Coluna

Viver Melhor: humor é amor

00:00 · 07.07.2018

Você se considera uma pessoa bem-humorada? E as pessoas que convivem com você, o que diriam sobre o seu humor? Talvez você se perceba bem-humorado, mas também um tanto complicado. Talvez seu sorriso seja fácil ou seu humor seja alterado. Talvez você já tenha sido bem humorado no passado, mas por alguma razão tem se tornado mais fechado. Talvez você consiga sorrir e viver com leveza, mantendo o bom humor mesmo na tristeza. Para uns, o humor é algo natural, mas para outros é uma força a ser conquistada.

Aprendi que a virtude da transcedência e espiritualidade é a capacidade de estabelecer conexão com algo maior e mais durável, seja com o futuro, com o divino, com o universo ou com as pessoas. De acordo com Martin Seligman, essa virtude é composta por sete forças, dentre elas, o bom humor. Sendo assim, podemos compreender que o humor é uma força de conexão e de elevação a algo maior. Como diz Freud, "o humor tem algo não apenas libertador, mas também algo de sublime e elevado".

Quando aprendi isso, logo pensei: então os mais engraçados são mais elevados? E agora, o que vou fazer? A boa notícia é que aprendi também que o humor é uma força que pode ser aprendida e que ser bem humorado não significa ser piadista. Podemos viver com humor sem necessariamente sermos engraçados. Ufa, que alívio! Mas então qual a solução para os que não são naturalmente bem-humorados? O caminho começa rindo de si mesmo, rindo dos próprios desafios e das próprias vulnerabilidades.

Concordo com a visão do filósofo André Comte-Sponville, que acredita que para ter humor é preciso primeiro aceitar aquilo que nos faz sofrer. Só tem humor quem se permite desmentir a si mesmo, pois mais do que infelicidade, o que impede o bom humor é a vaidade. Na opinião dele, "não ter humor é não ter humildade, é não ter lucidez, é não ter leveza, é ser demasiado cheio de si, é ser demasiado severo ou demasiado agressivo, é quase carecer de generosidade, de doçura e misericórdia".

O segundo passo é permitir-se rir com o outro. Li uma frase que dizia "amar com humor é amar melhor. Humor é amor". No humor há grandeza, há sabedoria, há maestria. Humor reduz conflitos, ameniza as tensões, fortalece relações. É saudável rir, desde que não seja de qualquer maneira. Como diz Aristóteles, "o homem de humor ri como se deve, quando se deve e do que se deve". Rir para ferir não é humor, é ironia. O bem humorado não ri às custas dos outros, ri com os outros. O irônico ri com riso sarcástico, destruidor. Ri para acusar, para diminuir ou para desprezar. O bem-humorado ri para se conectar, para agregar, para fazer o outro mais feliz. A ironia é cruel, o humor é misericordioso. A ironia é humilhante enquanto o humor é humilde. A ironia ri contra o outro enquanto o humor ri com o outro. O humor não é zombaria, ele é ato de amor.

Humor é saber rir de si, rir com o outro e, por fim, rir da vida. Em certas situações, rir é o que de melhor podemos fazer. Certamente não nos faltam motivos para chorar, mas se pararmos para pensar, também não nos faltam motivos para sorrir.

Não é preciso escolher entre risos ou lágrimas, podemos viver com risos e lágrimas ao mesmo tempo. A vida é assim, uma combinação de dor e alegria no mesmo dia. Virtude é encontrar humor até dentro da dor. Para nos ajudar, podemos sempre nos perguntar: se tivéssemos algum motivo para achar graça dessa situação, o que seria? Eu sei que muitas vezes vivemos situações desesperadoras, mas nem sempre são graves.

É preciso aprender a não levar tão a sério as nossas angústias e preocupações. É possível sorrir mesmo quando aparentemente não houver razão. É possível inserir humor na vida mesmo sem senti-lo. O amor também nem sempre é sentido, mas é expresso pelo que se faz. Humor, acima de tudo, é uma força que pode ser acionada pela emoção mas, sobretudo, por decisão. Humor é amor. Quem se decide pelo amor, também se decide pelo humor.

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