderar individualizada, a partir das necessidades de cada um. Por esse olhar atento ao outro, geralmente são líderes de alta capacidade de empatia e de geração de "liga" entre times. Os princípios do Líder Servidor muito se assemelham aos conceitos de Liderança Coaching que atualmente têm sido tão discutidos nas empresas.

O ponto de interseção mais evidente é o foco no desenvolvimento e crescimento do outro. Mais do que ensinar a fazer, preocupam-se em ensinar a pensar. Na minha experiência como Executive Coach, percebo que a Liderança Servidora não pode ser considerada de forma isolada do contexto. Acredito que um líder não precisa adotar um único modelo de liderança todos os dias e por toda a vida. Dependendo da situação, do nível da equipe, da cultura da empresa e dos objetivos prioritários do momento, haverá um modelo de liderança que melhor se adequará.

Em entrevista, Carol Kauffman, Executive Coach e Presidente do Instituto de Pesquisa em Coaching da Harvard Medical School (IOC), afirmou que defende a ideia da "Liderança Ambidestra", aquela que é capaz de unir o espírito de serviço com o foco em resultado; que integra criatividade e estrutura, inspiração e gestão. Ela concorda que os líderes têm, em geral, um modelo prioritário de atuação, mas devem ser flexíveis para se adaptarem às necessidades de cada momento.

O MIT (Massachusetts Institute of Technology) possui um modelo de liderança chamado "Liderança Distributiva", que ela considera um modelo "ambidestro", pois contempla tanto o lado mais inspiracional e inovador da liderança como as necessidades de gestão e acompanhamento. Os quatro comportamentos da Liderança Distributiva são: 1) traduzir coisas complexas em leituras simples (sense making); 2) visualizar o futuro (vision); 3) relacionar-se bem (relating); 4) executar com criatividade (execution).

O grande ganho da Liderança Servidora, na minha opinião, é o convite à reflexão sobre qual contribuição o líder deixa ao meio e qual impacto positivo ele gera em seu entorno (superiores, pares, liderados, clientes e todos os stakeholders de forma geral). Com o modelo mental de ser "um líder que serve", o líder passa a focar na qualidade daquilo que entrega, não somente em termos de "geração de riqueza", mas sobretudo em termos de "geração de crescimento para todos que com ele trabalham".

O líder servidor não centraliza tudo em si, pelo contrário, divide "poder" com o objetivo de fazer o outro crescer. Por fim, vale ressaltar que servir nada tem a ver com fazer tudo por todos, isso é ser "serviçal", não servidor. O serviçal serve porque tem que servir ou porque deseja agradar? O servidor o faz porque querer servir e porque deseja verdadeiramente contribuir!

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